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quinta-feira, 5 de março de 2026

SÉRIE SANTOS CASADOS - A SANTIDADE NO MATRIMÔNIO AO LONGO DOS SÉCULOS.

SANTA ADELAIDE e LOTÁRIO

Santa Adelaide é uma santa que foi casada não uma, mas duas vezes, certamente, uma rara exceção. Nasceu em 931, filha do Rei Rodolfo II da Borgonha, e de Berta, filha do duque Burcardo da Suábia.

Sua sina foi a mesma de muitas filhas nobre e, logo aos seis anos de idade, ficou noiva do Rei Lotário II, da Itália. Em 947, com apenas dezesseis anos, casou-se com ele. Desta feliz união nasceu uma menina de nome Ema, que mais tarde casou-se com Lotário II, o rei dos francos e último dos reis carolíngios, e foi mãe de Luíz V.

O casamento de Adelaide e Lotário da Itália furou apenas três anos, pois ele morreu em 22 de novembro de 950, supostamente envenenado por seu poderoso oponente, o margrave Berengário III de Ivrea. Adelaide tinha apenas dezenove anos quando enviuvou. Ela era conhecida por ser uma jovem bonita, inteligente e piedosa, e logo Berengário, rival de seu esposo morto, pediu-lhe a mão, não para si, mas para seu filho Adalberto, com quem Adeleide deveria se casar pela segunda vez. Desta maneira, Berengário queria garantir e, de certa forma, legitimar, a dignidade real que havia usurpado para si. No entanto, Adelaide abominava a ideia de casar-se com o filho do homem que envenenara Lotário, e recusou a proposta, o que a levou a ser aprisionada na fortaleza de Garda, à margem leste do Lago Garda, e sofrer todo tipo de maus-tratos. Martinho, fiel capelão de Adelaide, ajudou-a a fugir em segredo, e com o auxílio dos amigos de seu falecido esposo conseguiu chegar ao Castelo de Canossa, que Berengário tentou furiosamente sitiar, mas sem obter sucesso. Isto porque, desde seu refúgio em Canossa, Adelaide conseguiu pedir ajuda ao rei Otão I, que marchou com seu exército sobre os Alpes, venceu Berengário, destronou-o e coroou-se em Pavia como rei dos lombardos.

Adelaide foi, então, a Pavia, agradecer ao seu benfeitor. O Rei Otão I, cuja primeira esposa, Edite, havia falecido em 946, impressinou-se com a beleza e o caráter de Adelaide, e pediu a sua mão. No Natal de 951, ambos se casaram, em Pavia. Ela viveu como real consorte ao lado do rei e, em 962, quando ele foi coroado soberano de todo o Sacro Império Romano pelo Papa João XII, em Roma, ela subiu ao posto de imperatriz.

Como imperatriz e rainha, Adelaide teve muitas oportunidades para promover todo tipo de benfeitorias e causas sagradas. Aquela que outrora precisara de proteção agora abria seu coração maternal a todos os pobres e oprimidos, como Santo Odilo de Cluny registra em sua biografia da Imperatriz Adelaide, por volta do ano 1000. Ele escreveu non modo auditu, sed visuet experimento ("não do que ouvi falar, mas do que vi e testemunhei em primeira mão"), ou seja, ele tinha uma relação próxima e amistosa com a imperatriz. Adelaide, considerada com justiça "uma das mais nobres e majestosas figuras femininas da história alemã, viveu com o Imperador Otão I uma vida cristã exemplar, da qual nasceram quatro filhos: Henrique, Bruno, Otão (que se tornaria o imperador Otão II) e Matilda, que tornou-se abadessa de Quedlinbur. Além de seus quatro filhos, a Imperatriz Adelaide levou à corte imperial duas filhas do inimigo hereditário de seu primeiro marido e foi-lhes uma mãe protetora e amorosa.

