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PEREGRINUS FIDEI

Assim como o povo hebreu peregrinou pelo deserto para chegar à terra prometida.
Hoje nós peregrinamos para chegar ao Céu.

Sincronizando mural...

SÃO JUSTINO

Padre* da Igreja e Mártir.
• Padroeiro dos filósofos e dos Apologistas.
• Festa Litúrgida dia 1 de junho


HISTÓRIA
JUSTINO nasceu por volta do ano 100 na cidade de Flávia Neápolis, situada na região da Samaria, na Palestina. Era filho de Prisco e pertencia a uma família pagã de origem grega que havia se estabelecido naquela região. Por possuir linhagem helenística, Justino não recebeu educação judaica nem cristã. Seu pai, porém, garantiu-lhe uma sólida formação acadêmica baseada na cultura, nas ciências e, principalmente, na filosofia grega clássica. Desde a adolescência, essa formação despertou nele uma busca incessante pela verdade e pelo sentido profundo da existência humana.

Essa busca pessoal levou Justino a dedicar sua juventude ao estudo das principais escolas filosóficas de seu tempo. Inicialmente, aproximou-se dos estoicos, mas logo os abandonou ao perceber que eles não conseguiam explicar satisfatoriamente a natureza de Deus. Em seguida, procurou os peripatéticos, seguidores de Aristóteles, porém afastou-se deles ao notar que o mestre parecia mais interessado no pagamento das aulas do que na busca sincera da verdade. Tentou também ingressar entre os pitagóricos, mas foi rejeitado por não possuir conhecimentos prévios de música, astronomia e geometria. Por fim, encontrou no platonismo um refúgio intelectual, fascinado pelas teorias sobre o mundo das ideias e a imortalidade da alma.

Sua conversão ao Cristianismo ocorreu por volta do ano 130, quando tinha cerca de trinta anos. Enquanto caminhava e meditava à beira-mar, foi abordado por um ancião misterioso, com quem iniciou um profundo diálogo filosófico. O velho demonstrou as limitações do pensamento de Platão e apresentou-lhe as profecias do Antigo Testamento que haviam se cumprido em Jesus Cristo. Esse encontro, unido à admiração que Justino nutria pela coragem dos mártires cristãos — que enfrentavam a morte sem medo — levou-o a abraçar a fé cristã e receber o batismo.

Após sua conversão, Justino não rejeitou a filosofia; pelo contrário, passou a utilizá-la como instrumento para anunciar o Evangelho. Vestindo o manto típico dos filósofos, pregava que o Cristianismo era a única e verdadeira filosofia capaz de conduzir o homem à plenitude da verdade. Viajou por diversas províncias do Império Romano defendendo os cristãos das falsas acusações de crimes e canibalismo. Mais tarde, estabeleceu-se em Roma, onde fundou uma escola gratuita de filosofia cristã.

Nesse período, escreveu suas obras mais importantes: as duas Apologias, dirigidas ao imperador Antonino Pio e ao Senado Romano, nas quais explicava a racionalidade da fé cristã e descrevia o funcionamento da Missa primitiva; e o Diálogo com Trifão, obra em que debate com o judaísmo e demonstra que Jesus Cristo é o Messias prometido nas Escrituras.

O sucesso de suas pregações despertou a hostilidade de filósofos pagãos da capital, especialmente de um filósofo cínico chamado Crescente, com quem Justino travava debates públicos e a quem frequentemente refutava. Movido pela inveja e pelo desejo de vingança, Crescente denunciou Justino e seus discípulos às autoridades romanas, acusando-os de praticar uma religião ilegal e de se recusarem a prestar culto aos deuses do império.

No ano 165, durante o governo do imperador Marco Aurélio, Justino foi preso juntamente com seis companheiros cristãos. Eles foram conduzidos ao tribunal do prefeito de Roma, o magistrado Júnio Rústico. Quando o juiz ordenou que sacrificassem aos deuses pagãos sob pena de tortura e morte, Justino respondeu que o maior desejo deles era sofrer por amor a Jesus Cristo para alcançar a salvação eterna.

Diante da firme recusa em renegar a fé, o magistrado pronunciou a sentença de morte. Justino e seus companheiros foram açoitados e, em seguida, decapitados. Assim, seu nome ficou eternamente gravado na história da Igreja como São Justino Mártir, um dos maiores apologistas do Cristianismo nos primeiros séculos.

ORAÇÃO A SÃO JUSTINO
Ó Deus, que concedestes a São Justino a graça de encontrar na loucura da Cruz a sublime sabedoria de Jesus Cristo, concedei-nos, por sua intercessão, repelir os erros que nos cercam e permanecer firmes na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 
Amém.

* NOTA: São Justino não se ordenou padre. Ele parmaneceu a vida inteira como um filósofo leigo e apologista, defendendo a fé cristã através dos seus escritos e da sua escola em Roma. O termo "Padre da Igreja" usado no texto é um título histórico dado aos grandes teólogicos dos primeiros séculos que moldaram a doutrina cristã, e não uma referência ao sabramento da ordem (sacerdócio).

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