• Festa Litúrgica dia 13 de fevereiro
HISTÓRIA
SANTA CATARINA DE RICCI nasceu em Florença, em 1522, foi batizada com o nome de Alessandra Lucrezia Romola, filha de Pier Francesco de Ricci e Caterina di Raul di Bernardo Bonsi. Seu pai era um membro proeminente da aristocracia florentina, atuando como um oficial influente na administração pública e na política local, enquanto sua mãe pertencia à respeitada família Bonsi. A linhagem do Ricci era ligada ao setor bancário e ao comércio, o que garantia à família um alto status econômico e social na Toscana. A infância de Alessandra foi marcada por uma perda signficativa logo aos cinco anos, quando sua mãe faleceu, evento que mudou o curso de sua criação.
Após a morte da mãe, Alessandra foi levada para o convento das freiras beneditinas de Monticelli, onde sua tia servia como abadessa. Nesse ambiente, sua infância foi vivida entre o silêncio das celas e a disciplina religiosa, despertando nela uma inclinação precose para a vida contemplativa. Enquanto outras crianças da nobreza era preparadas para a vida nas cortes, Alessandra dedicava seu tempo a montar altares e a meditar sobre a Paixão de Cristo. Ela demonstrava uma maturidade espiritual atípica para a idade, preferindo a companhoa das religiosas e as leituras sacras aos brinquedos ou às interações sociais comuns às meninas de sua classe.
A transição para a juventude foi um período de tensão entre seus desejos pessoais e as obrigações familiares. Seu pai, Pier Francesco, planejava para ela um casamento que consolidasse o poder da família Ricci e, por isso, retirou-a do convento aos doze anos para introduzi-la na sociedade de Florença. Ele a cercou de vestidos luxuosos e joias, levando-a a eventos sociais na esperança de que ela abandonasse a ideia da vida religiosa. Alessandra, cuntudo, resistiu a todas as investidas paternas, chegando a apresentar sintomas de doenças físicas como forma de protesto silencioso contra a vida mundana. Ela se recusava a participar dos banquetes e mantinha uma rotina de jejuns e orações mesmo dentro do palácio da família.
Diante da determinação inabalável da jovem sue pai finalmente cedeu, permitindo que ela visitasse diversos conventos para escolher sua morada definitiva. Alessandra buscava a regra mais austera e fiel aos ensinamentos de reforma que circulavam na época, especialmente influenciada pela devoção de sua família às ideias de Girolamo Savonarola. Em 1535, aos treze anos, ela escolheu o convento dominicano de São Vicente, em Prato, por sua pobreza e rigor. Ao ingressar na ordem, ela abandonou seu nome de batismos e as expectativas de sua linhagem nobre para se tornar CATARINA, marcando o fim de sua juventude no mundo secular e o início de sua trajetória como mística e líder religiosa.
Após ingressasr no convento de São Vicente em Prato e a adoção do nome Catarina, a vida da religiosa tomou um rumo de intensas manifestações místicas que a colocariam no centro do cenário católico da Contrarreforma. Embora tanha iniciado sua vida monástica sob o signo da incompreensão, já que suas visões e êxtases frequentes eram vistos com desconfiança por algumas irmãs mais velhas, sua conduta impecável e humildade converteram as críticas em admiração. A partir dos vinte anos, ela começou a experimentar as chagas de Cristo de maneira visível, e seu corpo passava por transformações físicas que desafiavam as explicações médicas da época durante as meditações da Paixão.
Esses fenômenos não a impediram de ser uma mulher de ação e intelecto prático. Eleita prioresa aos vinte e cinco anos, Catarina reformou a administração do convento, garantindo a sustentabilidade da comunidade e a formação sólida das noviças. Sua reputação de santidade e sabedoria atravessou os muros de Prato, transformando o convento em um ponto de referência para a elite intelectual e religiosa da Itália. Ela tornou-se conselheira de figuras poderosas, incluindo membro da família Médici e nobres florentinos, a quem escrevia cartas frequentes exortando-os à justiça e à caridade. Sua influência era tamanha que o futuro Papa Leão XI e outros prelados buscavam sua orientação em assuntos de governça eclesiástica.
Um dos aspectos mais singulares de sua maturidade foi a profunda amizade espiritual com São Filipe Néri. Embora nunca tenham se encontrado pessoalmente de forma convencional, ambos afirmavam ter conversado diversas vezes por meio de visões e bilocação. Filipe Néri, em Roma, consultava Catarina sobre decisões importantes e elogiava publicamente sua prudência. Essa rede de contatos mostrava uma mulher que, apesar de enclausurada, estava profundamente conectada aos movimentos de reforma da Igreja, combatendo a corrupção e incentivando o retorno à disciplina evangélica.
Os anos finais de Catarina de Ricci foram marcados por doenças prolongadas e dolorosas, que ela aceitava com a mesma serenidade com que vivia seus êxtases. Ela dedicou seu tempo último a consolidar a regra dominicana no convento e a orientar suas seguidoras na vida de oração silenciosa.
Faleceu em 2 de fevereiro de 1590, cercada por suas irmãs de ordem.
O reconhecimento oficial de sua vida veio em etapas: foi beatificada em 1732 pelo Papa Clemente XII e canonizada em 1746 pelo papa Bento Papa Bento XIV.
Seu corpo, preservado e veerado em Prato, permanece como o registro final de uma trajetoria que uniu a mística profunda à liderança institucional em um dos períodos mais conturbads da história cristã.

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