SANTA ADELAIDE.

Festa litúrgica dia 16 de dezembro

ORAÇÃO
Ó Santa Adelaide, mulher de fortaleza admirável e coração generoso, que enfrentastes com fé as maiores provações de vossa vida, desde o exílio e o aprisionamento até as responsabilidades do governo, olhai por nós em nossas necessidades. Vós, que soubestes perdoar vossos inimigos e usar vossa posição de imperatriz para socorrer os pobres e edificar o Reino de Deus, concedei-nos a graça de uma confiançã inabalável na Providência Divina.
Pedimos vossa intercessão especial para que, seguindo vosso exemplo de justiça e caridade, possamos manter a paz em nossas famílias e a firmeza em nossos propósitos espirituais. Santa Adelaide, protetora das viúvas, das noivas e de todos os que sofrem perseguições, rogia a Deus por nós, para que tenhamos a sabedoria de governar nossas vidas com retidão e o amor necessário para servir ao próximo com humildade, Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

HISTÓRIA
ADELAIDE DE BORGONHA nasceu por volta do ano 931, na Borgonha, filha do rei Rodolfo II da Borgonha e da Rainha Berta da Suábia, e sua vida foi marcada por uma sucessão de alianças políticas e provações extremas que a tornaram uma das figuras mais influentes da Europa medieval. Ainda na infância, sua trajetória foi traçada por um acordo político que a prometeu ao herdeiro do trono da Itália Lotário II.

Aos  dezesseis anos, casou-se com Lotário II, rei da Itália, desta união nasceu uma menina de nome Ema. Mas a união durou apenas 3 anos, devido à morte súbita de Lotário em 22 de novembro de 950, possivelmente envenenado por seu rival político, Berengário II, que assumiu o poder. Adelaide tinha 19 anos quando enviuvou. Ela era conhecida por ser uma jovem muito bonita, inteligente e piedosa.

Berengário tentou casar Adelaide com seu filho, Adalberto visando legitimar sua posse sobre o reino que havia usurpado para si. No entanto Adelaide abominava a ideia de casar-se com o filho do homem que envenenara seu marido recusou-se a casar com o filho de Berengário, o que resultou em sua prisão em um castelo à beira do Lago de Garda, onde ela sofreu severas privações. Ela conseguiu escapar de forma audaciosa, fugindo por um túnel escavado com a ajuda do padre Martinho, refugiando-se em matagais e pântanos até alcançar a segurança do castelo de Canossa.

Buscando proteção, ela apelou ao rei da Germania (Alemanha) Otão I, que atravessou os Alpes com seu exército, derrotou as forças de Berengário e o destronou e coroou-se em Pavia como rei dos lombardos.

Adelaide foi, então, a Pavia, agradecer ao seu benfeitor. o Rei Otão I, cuja primeira esposa, Edite, havia falecido em 946, impressionou-se com a beleza e o caráter de Adelaide e pediu a sua mão. casara-se no natal de 951, em Pavia. Essa união unificou as coroas  da Germânia e da Itália, estabelecendo as bases do Sacro Império-Germânico.

Em 962, em Roma, o casal foi coroado Imperador e Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico pelo Papa João XII. Como imperatriz, Adelaide exerceu influência política e diplomática considerável, atuando como conselheira de Otão e dedicou grande parte de sua riqueza para financiar à construção de mosteiros, igrejas e hospitais e no auxílio dos necessitados, ganhando a admiração do povo por sua justiça e piedade.

Após a morte de Otão I em 7 de maio de  973, o filho de Alelaide subiu ao trono como imperador Otão II. Infelizmente sua esposa (nora de Adelaide), a princesa grega Teofânia, sentia ciúmes da influência de Sogra e colocou-o contra ela, inicialmente alegando que estava desperdiçando a fortuna imperial com sua generosidade. A imperatriz e mãe foi banida da corte e voltou à sua terra natal, contudo suportou essas humilhaões com a mesma nobre serenidade e modesta grandeza com que, anteriormente, havia se tornado imperatriz ao lado de seu esposo.

O imperador Otão II percebeu rapidamente o quando lhe faziam falta os conselhos de sua experiente e confiável mãe, pois todos os seus planos afundaram e qualquer projeto que iniciava logo dava errado. Ele se arrependeu e chamou Adelaide de volta. 

Contudo, com a morte prematura de seu filho e, posteriormente, de sua nora, Adelaide assumiu a regência do império em nome de seu neto, Otão III. Durante esse tempo, governou com sabedoria, pacificando fronteiras e promovendo a evangelização. Quando o neto atingiu a maioridade, ela renunciou ao poder e retirou-se para o Mosteiro de Seltz, na Alsácia, que ela mesma havia fundado, onde faleceu em 16 de dezembro de 999.

Sua trajetória é lembrada não apenas pela nobreza de sangue, mas pela resiliência demostrada diante das adversidades políticas e pelo uso estratégico de sua posição para promover a caridade e a estabilidade na Europa.

O reconhecimento de sua santidae ocorreu de forma oficial em 1097, quando foi canonizada pelo papa Urbano II.

Naquele tempo, o processo de canonização não possuía a etapa de beatificação formal e burocrática como existe nos moldes modernos; a elevação aos altares por Urbano II foi o ato definitivo que confirmou o culto que já era amplamente difundido pela Europa devido aos relatos de milagres e à sua vida de virtudes. O Papa destacou sus importância como modelo de viúva cristã e governante justa, fixando sua festa litúrgica no dia de sua morte.

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