SANTA ISABEL ANA BAYLEY SETON

Festa Litúrgica dia 4 de janeiro

Isabel Ana Bayley Seton nasceu em 28 de agosto de 1774, na cidade de Nova York, no seio de uma família de prestígio sociel e profundas raízes coloniais. Seu pai, o Dr. Richard Bayley, foi um cirurgião proeminente e o primeiro inspetor de saúde do porto de Nova York, enquanto sua mãe, Catherine Charlton, era filha fe um reitor episcopal. A morte de sua mãe em 1777 e, posteriormente, de sua madrasta e de uma irmã, conferiram à sua juventude um caráter de busca por estabilidade emocional e espiritual, frequentemente registrada em seus diários e leituras devocionais.Em 25 de janeiro de 1794, aos dezenove anos, casou-se com William Magee Seton, um herdeiro de uma próspera firma de importação e comercio. O matrimônio resultou no nascimento de cinco filhos: Anna Maria, William, Richard, Catherine e Rebecca.

A estabilidade financeira da família Seton deteriorou-se no final da década de 1790 devido a perdas comerciais marítimas e às tensões políticas entre os Estados Unidos e a França, culminando na falência da empresa familiar em 1801. Simultaneamente, a saúde de William Seton agravou-se devido à tuberculose. Em 1803, na tentativa de buscar um ambiente favorável à recuperação do marido, Elizabeth viajou com ele e sua filha mais velha para Livorno, na Itália. Contudo, devido a um surto de febre amarela em Nova York, foram retidos pelas autoridades italianas em um lazareto sob quarentena rigorosa. William Seton faleceu em 27 de dezembro de 1803, logo após a liberação. Durante o período de luto na Itália, Elizabeth foi acolhida pelos irmãos Antonio e Filippo Filicchi, cujas práticas religiosas e explicações teológicas a introduziram formalmente à doutrina católica, particularmente no que diz respeito à autoridade apostólica e à presença eucarística.

Ao retornar a Nova York em 1804, Elizabeth enfrentou um prolongado conflito interno entre sua herança episcopal e as novas convicções católicas. Sua conversão oficial ocorreu em 14 de março de 1805, quando foi recebida na Igreja de São Pedro, a única igreja católica da cidade na época. A decisão resultou em um isolamento social severo e na perda de apoio financeiro de sua família e amigos, que viam o catolicismo como uma religião de imigrantes pobres e teologicamente suspeita. Para sustentar seus filhos, tentou estabelecer uma escola em Nova York, mas o preconceito religioso inviabilizou o projeto. Em 1808, aceitou o convite do Padre Louis William Dubourg, da Sociedade de São Sulpício, para abrir uma escola para meninas em Baltimore, Maryland, um estado com maior tolerância e tradição católica.

Em 25 de março de 1809, Elizabeth Seton emitiu votos privados de castidade e obediência, recebendo o título de Madre Seton. Poucos meses depois, transferiu sua pequena comunidade para Emmitsburg, Maryland, onde, com o apoio financeiro de Samuel Sutherland Cooper, fundou a Academia de São José e a Congregação das Irmãs da Caridade de São José em 31 de julho de 1809. Esta foi a primeira congregação religiosa feminina estabelecida nos Estados Unidos. A regra da comunidade baseava-se na das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, na França, mas com adaptações que permitiam a Elizabeth continuar cuidando de seus próprios filhos. Sob sua liderança, a congregação estabeleceu as bases do sistema paroquial de educação gratuita nos Estados Unidos, além de expandir sua atuação para orfanatos em Filadélfia e Nova York.

Elizabeth Ann Seton faleceu em 4 de janeiro de 1821, aos 46 anos, em decorrência de tuberculose. No momento de sua morte, a congregação já contava com mais de vinte comunidades estabelecidas. O processo de sua causa de canonização iniciou-se formalmente em 1907. Ela foi beatificada pelo Papa João XXIII em 17 de março de 1963 e canonizada pelo Papa Paulo VI em 14 de setembro de 1975, tornando-se a primeira pessoa nascida nos Estados Unidos a ser declarada santa pela Igreja Católica Romana. Sua biografia é documentada através de uma vasta correspondência pessoal e arquivos institucionais que detalham sua transição de figura da elite novaiorquina a fundadora de um sistema educacional e assistencial de escala nacional.

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