Acima de tudo, Adelaide dedicou-se com muito amor ao seu marido e demonstrou interesse e compreensão quando às suas obrigações como governante. São Odilo, provavelmente a partir de suas próprias observações acerca do casamento e da vida doméstica de Adelaide, refere-se à parábola da esposa Sábia, atendiosa e amorosa do Livro dos Provérbios (31,20-29). Além de suas preocupações matrimoniais e familiares, Santa Adelaide via com bons olhos o movimento de reforma monástica iniciado com Cluny. Ela apoiou a construção de mosteiros em Peterlingen, San Salvatore, em Pavia, em em Seltz (Alsácia).

Depois de morte do Imperador Otão I, seu marido, em 7 de maio de 973, o filho de Adelaide subiu ao trono como imperador Otão II. Infelizmente sua esposa, a princesa grega Teofânia, sentia ciúmes da influência de Adelaide e colocou-o contra ela, inicialmente alegando que estava desperdiçando a fortuna imperial com sua generosidade. A imperatriz e mãe foi banida da corte e voltou à sua terra natal, contudo suportou essas humilhações com a mesma nobre serenidade e modesta grandeza com que, anteriormente, havia se tornado imperatriz ao lado de seu esposo.

O Imperador Otão II percebeu rapidamente o quanto lhe faziam falta os conselhos de sua experiente e confiável corregente, sua mãe, pois todos os seus planos afundaram e qualquer projeto que iniciava logo dava errado. Ele se arrependeu e chamou Adelaide de volta. Com a morte prematura de Otão II (em 7 de dezembro de 983, em Roma - seguido por Teofânia ao túmulo em 23 ou 24 de janeiro de 1002), a sexagenária imperatriz teve de assumir a regência de seu neto menor de idade, Otão III.

Em 994, Otão III iniciou seu reinado e Adelaide voltou à vida doméstica, dedicando seus últimos anos e preparar-se para a morte. Sua promessa derradeira foi uma viagem a Borgonha, sua terra natal, onde prevalecia uma amarga dissidência entre o rei, que era seu sobrinho, e o povo. Adelaide conseguiu restaurar a paz. Em sua viagem, também visitou ao longo do caminho todas as obras que havia fundado e apoiado, para verificar se estava tudo em ordem. Na viagem de volta, Adelaide passou algum tempo na Alsácia, lugar pelo qual tinha especial afeição. Permaneceu na abadia beneditina de Seltz (sua obra favorita) até a sua morte, em 16 ou 17 de dezembro de 999.

Na introdução à mais recente edição crítica latina da Vida da Imperatriz Adelaide, pelo abade Odilo de Cluny, o editor H. Paulhart afirma:

A mãe dos reinos (Mater Regnorum) era o nome como Gerberto D'Aurillac chamava a Imperatriz Adelaide em suas cartas, cunhando assim um termo que traduzia a elevada estima e respeito que nutria por ela, seja como esposa, mãe ou regente. Adelaide descendia da família real de Borgonha e ao longo de meio século exerceu importante papel no destino do império, primeiro como esposa do rei alemão, depois como imperatriz, mãe e avó de dois imperadores. Viúva ainda na juventude, envolveu-se em tumultosos aconteceimentos no norte da Itália em meados do século X, e então superou essas dificuldades por meio de seu casamento com Otão I, subindo, enfim, ao posto supremo do império. Após a morte seu segundo marido, seu destino em duas ocasiões posteriores foi assumir a responsabilidade de governar o império por seu filho, que morrera, e por seu neto, até que alcançasse a maioridade. Sendo uma mulher religiosa e fielmente dedicada à igreja, com o passar do tempo Adelaide começou a se sentir inclinada à vida contemplativa. Todavia, mesmo em idade avançada, não recuava de suas obrigações políticas em caso de necessidade. Quando morreu, em 999, espalhou-se um profundo pesar pelos círculos que frequentava.

