“Maria é a Rainha do Céu e da terra, por graça, como Cristo é Rei por natureza e por conquista”. Assim afirma São Luís Maria Grignion de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, nº 38.
Hoje, 22 de agosto, a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora Rainha, contemplando a realeza de Maria em perfeita união com a realeza de seu Filho, Jesus Cristo. O reino de Cristo não é temporal nem terreno, mas eterno e universal, e a dignidade régia de Maria deriva inteiramente de sua união com Ele.
A festa litúrgica de Nossa Senhora Rainha foi instituída pelo Papa Pio XII, em 1954, por meio da encíclica Ad Caeli Reginam, dedicada à realeza da Santíssima Virgem Maria. Na ocasião, a celebração foi estabelecida para o dia 31 de maio.
Posteriormente, com a reforma do calendário litúrgico, a festa foi transferida para 22 de agosto, oito dias depois da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. A mudança manifesta a profunda ligação entre a Assunção de Maria e sua realeza: elevada ao Céu em corpo e alma, a Virgem é contemplada pela Igreja como Rainha junto de seu Filho.
Na encíclica Ad Caeli Reginam, Pio XII recorda que, ao longo da tradição da Igreja, teólogos, santos e testemunhos antigos atribuíram à Santíssima Virgem títulos como “Rainha de todas as coisas criadas”, “Rainha do mundo” e “Senhora do universo”.
O Papa Bento XVI, ao falar sobre essa celebração em 2012, explicou que a realeza de Maria se manifesta no amor e no serviço aos seus filhos, em seu constante cuidado pelas pessoas e por suas necessidades.
Ao referir-se à Virgem como Rainha do Universo, São João Paulo II também destacou o caráter profundamente cristocêntrico de sua realeza: Maria é Rainha porque participa de maneira singular da vida e da missão de seu Filho.
São Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, recordou uma verdade fundamental para compreender a devoção mariana: “Em Maria, tudo é relativo a Cristo e tudo depende dele”. Desde toda a eternidade, Deus a escolheu para ser a Mãe do Salvador e a adornou com graças especiais.
A Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, afirma que a Virgem Imaculada, depois de ser elevada ao Céu em corpo e alma, “foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo”, para que estivesse mais plenamente configurada com seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte.
A Sagrada Escritura apresenta no Apocalipse uma imagem que a tradição cristã também relacionou à Virgem Maria:
“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.”(Ap 12,1)
Celebrar Nossa Senhora Rainha, portanto, é reconhecer a grandeza daquela que foi escolhida por Deus para ser Mãe de Jesus Cristo e que, elevada à glória do Céu, permanece intimamente unida ao seu Filho.
Sua realeza não diminui a soberania de Cristo. Ao contrário, tudo em Maria aponta para Jesus.
Nossa Senhora Rainha, rogai por nós!
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