Brígida Birgesdotter nasceu por volta de 1303 no Castelo de Finsta, próximo de Upsala, na Suécia. Era filha de Birger Persson, um influente novre, cavaleiro, conselheiro real e homem de leis (lagmas) da província de Uppland, e de Ingeborg Bengtsdotter, uma senhora de nobre linhagem aparentada com a família real sueca. Seus pais eram figuras de profunda vivência e piedade cristã.
Desde a infância, Brígida demonstrou uma sensibilidade espiritual extraordinária. Aos sete anos, teve a sua primeira visão da Virgem Maria e, aos dez anos, após ouvir um sermão sobre a Paixão de Cristo, teve uma visão de Jesus crucificado, evento que marcou para sempre o seu amor e a sua devoção às dores do Senhor.
Matrimónio e Vida Familiar
Respeitando os costumes e a vontade de seu pai, Brígida casou-se aos treze anos comUlf Gudmarsson, um nobre e piedoso governador da província de Närke. O matrimónio durou vinte e oito anos e foi marcado pela harmonia, oração e caridade para com os necessitados. O casal teve oito filhos, entre os quais Santa Catarina da Suécia, que seguiu os passos da mãe na vida de santidade.
Brígida exerceu grande influência na corte real sueca como dama de honra da rainha Branca de Namur, esforçando-se para introduzir valores cristãos na vida palaciana. Em 1341, para comemorar as suas bodas de prata, Brígida e Ulf realizaram uma longa peregrinação a Santiago de Compostela, em Espanha. No regresso, Ulf adoeceu e decidiu recolher-se no mosteiro disterciense de Alvastra, onde faleceu em 1344.
A Vocação Mística e a Fundação da Ordem
Com a morte do marido, Brígida iniciou uma nova fase na sua vida. Distribuiu os seus bens pelos filhos e pelos pobres, vestiu o hábito simples da Ordem Terceira de São Francisco e passou a dedicar-se exclusivamente à oração, à penitência e às obras de misericórdias no mosteiro de Alvastra.
Nesta etapa, as visões e revelações divinas intensificaram-se. Numa dessas experiências místicas, Jesus chamou-a para ser a Sua "esposa e canal de comunicação". Sob a inspiração divina, Brígida fundou a Ordem do Santíssimo Salvador (conhecida como Ordem das Brigidinas), com sede no mosteiro de Vadstena. A ordem tinha como característica particular mosteiros duplos (uma comunidade feminina e outra masculina), regidos sob a autoridade da abadessa, simbolizando a Virgem Maria no meio dos Apóstolos.
Missão em Roma e Apelo à Igreja
Em 1349, durante um período da Peste Negra e de grave crise na Igreja Católica (o papado de Avinhão, no qual os Papas residiam em França), Brígida viajou para Roma para obter a aprovação da sua nova Ordem pelo papa e para celebrar o Ano Santo de 1350.
Brígida viveu em Roma durante o resto da sua vida, estabelecendo-se como uma figura respeitada e audaz. Com coragem profética, escreveu aos reis da Europa exortando-os à paz e dirigiu cartas veementes aos Papas exortando-os a regressar de Avinhão para a Sé de São Pedro em Roma. Dedicou-se igualmente ao auxílio dos peregrinos, dos doentes e dos desfavorecidos da cidade.
As Revelações e as Orações da Paixão
As vivências místicas de Santa Brígida foram recolhidas e escritas pelos seus confessores na célebre obra intitulada Revelações destacam-se as famosas "Quinze Orações de Santa Brígida", orações focadas nas dores e nas chagas sofridas por Jesus Cristo durante a Sua Paixão e Crucificação, que se espalharam e tornaram-se uma das devoções mais populares da cristandade.
Última Peregrinação, Morte e Canonização
Em 1372, apesar da idade avançada e da saúde debilitada, Brígida realizou o seu grande sonho de peregrinar à Terra Santa. Durante a visita aos lugares sagrados de Jerusalém, Belém e oa Calvário, recebeu visões detalhadas sobre a Natividade e a Crucificação de Cristo.
Ao regressar a Roma, a sua saúde deteriorou-se rapidamente. Santa Brígida faleceu no dia 23 de julho de 1373, aos setenta anos de idade. Os seus restos mortais foram posteriormente trasladados para o mosteiro de Vadstena, na Suécia.
Santa Brígida foi canonizada pelo Papa Bonifácio IX a 7 de outubro de 1391. Em 1999, o Papa São João Paulo II proclamou-a Copadroeira da Europa (juntamente com Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz/Edith Stein), reconhecendo o seu papel fundamental na história espíritual, política e cultural do continente europeu. A sua festa liturgica é celebrada a 23 de julho.
ORAÇÃO DE SANTA BRÍGIDA
Ó Jesus, médico celeste, que fostes elevado na Cruz afim de curar as nossas chagas por meio das Vossas, lembrai-Vos do abatimento em que Vos encontrastes e das contusões que Vos infligiram em Vossos Sagrados membros, dos quais nenhum permaneceu em seu lugar, de tal modo que dor alguma poderia se comparada a Vossa.
Da planta dos pés até o alto da cabeça, nenhuma parte do Vosso Corpo esteve isenta de tormentos, e entretanto esquecido dos Vossos Sofrimentos, não Vos consastes de suplicar a Vosso Pai pelos inimigos que Vos cercavam, dizendo-Lhe:
'Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem'.
Por esta grande misericórdia e em memória desta dor, fazei com que a lembrança da Vossa Paixão, tão impregnada de amargura, opere em mim uma perfeita contrição e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja!'
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