Nem cem anos se passariam antes que Roma desse as honras do altar a essa imperatriz, então já universalmente respeitada, autorizando o culto que nasceu em volta de sua sepultura, Ninguém menos que Odilo de Cluny, amigo próximo da santa durante a vida, sentiu-se impelido a louvar sua reputação. Para manter viva a memória de Adelaide, dedicou-lhe uma homenagem por escrito, que ainda hoje é a base mais importante para todos os trabalhos biográficos sobre a santa imperatriz.

Por fim, resta apenas dizer que o Papa Urbano II, ao canonizar Adelaide em 1097, desejou homenagear essa mãe, esposa e regente exemplar, e recomendá-la aos cônjugues de ambos os sexos como um modelo de vida cristã matrimonial.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade no matrimônio ao longo dos séculos. P. 87-91, RS: Minha Biblioteca Católica 2020. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

SÉRIE SANTOS CASADOS - A SANTIDADE NO MATRIMÔNIO AO LONGO DOS SÉCULOS.

SANTA MATILDE e HENRIQUE I

Figura especialmente nobre entre as esposas dos reis germânicos e imperadores da Idade Média é Santa Matilde, esposa do Rei Henrique I. Ela nasceu por volta de 895 em Engern (Saxônia), filha do conde saxão Teodorico, um bisneto do Conde Viduquindo, e da nobre franco-dinamarquesa REinilda, e recebeu a melhor educação possível no convento de Erfurt, onde sua avó Matilde era abadessa.

No ano de 909 Matilde casou-se com o duque Henrique, o Passarinheiro, que chegou ao terno da Alemanha em 919 e foi coroado como Henrique I. Ela era uma esposa bela inteligente, piedosa, amável e coridosa. Nos mais antigos documentos, Vita Mathildis prior, de 975, e Vita Mathildis posterior, recebeu o título de santa, e foi descrita como mirae sanctitatis femina ("mulher de magnífica santidade").
Sobre o seu casamento, está escrito:

Vivia em paz com o marido; o amor dele era o ara que ela respirava. Nas conversa entre ambos, revelava todos os tesouros de sua alma, todaas as suas ternas qualidades femininas. Ela enchia-lh8e a vida de alegria e beleza, iluminava-lhe o espírito aflito com um temperamento vivaz e acalmava-lhe oa ânimos, que costimavam ser bastante tempestuosos. Nunca interferia nos assuntos reais de seu marido; nunca importunava-lhe com opiniões ou conselhos; mas uma palavra descompromissada e ingênua de sua parte às vezes mostrava-lhe o caminho para sair das confusões e dificuldades. Insistiu em apenas um desejo como rainha: o direito de interceder por clemência e perdão. Matilda exercia esse direito sempre que possível, porém, quando no rigor da justiça o rei não podia ajudá-la, permanecia calma: pois ela safisfizera o impulso de seu coração, enquanto ele poderia agir segundo os ditames do seu.

Do matrimônio de Matilde e Henrique nasceram cinco filhos: 1) Otão, que depois tornou-se o Rei Otão I, o Grande; 2) Gerberga, que se casou com o duque Gilberto de Lotaríngia em 928, e com o Rei Luís IV da França, em 940; 3) Edviges; 4) Henrique, posteriomente Duque da Baviera, e 5) Bruno, posteriormente o santo arcebispo de Colônia. Matilde dedicou-se inteiramente a seus filhos com ternura e carinho, procurando educar suas almas e corações na veradeira reverência a Deus e na bondade para com o próximo. Por vinte e três anos, Matilde pôde desfrutar da felicidade de um matrimônio sem infortúnios, porém, em 936, seu marido faleceu em uma viagem a Memleben, no rio Unstrur, aos sessenta anos de idade. Foi enterrado na Catedral de Quedlimburgo.

