Logo Peregrinus Fidei

PEREGRINUS FIDEI

Assim como o povo hebreu peregrinou pelo deserto para chegar à terra prometida.
Hoje nós peregrinamos para chegar ao Céu.

Sincronizando mural...

BEATA MARIA ROMERO MENESES.

A Apóstola da Costa Rica.
BEATA MARIA ROMERO MENESES
• Festa Litúrgida dia 7 de julho

HISTÓRIA
Maria Romero Meneses nasceu a 13 de janeiro de 1902, na cidade de Granada, na Nicarágua, no seio de uma família aristocrática de sólida  formação cristã e elevado prestígio social. O seu pai, Félix Romero Arana, era um advogado de renome e político influente, tendo exercido o cargo de ministro no governo nicaraguense, o que garantiu à família uma situação de grande estabilidade e destaque. Sua mãe, Ana Meneses Blandón, descendia de uma linhagem tradicional e respeitada da região, dedicando-se inteiramente à gerência do lar e à educação dos filhos sob os mais rígidos preceitos da fé católica. Foi sob a tutela de Félix e Ana que a jovem maria recebeu uma instrução esmerada e desenvolvou dotes artísticos invulgares, destacando-se na música e na pintura. Paralelamente esses talentos, cultivou desde a infância uma sensibilidade espiritual profunda, sendo encorajada por seus pais a praticar a caraidade e a distribuir alimento aos necessitados que batiam à porta da residência familiar.

Aos doze anos, a sua vida e a sua fé foram postas à prova quando contraiu uma violenta febre reumática que a deixou paralisada no leito durante quase um ano. Perante a impotência da medicina da época, a jovem refugiou-se na oração e viveu uma profunda experiência mística, atribuindo a sua cura completa e inexplicável à intercessão direta de Nossa Senhora Auxiliadora a sua cura completa e inexplicável à intercessão direta de Nossa Senhora Auxiliadora. Este acontecimento selou de forma irrevogável o seu desejo de consagração total a Deus. Contornando as resistências iniciais da família, que idealizava para ela um futuro brilhante na sociedade, Maria ingressou no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (Irmãs Salesianas) em 1929, assumindo com radicalidade o carisma de São João Bosco e de Santa Maria Domingas Mazzarello.

O Florescer da Caridade em San José da Costa Rica.
Em 1931, a obediência religiosa conduziu a Irmã Maria Romero a San José, a capital da Costa Rica, cidade que se converteria no altar do seu sacrifício cotidiano e no cenário da sua atuação apostólica durante os quarenta e seis anos seguintes. Inicialmente designada pera lecionar música, desenho e datilografia no colégio das Salesianas - frequentado pelas filhas da alta sociedade local -, a religiosa não tardou a direcionar o seu olhar evangélico para além dos muros da instituição, contemplano a miséria extrema que assolava os bairros periféricos e marginalizado da capital.

Dotada de um ardor missionário inabalável, a Irmã Maria Romero idealizou uma ponte de caridade entre as duas realidades sociais. Começou a recrutar as suas próprias alunas abastadas, transformandoas em "missionárias" voluntárias. Com o auxílio destas jovens, fundou as Oratórias Festivas, centros de acolhimento que passaram a receber milhares de crianças e famílias da mais estrita pobreza. 
Nestes espaços, os marginalizados não encontravam apenas o sustento da catequese e da instrução básica, mas também o amparo material da alimentação e do vestuário, sendo a presença da religiosa nas ruas de San José entendida pelo povo como um sinal vivo da ternua de Deus.

Obras Sociais e Combate à Miséria
Ação caratativa da Irmã Maria Romero materializou-se progressivamente em estruturas permanentes de assistência social que transformaram a fisionomia humanitária de San José. O coração das suas fundações foi a Casa da Virgem, um vasto complexo social que abrigava um dispensário médico e odontológico gratuito, mantido graças à colaboração voluntária de profissionais de saúde de renome que a religiosa conseguia sensibilizar. Ali, distribuíam-se diariamente medicamentos, roupas e centenas de refeições aos desamparados.

