São João de Brito nasceu em Lisboa, em 1647, no seio de uma família da alta nobreza ligada à corte portuguesa. Apesar do futuro promissor na administração do reino, decidiu ingressar na Companhia de Jesus aos quinze anos, movido pelo desejo de seguir os passos de Francisco Xavier nas missões do Oriente. Após completar seus estudos em Évora e Coimbra, partiu para a Índia em 1673, estabelecendo-se na região de Madurai, no sul do subcontinente.
Ao chegar, compreendeu que o sistema de castas e as profundas tradições religiosas locais exigiam uma abordagem de evangelização diferente da europeia. João de Brito adotou então o estilo de vida de um "Pandaraswami", um asceta ou mestre religioso itinerante. Ele passou a vestir-se com túnicas açafrão, deixou crescer a barba, absteve-se de carne e vinho, e passou a caminhar descalço, respeitando os costumes e a dieta dos indianos para facilitar o diálogo com a população. Essa estratégia de aculturação permitiu que ele batizasse milhares de pessoas, ganhando o respeito de diversas camadas sociais.
Sua atuação, no entanto, gerou forte oposição entre os líderes religiosos tradicionais e autoridades políticas locais, que viam na conversão ao cristianismo uma ameaça à ordem social estabelecida. Em 1686, foi preso e torturado pela primeira vez, mas acabou sendo libertado e retornou brevemente a Portugal, onde foi recebido como herói. Mesmo sob pressão do Rei D. Pedro II para que permanecesse no país como tutor de seus filhos, João insistiu em retornar à sua missão na Índia em 1690.
O conflito final ocorreu quando ele converteu um príncipe local chamado Teriadeven. Como parte da conversão, o príncipe decidiu cumprir os preceitos cristãos e manter apenas sua primeira esposa, repudiando as demais. Uma das mulheres abandonadas era sobrinha do Setupati de Marava, o governante da região. Sentindo-se insultado, o governante ordenou a prisão do missionário. João de Brito foi levado para Oriur, onde sofreu diversas humilhações e torturas antes de ser decapitado em 4 de fevereiro de 1693. Ele foi canonizado em 1947 pelo Papa Pio XII, sendo lembrado como o "Xavier Português".
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