A rainha viúva reuniu seus filhos e implorou-lhes fervorosamente que praticassem o temor a Deus e obedecessem aos Mandamentos do Senhor, mas, acima de tudo, que mantivessem a harmonia entre si. Infelizmente, isso não aconteceu, e até certo porto a culpa foi da própria Matilde: ela sempre demonstrou um amor maior por Henrique, seu segundo filho, e isso despertava a inveja dos irmãos. Mesmo agora desejava que seu predileto se tornasse o sucessor do trono, após a morte do marido. No entanto, os maiores líderes do império escolheram o mais velho, Otão, como rei (obedecendo também ao desejo de seu pai) e o conduziram à coração. Henrique liderou um levante armado contra seu irmão, e oRei Otão I só conseguiu subjugá-lo após longas batalhas. A rainha-mãe Matilde obrigou-se a uma severa penitência por favorecer Henrique, e só depois de muitas orações e lágrimas conseguiu reconciliar os irmãos rivais. 

Não muito tempo depois, um novo sofrimento se abateu sobre a santa. Desta vez os dois irmãos, Otão e Henrique, voltaram-se contra a mãe, acusando-a de desperdiçar suas posses com indivíduos que não as mereciam. Matilde foi forçada a abandonar a corte e recolheu-se em uma convento. Apenas o infortúnio pessoa e outras experiências dolorosas fizeram os filhos perceberam que haviam sido injustos com a mãe. Realizaram um pedido público de desculpas, e Matilde foi recebida de volta na corte. Dali em diante, novamente dedicou-se sem restrições às obras de caridade e piedade.

Em 14 de março de 968, Matilde faleceu após revigorar-se com os últimos sacramentos trazidos por seu neto, o arcebispo Guilherme, de Mainz. Seu último local de descanso foi a Catedral de Quedlinburg, ao lado do marido, o Rei Henrique I.

Por meio de seus filhos e netos, Matilde tornou-se a ancestral de várias casas reais: os descendentes imperiais de Otão, segundo a linhagem masculina, e os francos sálios, os Hohenstaufens e os capetianos franceses, segundo a linhagem feminina. Ainda mais notável é o fato de Matilde estar cercada de santos entre seus parentes mais próximos. Bruno, seu caçula, o arcebispo de Colônia, é reverenciado como santo. Também sua nora Adelaide, esposa de Otão, que em 962 foi coroado Imperador Otão I, em Roma. A esposa de Henrique II, bisneto de Matilde, chamada Cunegundes, sua irmã Gisela e o marido, o Rei Estêvão da Hungria, e o filho dos dois, Emérico, também são considerados santos.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade no matrimônio ao longo dos séculos. P. 84-86, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.   

sábado, 21 de fevereiro de 2026

SANTO DO DIA - 21 DE FEVEREIRO


"Esperava confiantemente a alegria que vem depois da tristeza", dizia o beneditino são Pedro Damião, doutor da Igreja.Em uma época difícil, ajudou com seus escritos e legações a reforma eclesiástica e clerical. Damião significa "o que doma seu corpo" e sua festa é celebrada hoje (21/2).

"Que a esperança dessa alegria te reanime, e a caridade acenda em ti o fervor, de tal modo que o teu espírito, santamente inebriado, esqueça os sofrimentos exteriores e anseie com entusiamos pelo que contempla interiormente", dizia são Pedro Damião.

O santo nasceu em 1007, em Ravena (Itália). Perdeu seus pais quando era crinça e ficou sob os cuidados de um irmão que o tratou como escravo. Outro irmãos, arcipreste de Ravena, se compadeceu e se encarregou de sua educação. Sentindo-se como um filho, Pedro adotou de seu imrão o nome Damião.

Desde jovem, são Pedro se acostomou à oração, vigília, jejum, convidada o pobres à sua mesa e lhes servia pessoalmente. Ingressou na vida monástica com os beneditinos da reforma de são Romualdo.

Para dominar suas paixões, colocava cintos com espinhos (cilício) debaixo de sua camisa, açoitava-se e jejuava com pão e água. Mas, seu corpo, por não estar acostumado, ficou debilitado e começou a sofrer de insônia.

