Festa Litúrgica dia 19 de junho.
HISTÓRIA
Juliana Falconieri nasceu no ano de 1270, na cidade de Florença, na Itália. Ela era filha de Caríssimo Falconieri e Ricordata Falconieri, um casal nobre, rico e de idade avançada que via o nascimento da filha como uma grande bênção divina. A família possuía uma forte ligação dom a fé católica, sendo os principais financioadores da construção da Basílica da Santísima Anunciação em sua cidade natal.
Desde a infância, Juliana demonstrou um desinteresse natural pelas vaidades da corte e pelos luxos de sua classe social. Ela foi fortemente ingluenciada por seu tio, Santo Aleixo Falconieri, que havia renunciado a toda a sua riqueza para se tornar um dos sete fundadores da Ordem dos Servos de Maria (os Servitas). Som o exemplo do tio, a jovem passava horas em oração e dedicava-se a pequenas penitências secretas.
À medida que Juliana crescia, sua beleza e a imensa fortuna de suas família atraíram diversos pretendentes da alta sociedade florentina. Seus pais começaram a plenejar um casamento arranjado para ela, conforme os costumes da época.
Contudo, aos 15 anos, Juliana surpreendeu a família ao recusar firmemente todas as propostas de casamento. Ela declarou publicamente que havia feito um voto de virgindade e que desejava consagrar sua vida inteiramente a Deus. Diante de São Filipe Benício, que era Prior Geral dos Servitas, ela trocou suas vestes aristocráticas por um hábito simples de tecido rude.
Como seu pai já havia falecido e sua mãe estava idosa e doente, Juliana recebeu permissão para não entrar imediatamente em um convento de clausura. Ela permaneceu na residência familiar para cuidar de sua mãe. Sua dedicação diária e sua santidade foram tão marcantes que a própria mãe, que antes se opunha à sua vocação, tornou-se sua liderada espiritual.
A postura e o estilo de vida de Juliana começaram a atrair outras jovens da nobreza de Florença que desejavam seguir o mesmo caminho. Sob a liderança de Juliana, esse grupo de mulheres formou uma associação piedosa. Elas vestiam uma túnica cinza, um véu preto e um manto que cobria os ombros. Por causa do uso constante desse manto, o povo de Florença passou a chamá-la de Mantellate.
Diferente das monjas enclausuradas da época, as Mantellate realizavam um trabalho ativo nas ruas. Elas visitavam os hospitais para cuidar dos doentes mais graves, davam assistência aos pobres e órfãos e atuavam como pacificadores em uma Florença constantemente divida por conflitos e guerras civis entre famílias rivais.
Em 1304, após a morte de sua mãe, a comunidade mudou-se para uma sede própria. Juliana foi eleita a primeira superiora da congregação, cargo que exerceu por 35 anos. Ela escreveu uma regra de vida própria para as irmãs, que mais tarde foi formalmente aprovada pela Igreja. Julina era conhecida por governar com extrema doçura, insistindo em realizar as tarefas mais humildes e pesadas da casa.
Aos 71 anos de idade, Juliana adoeceu gravemente com uma enfermidade estomacal severa. A doença progrediu a ponto de seu estômago rejeitar absolutamente qualquer tipo de alimento ou líquido, causando-lhe dores intensas e constantes.
No dia 19 de junho de 1341, sentindo que a morte estava próxima, Juliana desejou ardentemente receber a comunhão pela última vez (o Viático). No entanto, devido aos constantes vômitos causados pela doença, as normas da Igreja proibiam o sacerdote de lhe dar a hóstia sagrada, para evitar qualquer risco de profanação do sacramento.
Profundamente entristecida por não poder comungar, Juliana fez um último pedido ao padre: que ele estendesse o corporal sobre seu peito e colocasse a hórtia consagrada ali, na direção de seu coração. O sacerdote atendeu ao pedido. Segundo os relatos documentados pelas testemunhas presentes, assim que a hóstia foi depositada aobre o peito de Juliana, o pão consagrado desapareceu misteriosamente, sem deixar vestígios no tecido. No mesmo instante, a santa sorriu e faleceu em paz.
Após sua morte, ao prepararem o corpo para o supultamente, as irmãs encontraram na pele do lado esquerdo do peito de Juliana uma marca roxa perfeitamente circular, do tamanho exato de uma hóstia. No centro dessa marca, estava gravada na própria pele a imagem de Jesus crucificado.
O milagre impressionou a cidade e a notícia espalhou-se rapidamente pela Europa. Em memória desse acontecimento, a Ordem das Servas de Maria adotou o costume, mantido até hoje, de trazer a imagem de uma hóstia bordada sobre o lado esquerdo do escapulário.
Julina de Falconieri foi beatificada no dia 26 de julho de 1678 pelo papa Inocêncio XI. Foi canonizada no dia 16 de junho de 1737 pelo Papa Clemente XII.
ORAÇÃO A SANTA JULINA FALCONIERI
Ó Deus, que de modo admirável vos dignastes confortar a bem-aventurada virgem Juliana, no fim de sua vida, com o precioso Corpo do vosso Filho; concedei-nos, nós vos pedimos, por seus méritos e intercessão, que, na hora de nossa morte, sejamos também confortados e fortalecidos com o mesmo Sacramento, para que possamos chegar felizes à pátria celestial.
Santa Juliana, que sofrestes com paciência as dores da enfermidade e fostes curada e alimentada pelo milagre da Sagrada Eucarístia, olhai por todos os que sofrem com doenças do estômago e do corpo e alcançai-nos a graça da saúde e da forteleza na fé.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Santa Juliana Falconieri, rogai por nós.

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