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PEREGRINUS FIDEI

Assim como o povo hebreu peregrinou pelo deserto para chegar à terra prometida.
Hoje nós peregrinamos para chegar ao Céu.

Sincronizando mural...

BEATA NHÁ CHICA.

Festa Litúrgica dia 14 de junho

HISTÓRIA

Origem, Infância e a Herança Espiritual.

Francisca de Paula de Jesus Nasceu no ano de 1810 (foi batizada em 26 de abril daquele ano), no vilarejo de Santo Antônio no Rio da Mortes Pequeno, distrito de São João del-Rei, em Mina Gerais. Ela era filha de Izabel Maria e de Manuel Antônio. Sua mãe, Izabel Maria, era uma mulher negra que viveu grande parte da vida sob a terrível condição de escravizada até conseguir a sua carta de Alforria. Pouco tempo depoide do nascimento de Francisca, Izabel Maria decidiu mudar-se com a menina e o seu outro filho, Teotônio, para a próspera cidade de Baependi, também em Minas Gerais, procurando afastar-se do preconceito marcado pelo passado de escravidão.

Entre os poucos pertences que a família carregava na mudança, estava uma imagem de madeira de Nossa Senhora da Conceição. A infância de Francisca foi pautada pelo trabalho simples e por uma intensa educação na fé transmitida por sua mãe. Embora a tradição popular oral conte que ela ficou órfã aos dez anos, pesquisas documentais recentes no arquivo da Igreja indicam que sua mãe faleceu quando ela já era adulta (por volta de 35 anos). Independentemente da idade exata, o fato central é que, antes de falecer, Izabel Maria deixou-lhe duas grandes heranças: o dever de cuidar do irmão e o conselho de viver inteiramente dedicada à caridade e à oração, sob a proteção da Virgem Maria.

A opção pelo Desapego e a Capela.

Ao longo de sua juventude, Francisca recebeu diversas propostas de casamento, pois era vista como uma mulher honrada e dedicada. Com total liberdade, rejeitou todas elas. Ela optou por viver uma vida de consagração informal e leiga, sem ingressar em um convento (algo quase impossível para mulheres negras e de origem pobre no Brasil Império). Ela passou a ser chamada respeitosamente por todos de Nhá Chica" ("Dona Francisca", no linguajar mineiro da época).

Com o passar dos anos, seu irmão Teotônio tornou-se um comerciante de posses e, ao falecer, deixou todos os seus bens para ela. Nhá Chica, que sempre escolheu a simplicidade, não guardou a riqueza para si. Ela dividiu o patrimônio dando esmolas generosas aos necessitados, distribuindo mantimentos, consturando roupas os desamparados e financiando casamentos de jovens pobres. A mairo parte do dinheiro ela utilizou para realizar o grande desejo de sua mãe: construir uma capela em honra a Nossa Senhora da Conceição, que se tornou o centro de sua vida diária.

A Conexão com "minha Sinhá" e o Dom do Conselho
Analfabeta, Nhá Chica costumava dizer que seu único livro era a própria fé. Ela mantinha uma relação de extrema intimidade com a Virgem Maria, a quem chamava carinhosamente de "Minha Sinhá" (Minha Senhora). Ela não tomava nenhuma decisão importante e não dava nenhum conselho sem antes se ajoelhar e rezar diatne da imagem da Imaculada Conceição.

A fama de que suas orações eram ouvidas pelo Céu correu por todo o estado de Minas Gerais e Chegou até a corte no Rio de Janeiro. Pessoas de todas as esferas sociais batiam à sua porta: escravizados buscavam consolo, doentes pediam curas, e fazendeiros, médicos e políticos influentes viajavam dias para pedir seus conselhos sobre decisões políticas e familiares. Nhá Chica atendia a todos na mesma mesa, sem qualquer distinção. Quando as pessoas a agradeciam por alguma graça ou previsão certeira, ela corrigia imediatamente com humildade: "Eu não faço milagres. Eu rezo a Nossa Senhora, que me escuta e me atende porque eu rezo com fé".


A Rotina de Oração e o Fenômeno das Sextas-Feiras

Nhá Chica mantinha uma rotina rigorosa de penitência. Ela jejuava com frequência e mantinha o hábito de não comer carne às quartas, sextas e sábados. Um detalhe marcante de sua biografia era o recolhimento absoluto nas sextas-feiras. Nesse dia da semana, em memória da Paixão de Cristo, ela se trancava em seu quarto e não atendia ninguém das 15 horas (hora da morte de Jesus atá as 17 horas, dedicando esse tempo à oração solitária e à contemplação.

Em 1894, um ano antes de suas morte, um médico cético do Rio de Janeiro, Dr. Henrique Mona, viajou até a região para estudar as águas termais e resolveu visitá-la por curiosidade. Ele relatou ter ficado profundamente impressionado com a lucidez, a paz e a autoridade espiritual daquela senhora idosa e humilde, passando a respeitá-la publicamente.

O perfume de Rosas na Trânsito para o Céu.

Nhá Chica faleceu serenamente no dia 14 de junho de 1895, com cerca de 85 anos de idade, em sua modesta casa ao lado da capela. O impacto de sua morte parou a cidade de Baependi. Devido à imensa quantidade de pessoas que vinha de cidades vizinhas para o funeral, o seu velório durou quatro dias.

Durante todo esse tempo, mesmo sob o calor, o corpo de Nhá Chica não apresentou nehum sinal de decomposição; pleo contrário, testemunhas da época registraram que um intenso e misterioso perfume de rosas exalava de seu caixão e tomava conta de toda a capela. Ela foi sepultada na capela que construiu. No ano de 1998, 103 anos após a sua morte, o seu túmulo foi aberto pelas autoridades do Vaticano para a exumação exigida no processo de beatificação, e os peritos médicos e religiosos relataram que o mesmo aroma de rosas ainda permanecia no local.

MILAGRES DE NHÁ CHICA

O milagre da Beatificação

O milagre oficialiado pela Congregação para as Causas dos Santos envolveu a professora aposentada Ana Lúcia Meirelles Leite, moradora de Baependi. Em 1995, Ana Lúcia sofreu uma isquemia ocular transitoria e, ao realizar exames detalhados, os médicos descobriram um grave defeito congênito no coração que estava causando fadiga e uma severa hioertensão pulmonar. A cirurgia cardiáca de alto risco foi agendada com urgência.

Faltando apenas três dias para a operação, Ana Lúcia teve uma febre repentina, o que forçou o cancelamento do procedimento. Nesse período, ela rezou intensamente pedindo a intercessão de Nhá Chica e decidiu não remarcar a cirurgia de imediato, percebendo que seus sintomas de cansaço sumiram. Seus meses depois, ao refazer os exames pré-operatórios completos por insitência médica, o cirurgião constatou, perplexo, que o defeito no coração havia desaparecido completamente e o órgão estava em perfeito estado. O médico chegou a dizer à paciência: "A medicina não explica o que houve. Alguém costurou isso aí para a senhora".

Em 4 de maio de 2013, o Vaticano concluiu que a cura foi instantânea, perfeita esem explicação científica, celebrando a sua solene beatificação e inscrevendo-a na história como a primeira beata leiga e afrodescendente do Brasil. 

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