•Festa liturgica dia 27 de agosto
HISTÓRIA
Origens, Família e Juventude
Mónica nasceu no ano de 331 d.C. na cidade de Tagaste, localizada na província romana da Numídia, no atual território da Argélia. De etnia berbere, veio ao mundo no seio de uma família de proprietários rurais abastados e de raízes profundamente cristãs, que a educaram desde a infância nos preceitos da Sagrada Escritura e na prática dos sacramentos.
Seus pais confiaram os seus cuidados diários a uma serva idosa e rigorosa da casa, que havia cuidado do próprio pai de Mónica na infância e impunha normas severas de disciplina, jejum e temperança aos filhos da família. Durante a juventude, Mónica recebia frequentemente a tarefa de ir à adega buscar vinho para as refeições da casa. Por brincadeira e curiosidade, começou a dar pequenos goles no vinho puro antes de servi-lo, transformando aquilo num hábito diário. Certo dia, ao discutir com uma das escravas da casa, a serva acusou-a pejorativamente de ser "bebedora de vinho puro". O insulto abriu os olhos de Mónica para a sua própria fraqueza moral. Envergonhada, reconheceu o erro, corrigiu-se imediatamente e nunca mais voltou a beber sem moderação.
O Matrimônio com Patrício e as Provações Domésticas
Ao atingir a idade adulta, os seus pais arranjaram o seu casamento com Patrício, um membro do conselho municipal de Tagaste. Patrício era um pagão influente, mas de temperamento irascível, violento e infiel. Além das dificuldades com o esposo, Mónica passou a conviver na mesma casa com a sua sogra, uma mulher difícil e influenciada pelas intrigas das criadas. Diante desse ambiente hostil, Mónica adotou uma postura de mansidão e oração silenciosa, evitando discutir com Patrício nos momentos de fúria dele e esperando a calma retornar para expor as suas razões com clareza.
O seu testemunho de paciência e as suas obras de caridade junto dos pobres venceram a desconfiança da sogra e abrandaram a conduta do seu esposo. Pouco antes de morrer, em 371 d.C., Patrício cedeu ao exemplo de virtude da esposa, abandonou o paganismo, converteu-se ao cristianismo e foi batizado. Do matrimônio nasceram três filhos: Agostinho, o primogênito de inteligência genial e juventude turbulenta; Navígio, o filho do meio que manteve uma conduta cristã exemplar; e Perpétua, a filha mais nova que se consagrou a Deus e tornou-se abadessa de um mosteiro feminino em Hipona.
As Lágrimas por Agostinho e a Perseguição com Amor
Com a morte de Patrício, Mónica ficou viúva aos 40 anos e passou a administrar os bens da família, concentrando as suas forças na salvação de Agostinho. O filho havia se mudado para Cartago para estudar retórica, onde se entregou aos prazeres carnais, passou a viver com uma concubina com quem teve o filho Adeodato e aderiu à heresia do maniqueísmo. Ver o filho desviado da fé causou profunda dor a Mónica. Por mais de nove anos, ela ofereceu missas, fez jejuns diários e chorou copiosamente pela sua salvação. Chegou a proibir a entrada de Agostinho em sua casa devido às heresias que ele pregava, mas voltou atrás após ter uma visão mística na qual um anjo lhe garantia que onde ela estivesse, ele também estaria. Em meio à sua aflição, Mónica recorreu a um bispo local para que debatesse com Agostinho, ouvindo dele a célebre frase de que seria impossível que se perdesse o filho de tantas lágrimas.
Em 383 d.C., Agostinho decidiu transferir-se para Roma. Temendo as tentações da capital imperial, Mónica decidiu acompanhá-lo, mas Agostinho enganou-a, embarcando secretamente à noite enquanto ela rezava no porto de Cartago. Mónica tomou o navio seguinte e enfrentou a perigosa travessia do Mar Mediterrâneo até encontrar o filho na Itália. Em Milão, Agostinho assumiu o cargo de professor de retórica e Mónica reuniu-se a ele. Naquela cidade, Mónica conheceu o célebre bispo Santo Ambrósio. A profundidade teológica das pregações de Ambrósio, aliada às orações contínuas de Mónica, desarmou a soberba intelectual de Agostinho. Na noite da Vigília Pascal de 387 d.C., Agostinho renunciou ao maniqueísmo e foi batizado por Santo Ambrósio, na companhia do seu filho Adeodato e do seu amigo Alípio.
O Êxtase de Óstia e a Morte
Após o batismo, Mónica, Agostinho, Adeodato e um pequeno grupo de amigos decidiram retornar à África para fundar uma comunidade de oração. No outono de 387 d.C., enquanto aguardavam o embarque no porto de Óstia Antiga, perto de Roma, Mónica e Agostinho vivenciaram o famoso Êxtase de Óstia. Debruçados sobre uma janela que dava para o jardim interior da hospedaria, mãe e filho conversavam sobre a vida eterna dos santos. À medida que a conversa se aprofundava, as suas mentes transcenderam as coisas materiais até tocarem, por um breve instante, a própria Sabedoria Divina.