Preocupado com o futuro das jovens expostas aos perigos das ruas e da vulnerabilidade social, instituiu a Cidade das Garotas (Ciudad de las Muchachas), um centro de capacitação profissional onde mulheres de estratos humildes aprendiam ofícios práticos como corte e costure, culináriae contabilidade, permitindo-lhes conquistar a independência financeira com dignidade moral. Adicionalmente, comovida com a deplorável situação habitacional das famílias que se amontoavam em cortiços insalubres, a Irmã Maria mobilizou doadores e a própria elite política para adquerir terrenos, promovendo a construção de bairros inteiros de moradias dignas para os sem-abrigo, que ficaram conhecidos como as "Cidadelas de Maria Auxiliadora".

Misticismo e os Prodígios da Providência
A hagiográfia da Irmã Maria Romero é indissociável de uma intensa vida de união mística com Deus e de uma confiança cega na Providência Divina. A sua vida interior alimentava-se de horas passadas diante do sacrário, referindo-se frequentemente a Jesus Sacramentado como o seu "Rei" e a Nossa Senhora como a sua "Rainha". Toda a sua monumental obra social foi erguida sem recursos financeiros próprios, baseando-se inteiramente nas esmolas que solicitava e que via multiplicar-se de forma miraculosa.

As testemunhas dos seus processos de canonização documentaram numerosos sinais sobrenaturais que cercavam a sua rotina. Em dias de grande afluência de famintos na Casa da Virgem, quando as provisões na cozinha eram manifestamente insuficientes, as panelas de sopa e os fardos de pão multiplicavam-se inexplicavelmente sob as suas mãos, bastando para saciar as multidões. Tornou-se igualmente célebrea "água de Nossa Senhora", que a Irmã Maria abençoava e distribuía aos enfermos; através do uso desta água, operaram-se curas físicas prodigiosas de doentes desenganados pelos médicos. Apesar da imensa fama de santidade que a rodeava, a religiosa mantinha-se oculta numa profunda humildade, rejeitando qualquer louvor e insistindo que todas as maravilhas eram obras exclusivas da Virgem Auxiliadora.

O Trânsito Final
Após décadas de um ritmo de trabalho extenuante, marcado por rigorosas privações e vigílias de oração, a saúde da Irmã Maria Romero debilitou-se gravemente em meados da década de 1970. Apresentando severos problemas cadiácos em um esgotamento físico generalizado, os seus superiores ordenaram-lhe que fizesse um período de repouso na sua terra natal, e Nicarágua, na esperança de que o clima natalício lhe restaurasse as forças. 

A 7 de julho de 1977, na estância termal de Las Peñitas, em León, na Nicarágua, a santa religiosa sofreu um enfarte no miocárdico fulminante. Faleceu santamente aos 75 anos de idade, deixando atrás de si um rasto de dor e saudade em toda a América Central. O seu corpo foi transladado de volta para a Costa Rica, a pátria adotiva que tanto amara, sendo sepultada na capela da Casa da Virgem, em San José. O local converteu-se de imediato num santuário de peregrinação constante, onde fiéis de todas as condições sociais acorrem para pedir a sua intercessão e agradecer as graças alcançadas.

Glória dos Altares e Legado
O clamor popular sobre as suas virtudes heróicas e a multiplicação de milagres após a sua morte impulsionaram a abertura do seu processo de beatificação pela Santa Sé. O Papa São João Paulo II, reconhecendo a heroicidade da sua vida inteiramente consumada no amor a Cristo e aos pobres, beatificou-a solenemente na Praça de São Pedro, em Roma, a 14 de abril de 2002. Com esta proclamação, a Irmã Maria Romero elevou-se como a primeira mulher bem-aventurada da história de América Central.

A sua festa litúrgica ficou inscrita no calendário da Igreja Católica no dia 7 de julho, data da sua passagem para a eternidade. A sua hagiografia permanece no tempo como um testemunho eloquente de que a caridade autêntica é capaz de derrubar as barreiras da indiferença socia, sendo ela venerada como a padroeira dos assistentes sociais, dos voluntários católicos e a protetora perene dos marginalizados e dos que buscam na Providência o sustento para a vida.

Nenhum comentário: