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PEREGRINUS FIDEI

Assim como o povo hebreu peregrinou pelo deserto para chegar à terra prometida.
Hoje nós peregrinamos para chegar ao Céu.

Sincronizando mural...

SÃO JOÃO FISHER.

• Padroeiro dos intelectuais católicos, dos professores.
• Festa litúrgica 22 de junho.

HISTÓRIA
JOÃO FISHER nasceu em Beverly, Yorkshire, na Inglaterra, por volta de 1469. Filho de um próspero comerciante de tecidos que faleceu quando ele ainda era criança, Fisher cresceu sob os cuidados de sua mãe, que garantiu que ele recebesse uma excelente educação primária na escola da colegiada local.

Aos 14 anos, ele foi enviado para a Universidade de Cambridge, onde revelou um inteligência brilhante.Fisher obteve o grau de Bacharel em Artes em 1488, o de Mestre em 1491, e no mesmo ano, foi eleito membro do conselho da universidade. Ele foi ordenado sacerdote em 1491, dando início a uma vida inteiramente dedicada ao estudo, à pastoral e à administração acadêmica.

O Renascimento de Cambridge e a Amizade Real
Em 1497, Fisher foi nomeado confessor e capelão de Lady Margaret Beaufort, mãe do rei Henrique VII. Essa união espiritual resultou em grandes benefícios para a educação na Inglaterra. Sob a influência e orientação de Fisher, Lady Margaret financiou a criação de novas cátedras de teologia e fundou dois importantes colégios em Cambridge: O Christ's College e o St. John' College.

Fisher foi eleito Chanceler da Universidade de Cambridge em 1504, cargo para o qual seria reeleito consecutivamente pelo resto da vida. Ele revolucionou o ensino na instituição, atraindo grandes humanistas da Europa, como Erasmo de Roterdã, e introduzindo o estudo do grego clássico e do hebraico, línguas fundamentais para o exame profundo das Sagradas Escrituras.

O Episcopado em Rochester
Ainda em 1504, com apenas 35 anos, Fisher foi nomeado pelo Papa Júlio II como Bispo de Rochester, que era a diocese mais pobre e menor de toda a Inglaterra. Apesar de sua enorme influência política e acadêmica, ele recusou repetidamente ser transferido para dioceses mais ricas e prestigiadas.

Fisher dizia que Rochester era sua esposa e que ele não a abandonaria por uma mais rica. Sua vida episcopal foi marcada pela austeridade: ele jejuava com frequência, dormia poucas horas, visitava os doentes em suas cabanas mais humildes e distribuía a maior parte de seus rendimentos aos pobres. Em seu gabinete de estudos, mantinha um crânio humano sobre a mesa para lembrar-se diariamente da brevidade da vida.

A Defesa da Fé contra o Protestantismo.
Quando as teses de Martinho Lutero começaram a se espalhar pela Europa a partir de 1517, o Bispo João Fisher tornou-se o principal defensor teológico da fé católica na Inglaterra. Ele escreveu extensos tratados em latim defendendo os sacramentos, a autoridade papal e a tradição da Igreja.

Sua erudição era tão respeitada que muitos historiadores apontam que foi Fisher quem escreveu grande parte do livro Defesa dos Sete Sacramentos, publicado pelo próprio rei Henrique VIII, obra que rendeu ao monarca o título de "Defensor da Fé" concedido pelo Papa.

O Conflito com Henrique VIII e a Defesa da Rainha.
A harmonia entre o bispo e o rei desmoronou no final da década de 1520, quando Henrique VIII decidiu anular seu casamento com Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena. O rei exigia que o clero inglês apoiasse a sua causa.

Enquanto a maioria dos bispos e nobres cedeu à pressão real por medo ou conveniência, João Fisher permaneceu irredutível. Ele tornou-se o conselheiro espiritual e o defensor legal da rainha Catarina. Em 1529, perante o tribunal dos legados papais, Fisher declarou solenemente que o casamento era legítimo e que, a exemplo de São João Batista, ele estava disposto a morrer em defesa da indissolubilidade do matrimônio.

A tensão aumentou quando o rei decidiu romper com Roma. Em 1534, o Parlamento inglês aprovou o Ato de Supremacia, que declarava o rei Henrique VIII como o chefe supremo da Igreja na Inglaterra, e o Ato de Sucessão, que obrigava todos os súditos a jurarem que os filhos de Ana Bolena seriam os herdeiros legítimos do trono, invalidando a autoridade do Papa.

Prisão na Torre de Londres
Convocado a prestar o juramento, João Fisher recusou-se a fazê-lo, alegando que sua consciência não permitia aceitar o rei como chefe espiritual da Igreja. Por causa de sua recusa, ele foi preso em abril de 1534 e enviado para a Torre de Londres.

Fisher passou mais de um ano confinado em uma cela fria e úmida. Sua saúde, que já era frágil devido à idade avançada e às rigorosas penitências, deteriorou-se rapidamente. Ele foi privado de livros, de suas vestes episcopais e até de roupas adequadas para o inverno, sobrevivendo graças à comida enviada secretamente por amigos, como o ex-chanceler São Tomás More, que estava preso na mesma torre pelo mesmo motivo.

Em maio de 1535, enquanto Fisher aguardava o julgamento, o Papa Paulo III, numa tentativa de protegê-lo e demonstrar a solidariedade de toda a Igreja, nomeou-o Cardeal do título de São Vital. Ao saber da nomeação, Henrique VIII ficou enfurecido e declarou publicamente: "O Papa pode enviar o chapéu vermelho, mas eu farei com que o cardeal não tenha cabeça para usá-lo".

O Julgamento e o Martírio
João Fisher foi levado a julgamento em Westminster no dia 17 de junho de 1535, acusado de alta traição. O tribunal utilizou uma conversa privada dele com o secretário do rei, Richard Rich, na qual Fisher havia reafirmado que o rei não poderia ser o chefe da Igreja por lei divina. Ele foi condenado à morte por enforcamento, arrastamento e esquartejamento, pena que o rei mais tarde comutou para decapitação devido à extrema fraqueza do idoso bispo.

Na manhã do dia 22 de junho de 1535, João Fisher foi acordado pelos guardas que anunciaram que sua execução ocorreria às nove horas. Ele pediu para dormir mais um pouco e, ao se levantar, vestiu suas melhores roupas, explicando que aquele era o dia do seu casamento celestial.

Como estava fraco demais para andar, foi carregado em uma cadeira até o cadafalso em Tower Hill. Diante da multidão, Fisher demonstrou uma coragem impressionante. Ele perdoou o carrasco, recitou o salmo Te Deum e declarou em voz alta: "Morro pela fé da Santa Igreja Católica de Cristo e pela honra do Vigário de Deus na Terra". Com um único golpe de machado, foi decapitado aos 66 anos de idade.

Culto e Canonização.
Após a execução, seu corpo foi despido e deixado no cadafalso até a noite, sendo depois enterrado sem caixão e sem cerimônia no pátio da igreja de All Hallows Barking. Sua cabeça foi exposta em uma estaca na Ponte de Londres por duas semanas, mas foi jogada no rio Tâmisa porque o povo começou a relatar que ela mantinha uma aparência viva e milagrosa, atraindo multidões de devotos. Seus restos mortais foram posteriormente transladados para a Capela de St. Peter ad Vincula, dentro da própria Torre de Londres.

São João Fisher foi beatificado pelo Papa Leão XIII no dia 29 de dezembro de 1886 e canonizado formalmente pelo Papa Pio XI em 19 de maio de 1935, exatamente quatrocentos anos após o seu martírio. 

Ele é celebrado juntamente com seu amigo de combate, São Tomás More, no dia 22 de junho, sendo considerado o padroeiro dos intelectuais católicos, dos professores e um símbolo eterno de fidelidade à verdade e à cátedra de São Pedro.

ORAÇÃO A SÃO JOÃO FISHER.
Ó Deus, que destes a São João Fisher a graça de confirmar a sua fé com o sangue do martírio, concedei-nos, por sua intercessão, a firmeza de convicção e a coragem de testemunhar a verdade em nossa vida diária.
Vós que lhe destes a sabedoria para defender a vossa Igreja e a indissolubilidade do matrimônio, dai-nos também a clareza de mente para compreender a vossa vontade e a força de espírito para nunca nos desviarmos dos vossos mandamentos por medo das pressões do mundo.
Que o exemplo de desapeto, humilde e integridade de São João Fishernos inspire a colocar o vosso Reino acima de todas as honras e riquezas terrenas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
São João Fisher, rogai por nós. Amém. 

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