Foi assim que compreendeu que esses castigos não deviam ser tão severos e que a melhor penitência é a paciência com as penas que Deus permite que no cheguem. Esta experiência lhe serviu, mais tarde, para acompanhar espiritualmente os outros.

Quando morreu o abade, Pedro assumiu, por obediência, a direção da comunidade. Fundou outras cinco comunidades de eremitas e, em todos os monges, buscava que fomentassem o espírito de retiro, caridade e humildade. Dentre eles, surgiram são Domingos Loricato e são João de Lodi.

Vários papa recorreram a são Pedro por seus conselhos.Em 1057, foi criado cardeal e bispo de Ostia, embora o santo sempre tenha preferido sua vida de eremita. Posteriormente, lhe seria concedido o desejo de voltar para o convento como simples monge, mas com a condição de que poderia ser empregado no serviço da Igreja.

Dedicou-se a enviar cartas a muitos papas e pessoas de alto escalão para que se erradicasse a simonia, que era a compra ou venda do que é espiritual pot bens materiais, incluindo cargos eclesiásticos, sacramentos, sacramentais, relíquias e promessas de oração.

Escreveu o "Livro Gomorriano" (fazendo alusão à cidade de Gomorra, do Antigo Testamento) e falou contra os costumes impuros daquele tempo. Do mesmo modo, escrevia sobre os deveres dos clérigos, montes e recomendava a disciplina mais do que o jejum.

Costumava dizer: É impossível restaurar a disciplima uma vez que esta decai; se nós, por negligência, deixamos cais em desuso as regra, as gerações futuras não poderão volta à observância primitiva. Guardemo-nos de incorrer em semelhante culpa e transmitamos fielmente a nossos sucessores o legado de nossos predecessores". 

Era uma pessoa severa, mas sabia tratar os pecadores com indulgências e bondade quando a prudência e a caridade o requeriam. Em seu tempo livre, costumava fazer colheres de madeira e outros utensílios para não permanecer ocioso.

O papa Alexandre II enviou são Pedro Damião para resolver um problema com o Arcebispo de ravena, que estava exomungado por certas atrocidades cometidas. Lamentavelmente, o santo chegou quando o arcebispo tinha morrido,m mas converteu os cúmpleces, aos quais impôs uma penitência justa.

De volta a Roma, ficou doente com uma febre aguda, em um mosteiro fora de Faenza. Morreu em 22 de fevereiro de 1072. Dante Aliguieri, no canto XXI do Paraíso, coloca são Pedro Damião no céu de Saturno, destinado aos espíritos contemplativos. Foi declarado doutor da Igreja em 1828.

HISTÓRIA COMPLETAS DO SANTO

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SÉRIE SANTOS CASADOS,

SANTA LUDMILA e BORIVAR DA BOÊMIA

Nas figuras de Ludmila e Borivar, estamos diante de uma esposa e de um marido pagãos que encontraram juntos seu caminho para a fé, foram batizados em uma única cerimônia por Metódio, o apóstolo dos eslavos, e (ao que parece) viveram uma exemplar vida cristã. Graças a eles, a Boêmia rejeitou o paganismo e se uniu ao Ocidente cristão.

Há uma lenda, certamente com base histórica, que conta a conversão de Santa Ludmila e seu casamento com Borivar de Melník. No condado da linhagem nobre de que Ludmila descendia, foi erguida uma estátua de Baba, deusa pagã do clima, e em determinadas épocas do ano as pessoas se reuniam ali. Certa vez, num desses momento, apareceu o eremita critão Ivan. Numa linguagem inflamada, condenou as adoração de ídolos e louvou a fé católica. Enquanto falava, Ivan foi até a estátua da deusa pagã e as destruiu diante dos olhos de todos. Muda e horrorizada, a multidão aguardava a vingança dos deuses. No entanto, o eremita voltou imperturbável para o bosque de onde saíra. Ludmila, que havia testemunhado tudo ao lado da multidão, ficou profundamente abalada.Pela primeira vez, a fagulha da fé crsitã começou a brilhar em sua alma. Ela seguiu o eremita até o seu abrigo e tornou-se sua pupila. Certo dia, enquanto estava ali, repentidamente notou o duque Borivar, da dinastia Premislida, que estava a caçar. Ele ficou encantado com a beleza de Ludmila e imediatamente a pediu em casamento. Ela exigiu, entretanto, que o duque se convertesse ao cristianismo com ela e seguisse o seu exemplo. Borivar concordou com essa condição, e os dois foram batizados e unidos em matrimônio por Metódio, na igreja de Velehrad. Logo, a maioria dos cidadãos da Boêmias seguiu o exemplo de seu duque, agora cristão, e de sua duquesa, professanto a fé em Cristo.

Diz-se que o casamento do duque e da duquesa foi abençoada com três filhos e três filhas, eo casal (especialmente Ludmila) deu grande importância à educação cristã em seu palácio em Praga, o que se testemunha claramente em seu neto, São Venceslau. Junto com o duque Borivar, Ludmila construiu várias igrejas. Além disso, foi sempre muito generosa com os necessitados e ganhou o honroso título de "Mãe dos pobres". 

Por volta do ano de 894, depois da morte precose do duque Boriva e de seus sucessores, Spytihnev e Vratislau I, a nora de Ludmila. Draomira, assumiu como regente do ducado da Boêmia. Ela ainda era pagã, e por isso o duque instruirá sua esposa a garantir que Venceslau, seu nero mais velho, recebessse uam educação cristã. Mulher virtuosa que era, Ludmila seguiu essa recordação com sucesso. Sua influência despertou no jovem príncipe o início de uma profunda piedade cristã, graças à qual ela mais tarde se tornaria santo. Entretanto, Draomira, que ainda venerava seus antigos ídolos, nutria um ódio maligno pela sogra, devido ao fato de ela ter disseminado o cristianismo naquela região. Draomira conseguiu arrabanhar parte da nobreza à sua causa, tanto que, conforme relata a tradição, dois nobres boêmios dispuseram-se a acuar Ludmila em sua propriedade em Tetin, no dia 15 de setembro de 921, e estrangulá-la com seu próprio véu. O corpo de Ludmila foi enterrado em Tetin, sob as ordens de Vencelau, foi transferida a Praga, à Igreja de São Jorge.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A santidade do matrimônio ao longo dos séculos.

SANTA HERMENGARDA e LOTÁRIO I
A história de Santa HERMENGARDA e Lotário I está profundamente entrelaçada com os jogos de poder e a fé do império Carolíngio no século IX. Hermengarda era filha de Hugo, o Condede Tours, e sua união com Lotário I, o filho mais velho de de Luís, o Piedoso, o neto de Carlos Magno, foi selada em 821 com o objtivo de fortalecer as alianças mobiliárias dentro do novo império. Como imperatriz consorte, ela viveu em um período de intensa insatabilidade, marcado pelas constantes guerras civis entre Lotário e seus irmãos pelo controle do território franco. Enquando Lotário dra conhecido por sua personalidade ambiciosa e, muitas vezes conflituosa, buscando afirmar sua autoridade como imperador único, Hermengarda destacou-se pela busca da estabilidade e pela prática de uma caridade fervorosa que visava mitigar os sofrimentos causados pelas guerras de seu marido.

Ela exerceu uma influência moderadora sobre Lotário, frequentemente atuando como mediadora em disputas dinásticas e utilizando sua posição para proteger a Igreja e os necessitados. Em 849, pouco antes de sua morte, Hermengarda fundou a Abadia de Erstein, na Alsácia, local para onde se retirou e dedicou seus últimos dias à oração e ao serviço religioso. Sua morte ocorreu em 15 de outubro de 851, e ela passou a ser venerada como santa devido à sua piedade e à forma como transformou o papel de imperatriz em uma vocação de auxílio espiritual e social. Lotário I, por sua vez, embora tenha passado grande parte da vida em campos de batalha e disputas políticas, acabou seguindo um caminho de arrependimento após a morte da esposa. Sentindo o peso de suas ações e a proximidade do fim, ele abdicou do trono em 855, dividiu suas terras entre seus filhos através do Tratado de Prüm e retirou-se para a Abadia de Prüm, onde vestiu o hábito de monge e faleceu poucos dias depois, buscando na vida monástica a paz que não encontrou no governo do império.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A Santidade no matrimônio durante os séculos.

SANTA HERMENGARDA 
E LOTÁRIO I
Pouco se sabe sobre essa mulher reverenciada como santa na Alsácia. filha do Conde Hugo de Tours e descendente do duque Ético da Alsácia, em 821 casou-se com o Imperador Lotário I. Foi provavelmente uma assídua frequentadora da igreja, mãe e esposa exemplar; prova disso é que, além da notável educação cristã que seus filhos Luís II, Lotário II e Carlos receberam a Imperatriz Hermengarda fundou a abadia de freiras em Erstein, na Alsácia, e sua filha Rotrude tornou-se a primeira abadessa do local, que fica ao sul de Estrasburgo.

Imperadores posteriores costumavam fazer peregrinações a essa abadia imperial e rezar para a santa imperatriz na igreja do edifício. Santa Hermengarda morreu em Erstein, no dai 20 de março de 851, quatro anos de seu consorte imperial. No verão de 855, o Imperador Lotário I, viúvo, dividiu seus bens entre seus filhos. Então, retirou-se para o mosteiro de Prüme, onde morreu alguns dias depois, em 29 de setembro de 855.
HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 81, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A santidade no matrimônio ao longo dos séculos.

SÃO BERNARDO DE VIENNE e ESPOSA.

São Bernardo foi um marido e pai de família que, ainda durante a vida de sua esposa, arcebispo de Vienne. Nasceu por volta de 778m nas adjacências de Lyon, em uma família nobre, e prestou serviço militar no exército de Carlos Magno. Então casou-se - seus pais arranjaram-lhe um casamento, embora já tivesse sentido inclinação para a vida religiosa. 

Após a morte de seu pai e sete anos de matrimônio, São Bernardo fez um acordo com a esposa e separou-se dela e de seus filhos. Ingressou na Abadia de Ambronay, em Bugey, que ele mesmo fundara, e tornou-se monge beneditino. 

Quatro ano depois, o monge Bernardo ocupou o posto de abade de de seu mosteiro e em 810, com a morte do arcebispo Vulfério, de Vienne, foi eleito seu sucessos no cargo.

Essa nomeação a tão alto posto, no entanto, marcou o início de uma série de provações e aflições em que as virtudes de Bernardo foram enormemente testadas. 

Em 815, quando o Imperador Luís, o Piedoso dividiu seu reino entre os filhos e surgiu uma disputa entre eles ao mesmo tempo em que rebelavam-se contra o pai, o arcebispo Bernardo teve de abandonar sua sé episcopal e fugir para a Itália. Depois de volta à França, São Bernardo fixou-se na Abadia de Romans (no departamento de Ain), que ele havia fundado. Ali, o santo que fora esposo e pai de família faleceu, em 23 de janeiro de 842.  

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 79-80, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

SÉRIE SANTOS CATÓLICO.

A santidade do matrimônio ao longo dos séculos

SANTA IDA DE HERZEFELD e EGBERTO.

Santa Ida de Herzfeld foi uma esposa e mãe exemplar. Nasceu em uma família cristã por volta do ano de 766. Todos os seus cinco irmãos e irmãs seguiram a vida religiosa, o que teria sido impensável se em sua família não prevalecesse um espírito genuinamente cristão. Dois dos irmãos santos de Ida, Adelardo e Vala, tornaram-se abades da Abadia de Corvey.

