SÃO SEVERINO


ORAÇÃO
Deus, nosso Pai, em São Severino nos destes um exemplo admirável de bondade e de amor cristão, que é servir e exercer a solidariedade para com todos os homens. sem levasr em conta raça, cor, cultura e religião.
Vós sois um Deus que não fazeis acepção de pessoas. Diante de vós todos são iguais e participam da mesma dignidade de criaturas amadas e queridas por vós. Todos os povos são chamados a participar da vossa salvação ea constituir uma grande família, a família dos filhos de Deus. Nós vos pedimos, Senhor, que em Jesus vosso amado filho, nosso irmão, e mediante o vosso Espírito Santo, nos concedais o dom do discernimento, para percebermos os sinais de vosso amor e de vossa ação na história humana.
Amém.

HISTÓRIA
A história de São Severino, frequentemente chamado de o "Apóstolo do Nórico", emerge das brumas de uma dos séculos mais sombrios e caóticos da civilização ocidental, o século V, quando o Império Romano do Ocidente desmoronava sob o peso das invasões bárbaras.

Embora as suas origens exatas permaneçam emvoltas em um mistério que ele próprio cultivava por humildade, fontes afirma que ele nasceu por volta do ano 410 em Roma, em uma família nobre e muito Rica. Sua erudição e a pureza de seu latim denunciavam uma educação refinada, e tipica das elites imperiais, ao mesmo tempo, uma pessoa humilde e profundamente caridosa.

Mas o chamado espírito o levou a abandonar as honras mundanas para buscar o silêncio absoluto nos desertos do Oriente. Foi nessa solidão contemplativa que ele forjou a têmpera de sua alma, preparando-se para a missão que o tornaria o baluarte de uma fronteira em agonia.

Ao retornar do Oriente, Severino não buscou o conforto das cidades latinas que ainda resistiam, mas dirigiu-se propositalmente para as margens gélidas do rio Danúbio, na província do Nórico, território que hoje abrange partes da Áustria e do sul da Alemanha. Ele chegou a essa região pouco depois da morte de Átila, o Rei dos Hunos, em um momento em que as tribos germânicas, como os rúgios, alamanos e hérulos, disputavam os restos das terras romanas. Severino apresentou-se não como um guerreiro ou político, mas como um homem de oração, vestindo uma túnica simples e caminhando descalço, mesmo quando o inverno rigoroso congelava as águas do grande rio. Sua primeira aparição marcante ocorreu na cidade de Asturis, onde ele implorou aos habitantes que fizessem penitência, jejuassem e se voltassem para Deus, alertando que a negligência moral os tornaria vulneráveis aos invasores. Ridicularizado pelos cidadãos que confiavam apenas em suas muralhas, ele partiu para a vizinha Comagenis. Poucos dias depois, a profecia se cumpriu de forma trágica: Asturis foi saqueada e destruída, e a notícia de que o "estranho santo" havia previsto o desastre espalhou-se como fogo, conferindo-lhe uma autoridade que nenhum título romano poderia dar.

A partir desse momento, Severino tornou-se o coração espiritual e administrativo de toda a região. Ele fundou mosteiros, como o de Mautern an der Donau, que serviam não apenas como centros de oração, mas como armazéns de alimentos para os pobres e refúgios para os despossuídos. Sua vida era uma lição de austeridade extrema; ele se alimentava apenas uma vez por dia e dormia sobre uma esteira no chão de sua cela, rezando horas a fio enquanto os reinos ao seu redor caíam. No entanto, sua caridade era tão vasta quanto sua disciplina era rígida. Ele organizava a cobrança de dízimos (que na época eram usados quase integralmente para alimentar os famintos e resgatar prisioneiros de guerra) e negociava diretamente com os reis bárbaros. Sua coragem era tal que ele não temia repreender monarcas violentos por suas injustiças, e muitos desses líderes, impressionados pela sua integridade e pela ausência total de medo da morte, passavam a respeitá-lo e a seguir seus conselhos. Um desses líderes foi Odoacro, o futuro conquistador de Roma, que antes de sua fama buscou a bênção de Severino em sua cela humilde; o santo, ao vê-lo inclinar-se para entrar na porta baixa, profetizou que ele alcançaria o poder supremo, mas advertiu-o a usar sua força para o bem e para a misericórdia.

O cerne de sua pregação era a convicção de que o pecado era uma ameaça muito mais real e devastadora do que qualquer exército bárbaro. Ele ensinava que a verdadeira paz não vinha de tratados militares, mas da reconciliação do homem com Deus. Essa filosofia manifestava-se em sua relação com os discípulos, como no caso de Bonoso, a quem ele se recusou a curar fisicamente, explicando que a enfermidade era um escudo contra a soberba e um caminho mais seguro para a santidade do que a saúde vigorosa usada para o vício. Severino era, ao mesmo tempo, um diplomata incansável, um místico profundo e um protetor social, equilibrando a dureza da vida ascética com uma doçura maternal para com os humildes. Ele viveu o suficiente para ver a fé cristã criar raízes entre os próprios invasores, servindo de ponte entre o mundo romano que morria e o mundo germânico que nascia.

No dia 8 de janeiro de 482, pressentindo que sua jornada terrena chegava ao fim, São Severino reuniu seus monges e amigos. Ele os exortou à caridade mútua e à perseverança na fé antes de pedir que entoassem o Salmo 150. No momento em que as vozes cantavam as palavras finais do salmo ("Todo ser que respira louve ao Senhor"), ele exalou seu último suspiro. Após sua morte, com a evacuação final das tropas romanas da região do Nórico, seus discípulos não suportaram deixar seus restos mortais para trás e levaram seu corpo em uma longa jornada até o sul da Itália. Seus restos repousam hoje em Nápoles, no mosteiro que leva seu nome, permanecendo como o testemunho eterno do homem que provou que a maior fortaleza do ser humano não reside na espada, mas na pureza de um coração que não teme nada além de se afastar do amor divino.

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