Giovanni Scalcione nasceu no ano de 1070 em Matera, na Itália, vindo de uma linhagem de aristocratas e proprietários de terras extramamente influentes e ricos. Seus pais o criaram com o objetivo de que ele herdasse e admistrasse o vasto patrimônio da família, oferecendo-lhe uma educação refinada e voltada para os costumes da corte, etiqueta e administração.
No entanto, desde a adolescência, o jovem demonstrava total desinteresse pelas riquezas e passava horas recolhido em oração nas igrejas locais da Basilicata. Movido por um desejo radical de entrega a Deus, por volta dos dezoitos anos ele decidiu romper definitivamente com seu destino nobre e com os planos de seus pais.
Numa fuga planejada de madrugada. Giovanni despiu-se inteiramente de suas vestes luxuosas perto dos portões da cidade, deixando-as para trás como símbolo de desapego total. Ele vestiu trapos de mendigo e partiu a pé em direção a Taranto, sobrevivendo apenas de esmolas pelo caminho.
Para evitar que sua poderosa família o localizassem e o forçasse a voltar, er ocultou sua origem aristocrática e pediu abrigo no Mosteiro de São Pedro, situado na Ilha de São Pedro. Lá, ele aceitou o trabalho mais humilde e servil disponível: o de pastor de ovelhas e limpador de estábulos, buscando a "morte do ego" e vivendo na mais severa obscuridade por vários anos sob o sol escaldante.
Buscando uma união ainda mais profunda com o divino através do isolamento absoluto, Giovanni deixou Taranto e iniciou uma longa fase de peregrinação como eremita. Ele cruzou as florestas e montanhas da Calábri e depois atravessou o mar até a Sícília, vivendo o chamado "deserto espiritual".
Durante esse longo período, ele habitou cavernas úmidas e fendas de rochas, passando meses em silêncio absoluto sem ver nenhum ser humano. Giovanni jejuava rigorosamente, passava dias em transe de oração e alimentava-se apenas de água da chuva, raízes amargas ervas silvestres, moldando um caráter totalmente intransigente em relação ao pecado.
Ao retornar da Sicília para a penísula italiana, estabeleceu-se temporariamente na localidade de Ginosa. Ali, após tre uma visão mística de São Pedro que lhe ordenava reerguer um santuário em ruínas, ele entregou-se às reconstrução da estrutura com tanto afinco e energia que começou a erguer as paredes quase sozinho.
O governador local, Roberto de Chiaromonte, instigador por nobres locais que achavam inadmissível um monge maltrapilho atrais tanta atenção do povo, acusou Giovanni de ter encontrado um tesouro escondido sob as fundações e de tentar roubá-lo. O santo foi lançado acorrentado em uma masmorra escura, subterrânea e sem alimentos.
A tradição hagiográfica relata que os guardas, ao descerem na manhã seguinte, encontraram a cela iluminada por uma luz celestial e o santo sem as correntes, que haviam caído quebrados no chão por intermédio de um anjo. Diante do prodígio, o governador, arrependido e temeroso, libertou-o imediatamente e pediu seu perdão.
Sua jornada continuou em direção a Bari, onde sua poderosa capacidade de pregação passou a atrair multidões. Giovanni discursava publicamente com veemência contra a hipocrisia, a frouxidão moral da sociedade e atacava abertamento a vida luxuosa e corrompida do alto clero.
O Impacto de suas palavras despertou a forte inveja de sacerdotes locais influentes, que conspiraram contra ele e armaram uma cilada jurídical denunciando-o formalmente por heresia ao príncipe Grimoaldo, o governante de Bari. Conduzido e um julgamento público de grande tensão, Giovanni enfrentou os teólogos e magistrados com imensa lucidez e erudição.
Ele defendeu a pureza do Evangelho e a autoridade de Roma de forma tão impecável que o príncipe não apenas o absolveu, mas ficou tão impressionante que lhe ofereceu terras e ouro para que permanecesse na corte. Giovani rejeitou prontamente as ofertas para manter seu voto de pobreza itinerante.
Embora cogitasse embarcar para Jerusalém para viver o resto de seus dias na Terra Santa, Giovanni compreendeu por meio de novas experências místicas que sua verdadeira missão dada por Deus era evangelizar o sul de sua própria pátria.
Por volta do ano 1130, ele se retirou para o árido, inóspito e perigoso Vale de Pulsano, situado no Monte Gargano, uma região cercada por desfiladeiros profundos e frequentemente assolada por violentos bandidos e salteadores.
O estilo de vida radical e a santidade de Giovanni começaram a atrair dezenas de homens que desejavam o mesmo rigo espiritual, e em menos de seis meses ele se viu cercado por cinquenta discípulos. Ele fundou então o Mosteiro de Santa Maria de Pulsano e instiuiu a Congregação dos Pulsanesi, conhecidos popularmente como os "Monges Descalços".
Sob uma interpretação extremamente rígida da Regra de São Bento, os membros da comunidade caminhavam estritamente descalços, abstinham-se totalmente de vinho, dormiam no chão de pedras em celas escavadas diretamente nas rochas e sobreviviam unicamente do trabalho agrícula braçal em solos secos e de esmolas. Embora firme e intolerante com a preguiça ou a soberba, Giovanni era viso por eles como um pai espiritual amoroso.
Nos anos finais de sua vida, a fama de Giovanni como taumaturgo e profeta espalhou-se poor toda a Itália. Atribuiem-se a ele milagres de multiplicação de alimentos no mosteiro para sustentar camponeses famintos em tempos de escassez e o famoso prodígio de ter feito chover abundatemente após uma terrível seca que ameaçava destruir as plantações no Tavoliere delle Puglie.
Para expandir sua obra, ele viajou para a cidade de Foggia, onde fundou o Mosteiro de São Tiago (San Giacomo). Foi nessa nova fundação que, enfraquecido pelas severas penitências de uma vida inteira e sentindo a proximidade do fim, ele reuniu seus monges pela última vez, exortando-os a permanecerem fiéis à pobreza evangélica.
Giovanni faleceu serenamente no dia 20 de junho de 1139.
É a partir desse momento que ocorre a grande mudança em seu nome na história. Até a sua morte, ele havia mantido estritamente o seu nome de batismo, Giovanni. Porém, devido ao clamor popular e ao impacto de suas virtudes, no ano de 1177 (apenas trinta e oito anos após o seu falecimento), o Papa Alexandre III o elevou oficialmente a aos altares da Igreja.
Foi por meio deste ato solene de canonização que seu nome de nascimento recebeu o título definitivo, passando a ser reconhecido e reverenciado no mundo todo não mais apenas como o monge Giovanne de Matera, mas formalmente como São João de Matera.
Muitos séculos depois, em 1830, em meio a uma grande comoção pública, os restos mortais de São João de Matera foram transladados solenemente para a Catedral de Matera, onde repousam até hoje em uma urna de prata, sendo venerado como o copadroeiro, protetor e a maior honra espiritual de sua terra natal.

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