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PEREGRINUS FIDEI

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SÃO LOURENÇO DE BRINDISI

• Festa liturgica dia 21 de julho

HISTÓRIA
LOURENÇO DE BINDISI nasceu em 22 de julho de 1559, em Brindisi, no Reino de Nápoles, recebendo nome de Giulio Cesare Russo. Filho de Guglielmo Russo e Elisabetta Masella, demonstrou desde a infância um forte interesse espiritual e facilidade para guardar textos de memória. Ficou órfão de pai aos sete anos e de mãe na adolescência, mudando-se para Veneza para viver com um tio sacerdote, onde continou seus estudos.

Desde a infância, Giulio Cesare demonstrou uma inclinação estraordinária para o vida religiosa. Formado na escola dos Frades Menores Conventuais de Brindisi, o menino chamava a atenção pela facilidade com que memorizava as escrituras e pela capacidade de recitar sermões inteiros para outras crianças.

Ainda jovem, enfrentou duras provações familiares: seu pai faleceu quando ele tinha apenas sete anos. Anos mais tarde por volta dos catorze anos, perdeu també a mãe. Diante da orfandade, o jovem mudou-se para Veneza, onde passou a residir com um tio que era sacerdote e diretor de um colégio. Em Veneza, deu continuidade aos estudos humanísticos e manteve uma vida austera de constante oração.   

O Ingresso na Ordem dos Capuchinhos e Formação Acadêmica
Em 18 de fevereiro de 1575, aos 15 anos, Giulio Cesare tomou a decisão de ingressar na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em Verona, um ramo reformado da famílias franciscana conhecida pela rigorosa observância da pobreza e da contemplação. Ao vestir o hábito da ordem, adotou o nome de Frei Loureço de Brindisi.

Realizou seu noviciado sob forte disciplina espiritual e professou os votos solenes no ano seguinte, em 1576. Enviado para a Universidade de Pádua para cursar filosofia e teologia, Frei Lourenço destacou-se rapidamente entre os estudantes e professores devido à sua inteligência incomum e à sua memória prodígio.

Durante o período universitário, aprendeu fluentimente o latim, o grego, o hebraico e o siríaco, além de dominar diversos idiomas europeus contemporâneos, como alemão, o francês e o espanhol. Su fluência no hebraico era tão perfeita que, mais tarde, sábios judeus da época chegaram a suspeitar que ele fosse um rabino convertido. Em 18 de dezembro dfe 1582, aos 23 anos, foi ordenado sacerdote na Catedral de São Marcos, em Veneza. 

O ministério da Pregação e a Evangelização
Logo após a ordenação, Frei Lourenço doi designado para o ministério da pregação. Percorreu inúmeras cidades italianas, incluindo Veneza, Pádua, Verona, Roma e Nápoles. Suas pregações atraíam multidões devido à profundidade teológica, à clareza do discurso e à vida de constante penitência que demonstrava fora dos púlpitos.

Impressionado com o talento do jovem capuchinho e com seu domínio da língua hebraica, o Papa Clemente VIII o incubiu de uma missão especial em Roma: a evangelização e o diálogo teológico com a comunidade judaica local. Frei Lourenço realizou esse trabalho com respeito e profundo conhecimento da Torá e do Talmud, conquistando a estima e o respeito de muitos intelectuais judeus na época.

Além da pregação pública, ocupou cargos de liderança interna na Ordem dos Capuchinhos: foi mestre de noviços, guardião (superior de convento), definidor provincial e, em 1590, foi eleito Superior da Província Capuchinha da Toscana.

Missões na Europa Central e a Batalha de Székesfehérvár
Em 1599, o Papa Clemente VIII e o Capítulo Geral dos Capuchinhos confiaram a Lourenço a Missão de expandir a Ordem Capuchinho para os territórios do Sacro Império Romano-Germânico, onde a Reforma Protestante havia se consolidado. Frei Loureço liderou um grupo de frades para a Áustria e a Boêmia, fundando conventos em Viena, Praga e Munique, que serviram de centro para a renovação católica na região.

