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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

SÉRIE SANTOS CASADOS - A SANTIDADE NO MATRIMÔNIO AO LONGO DOS SÉCULOS.

SANTA MATILDE e HENRIQUE I

Figura especialmente nobre entre as esposas dos reis germânicos e imperadores da Idade Média é Santa Matilde, esposa do Rei Henrique I. Ela nasceu por volta de 895 em Engern (Saxônia), filha do conde saxão Teodorico, um bisneto do Conde Viduquindo, e da nobre franco-dinamarquesa REinilda, e recebeu a melhor educação possível no convento de Erfurt, onde sua avó Matilde era abadessa.

No ano de 909 Matilde casou-se com o duque Henrique, o Passarinheiro, que chegou ao terno da Alemanha em 919 e foi coroado como Henrique I. Ela era uma esposa bela inteligente, piedosa, amável e coridosa. Nos mais antigos documentos, Vita Mathildis prior, de 975, e Vita Mathildis posterior, recebeu o título de santa, e foi descrita como mirae sanctitatis femina ("mulher de magnífica santidade").
Sobre o seu casamento, está escrito:

Vivia em paz com o marido; o amor dele era o ara que ela respirava. Nas conversa entre ambos, revelava todos os tesouros de sua alma, todaas as suas ternas qualidades femininas. Ela enchia-lh8e a vida de alegria e beleza, iluminava-lhe o espírito aflito com um temperamento vivaz e acalmava-lhe oa ânimos, que costimavam ser bastante tempestuosos. Nunca interferia nos assuntos reais de seu marido; nunca importunava-lhe com opiniões ou conselhos; mas uma palavra descompromissada e ingênua de sua parte às vezes mostrava-lhe o caminho para sair das confusões e dificuldades. Insistiu em apenas um desejo como rainha: o direito de interceder por clemência e perdão. Matilda exercia esse direito sempre que possível, porém, quando no rigor da justiça o rei não podia ajudá-la, permanecia calma: pois ela safisfizera o impulso de seu coração, enquanto ele poderia agir segundo os ditames do seu.

Do matrimônio de Matilde e Henrique nasceram cinco filhos: 1) Otão, que depois tornou-se o Rei Otão I, o Grande; 2) Gerberga, que se casou com o duque Gilberto de Lotaríngia em 928, e com o Rei Luís IV da França, em 940; 3) Edviges; 4) Henrique, posteriomente Duque da Baviera, e 5) Bruno, posteriormente o santo arcebispo de Colônia. Matilde dedicou-se inteiramente a seus filhos com ternura e carinho, procurando educar suas almas e corações na veradeira reverência a Deus e na bondade para com o próximo. Por vinte e três anos, Matilde pôde desfrutar da felicidade de um matrimônio sem infortúnios, porém, em 936, seu marido faleceu em uma viagem a Memleben, no rio Unstrur, aos sessenta anos de idade. Foi enterrado na Catedral de Quedlimburgo.

A rainha viúva reuniu seus filhos e implorou-lhes fervorosamente que praticassem o temor a Deus e obedecessem aos Mandamentos do Senhor, mas, acima de tudo, que mantivessem a harmonia entre si. Infelizmente, isso não aconteceu, e até certo porto a culpa foi da própria Matilde: ela sempre demonstrou um amor maior por Henrique, seu segundo filho, e isso despertava a inveja dos irmãos. Mesmo agora desejava que seu predileto se tornasse o sucessor do trono, após a morte do marido. No entanto, os maiores líderes do império escolheram o mais velho, Otão, como rei (obedecendo também ao desejo de seu pai) e o conduziram à coração. Henrique liderou um levante armado contra seu irmão, e oRei Otão I só conseguiu subjugá-lo após longas batalhas. A rainha-mãe Matilde obrigou-se a uma severa penitência por favorecer Henrique, e só depois de muitas orações e lágrimas conseguiu reconciliar os irmãos rivais. 

Não muito tempo depois, um novo sofrimento se abateu sobre a santa. Desta vez os dois irmãos, Otão e Henrique, voltaram-se contra a mãe, acusando-a de desperdiçar suas posses com indivíduos que não as mereciam. Matilde foi forçada a abandonar a corte e recolheu-se em uma convento. Apenas o infortúnio pessoa e outras experiências dolorosas fizeram os filhos perceberam que haviam sido injustos com a mãe. Realizaram um pedido público de desculpas, e Matilde foi recebida de volta na corte. Dali em diante, novamente dedicou-se sem restrições às obras de caridade e piedade.

Em 14 de março de 968, Matilde faleceu após revigorar-se com os últimos sacramentos trazidos por seu neto, o arcebispo Guilherme, de Mainz. Seu último local de descanso foi a Catedral de Quedlinburg, ao lado do marido, o Rei Henrique I.

Por meio de seus filhos e netos, Matilde tornou-se a ancestral de várias casas reais: os descendentes imperiais de Otão, segundo a linhagem masculina, e os francos sálios, os Hohenstaufens e os capetianos franceses, segundo a linhagem feminina. Ainda mais notável é o fato de Matilde estar cercada de santos entre seus parentes mais próximos. Bruno, seu caçula, o arcebispo de Colônia, é reverenciado como santo. Também sua nora Adelaide, esposa de Otão, que em 962 foi coroado Imperador Otão I, em Roma. A esposa de Henrique II, bisneto de Matilde, chamada Cunegundes, sua irmã Gisela e o marido, o Rei Estêvão da Hungria, e o filho dos dois, Emérico, também são considerados santos.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade no matrimônio ao longo dos séculos. P. 84-86, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.   

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