Após essa experiência mística, Mónica declarou ao filho que já nada mais a atraía nesta vida, pois todas as suas esperanças terrenas haviam sido satisfeitas ao vê-lo católico antes de sua morte. Cinco dias após essa conversa, Mónica adoeceu com uma febre violenta. Quando os seus filhos se preocuparam sobre onde seriam depositados os seus restos mortais, longe da sua terra natal, ela os tranquilizou dizendo que poderiam enterrar o seu corpo em qualquer lugar, pedindo apenas que se lembrassem dela no altar do Senhor onde quer que estivessem. No nono dia de sua enfermidade, no ano de 387 d.C., Santa Mónica faleceu em Óstia Antiga, aos 56 anos de idade. Anos mais tarde, o relato detalhado da sua vida e das suas virtudes ficaria imortalizado por Santo Agostinho na sua célebre obra autobiográfica.
Histórico Eclesial, Relíquias e Culto
Por ter vivido no século IV, o culto a Santa Mónica desenvolveu-se através do costume da Antiguidade cristã, baseado no testemunho de Santo Agostinho e na devoção popular espontânea acolhida pela Igreja. Mónica foi sepultada originalmente na Igreja de Santa Áurea, em Óstia Antiga. Em 1455, escavações no local confirmaram a autenticidade da sua sepultura ao descobrirem os fragmentos da sua pedra tumular original do século V com o epitáfio do bispo Auchenius Bassus.
Em 1430, no pontificado do Papa Martinho V, as relíquias de Santa Mónica foram trasladadas de Óstia para Roma, sendo depositadas na Basílica de Santo Agostinho, onde repousam até aos dias de hoje. Mais tarde, no século XIX, o Papa Leão XIII reconfirmou o alcance da sua celebração litúrgica universal na Igreja Católica. Sua memória litúrgica é celebrada anualmente no dia 27 de agosto, véspera da festa de seu filho, Santo Agostinho.
Patronato
Santa Mónica é invocada e venerada no mundo inteiro como padroeira e protetora das mães cristãs, pelo exemplo supremo de paciência, lágrimas e oração contínua pela salvação e santificação dos seus filhos. Ela também é a patrona das esposas e mulheres casadas, por ter mantido a fidelidade e a mansidão diante de um matrimônio difícil até alcançar a conversão do seu marido, além de ser a intercessora especial de todas as pessoas que sofrem e rezam pela conversão de familiares caídos em vícios, erros doutrinários ou no ateísmo.
SIGNIFICADO E SIMBOLISMO
A imagem de Santa Mônica revela muito do que foi esta grande santa. Vamos coompreender os símbolos e ensinamentos que ela contém.
O Véu simboliza o decoro e a fidelidade que ela vivia. Estando casada com um homem rude e violento, Mônica recebia diversos conselhos para se separar. Ela, porém permaneceu fiel, rezando por seu marido chamado Patrício. Por fim, teve a graça de vê-lo convertido.
O lenço branco simboliza o batismo e a fidelidade que ela teve em relação ao seu batismo. Com efeito, Santa Mônica conservou a pureza da fé batismal por toda a vida, praticando o amor cristão e a oração em eu lar e a caridade para com os pobres.
A túnica marrom simboliza sua simplicidade de vida. O marido de Santa Mônica era homem rico e influente em Tagaste, no Norte da África, onde viviam. Mônica, porém, nunca se deixou levara pela moda, pelas aparências, pela ostentação. Ao contrário, vestia-se com simplicidade, dando sempre um exemplo de modéstia e humildade.
O cajado simbolixa sua caminhada de fé e o fato de ela ser mãe de um bispo, Santo Agostinho. Sua caminhada de fé é marcada pelas demoras de Deus. No entanto, ela nunca desanimou nem se revoltou contra o Pao Celeste, sabendo, pela fé, que 'tudo concorre para o bem dos que amam a Deus'.
O livro simboliza todo o ensinamento cristão que ela deu a seu marido e a seus filhos, especialmente Santo Agostinho. E santa Mônica não ensinou somente com as palavras, mas com a própria vida, com seu comportamento. Através de sua maneira de viver, de amar, de perdoar, aos poucos, os seus foram enxergando que ela vivia tudo o que ensinava.
A santa está sentada sobre um tronco Pela folhagem pintada ao lado do tronco, vê-se que se trata de um tronco de carvalho. O carvalho, para os cristãos, é o símbolo da perserverança e da resistência, pois torna-se uma grande árvore muito resistente, que dura séculos. Alguns dizem que a cruz de Cristo era feita de carvalho. Assim Santa Mônica sentada sobre um tronco de carvalho simboliza seus trinta anos de perseverança rezando pela conversão de seu filho e de seu marido.
ORAÇÃO A SANTA MÔNICA
Nobilíssima Santa Mônica, rogai por todas as mães, principalmente por aquelas mães que se esquecem que ser mãe é sacrificar-se. Rogai, virtuosa Mônica, para que abram-se as almas de todas as mães, para que elas enxerguem a beleza da vocação materna, a beleza do sacrifício materno. Rogai, Santa Mônica, para que todas as mães saibam abraçar com Fé o sofrimento e a dor, assumam seus filhos com coragem, como instrumento de santificação para as famílias, e para sua própria santificação. Amém.

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