No ano de 1601, o imperador Rodolfo II solicitou o auxílio de Lourenço diante da ameaça do Império Otomano, cujas tropas avançavam pela Hungria e ameaçavam a Europa Central. Lourenço foi nomeado capelão superior do exército imperial cristão comandado pelo arquiduque Matias.

O episódio mais célebre dessa campanha ocorreu na Batalha de Sékesfehérvár (também conhecida como Batalha de Albareale), em outubro de 1601. Diante de um exército cristão numericamente inferior e desnecorajado, o frei montou a cavalo vestido apenas seu hábito capuchinho e empunhando um crucifixo de modeira. Percorreu as linhas de frente exortando os soldados à fé. A vitória das forças imperiais foi amplamente creditada à liderança moral e Pas orações do capuchinho.

Governo Geral dos Capuchinhos e a Diplomacia Europeia
De volta à Itália, em 1602, Frei Lourenço foi eleito Ministro Geral da Ordem dos Capuchinhos, o cargo mais alto de governo da ordem. Durante seu mandato de três anos, recusou o uso de carruagens ou cavalos para inspecionar as províncias, realizando longas viagens a pé pela Itália, França, Espanha e Alemanha para visitar os conventos e exortar os frades à fiel observância da regra de São Francisco.

Ao término do seu mandato em 1605, recusou a reeleição e colocou-se novamente à disposição da Santa Sé. Nos anos seguintes, atuou como diplomata e embaixador de paz em diversos conflitos políticos e religiosos na Europa, sendo enviado ao rei Filipe III da Espanha para mediar alianças de Estado, desempenhando papel decisivo na criação da Lica Católica em 1609 e atuando como representante do papa em Munique e junto à corte imperial de Praga.

Apesar der sua constante atividade diplomática, mantinha uma disciplina espiritual rigorosa. Dedicava várias horas diárias à adoração e celebrava a Santa Missa com profunda devoção, momentos em que frequentemente vivia êxtases e lágrimas diante da Eucaristia.

A Última Missão Intercessora e Morte em Lisboa
Em 1618, Frei Lourenço retirou-se para o convento de Caserta para viver em silêncio e oração, mas foi procurado por uma delegação de nobres e cidadãos de Nápoles. A população sofria com os abuso de autoridade e extorsões cometidos pelo vice-rei espanhol, o Duque de Osuna. Pediram a Lourenço que fosse a Madri interceder junto ao ri Filipe III em favor do povo napolitano.

Mesmo com a saúder bastante debilitada e prevendo que seria a sua última viagem, o frei aceitou a missão. Viajou para a Espanha e, ao saber que a corte real se havia deslocado para Portugal, seguiu para Lisboa. Em Lisboa, foi recebido pelo rei Filipe III e apresentou com clareza as denúncias contra os abusos do vice-rei, obtendo do monarca a promessa de remoção do governante.

Pouco depois após cumprir a sua missão, o estado de saúde de Lourenço agravou-se severamente devido a graves complicações renais. 

Faleceu em Lisboa no dia 22 de julho de 1619, exatamente no dia em que completava 60 anos de idade. Seu corpo foi traspassado para a Espanha e sepultamento no Convento das Monjas Clarissas Descalças de Vilafranca del Bierzo, na província de León, onde os seus restos mortais permanecem conservados.

A vida e os prodígios atribuídos de Frei Lourenço de Brindisi motivaram a abertura do seu processo de santificação.

Foi beatificado em 23 de maio de 1783 pelo Papa Pio VI. Foi canonizado no dia 8 de dezembro de 1881 pelo Papa Leão XIII.  

Em 19 de março de 1959, o Papa João XXIII, por meio da Carta Apostólica Celsitudo Excerptiformis, proclamou São Lourenço de Brindisi como Doutor da Igreja, concedendo-lhe o título de Doutor Apostólico.

ORAÇÃO A SÃO LOURENÇO DE BRINDISI
Ó Deus, que marcastes pela vossa doutrina a vida de São Lourenço de Brindisi, concedei-nos, por suas intercessão, que sejamos fiéis á mesma doutrina, e a proclamemos em nossas ações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. São Lourenço de Brindisi, rogai por nós".

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