Ida, por outro lado, depois de uma infância e juventude virtuosa, casou com o duque saxão Egberto, de quem cuidou com muito amor, enquanto ele enfrentava uma longa e exaustiva enfermidade. Entre os cinco filhos que Santa Ida gerou de seu nobre esposo, encontramos mais uma vez duas vocações religiosas. Sei filho, o Venerável Varin, tornou-se abade de Corvey, e sua filha Edviges tornou-se abadessa de Herford. Ambos são considerados bem-aventurados. 

Com seu marido, Santa Ida de Herzfeld fundou uma igreja. Após a morte dele, a santa viveu em Hersfeld (diocese de Münster, na Vesrfália, Alemanha) uma vida de piedade, penitência e amor ao próximo. Morreu em 4 de setembro de 813 e jaz na mesma igreja que construiu com o marido.

Quando seus restos mortais foram desenterrados para veneração, em 26 de novembro de 980, mais de 150 anos após sua morte, o monge Uffing deu início aos registros da milagrosa vida de Santa Ida de Herzfeld. Ela é reverenciada pelas mulheres da Vestfália, que pedem sua ajuda especialmente na hora do parto.   

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 77-78, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A Santidade no matrimônio ao longo dos séculos.

SÃO RICARDO E SANTA VIANA

Um santo casal inglês, que trouxe três santos ao mundo, certamente merece ser citado entre os santos e beatos que viveram o matrimônio, ainda que pouco se saiba sobre eles. O título de "Rei dos Anglo-Saxões" foi erroneamente atribuído a São Ricardo em algum momento durante o século X. Sobre Viana (ou Wunna), sua esposa, sabe-se que morreu por volta de 710. Foi mão de três filhos: São Vilibaldo, São Vinebaldo e Santa Valburga.

Ricardo foi convencido pelo filho Vilibaldo a partir em uma "peregrinação por Cristo", e iniciou sua jornada com os dois filhos homens no ano de 720. Seu primeiro destino seria Roma, e dali iriam para a Terra Santa. No entanto, Ricardo faleceu durante o outono de 722 em Lucca, perto de Pisa, e ali foi enterrada, na Igreja de São Frediano. Por volta do ano de 1150, os restos mortais de Ricardo foram desenterrados e uma parte deles foi levada a Eichstätt. Nos dois países as pessoas começaram a reverenciar o peregrino real como santo, certamente devido a seus santos filhos, entre os quais Vilibaldo é o de maior destaque.

Após a morte do pai, Vilibaldo continuou a sua peregrinação e ficou em Roma por dois anos e meio; de 723 a 727 tornou-se peregrino na Terra Santa; de 727 a 729 viajou a Bizâncio e, de 730 a 739 viveu como monge no Monte Cassino. Na viagem de volta, passou por Roma e, a pedido de São Bonifácio, foi enviado às missões germânicas pelo Papa Gregório III. Em 740, recebeu a ordenação sacerdotal em Eichstätt. Em 21 de outubro de 741, em Sulzenbrücken, perto de Erfurt, Vilibaldo foi consagrado como o primeiro bisbo de Eichstätt.

Ali construiu um catedral e um mosteiro e, com o apoio de um número crescente de colaboradores, fez trabalhos missionários  nos territórios da Baviera, Francônia e Suábia. Em 778 ditou à freira Hugeburca em relato da peregrinação que havia iniciado com seu pai, Ricardo. São Vilibaldo morreu no dia 7 de junho de 787.

O segundo filho do casal inglês é São Vinebaldo, que nasceu por volta de 701, em Wessex (sul da Inglaterra). Vinebaldo viajou com seu pai e seu irmão para a Itália, em 720. Em Roma, ingressou em um mosteiro. A caminho de sua terra natal (727-730), recrutou homens para se tornarem missionários itinerantes. Em sua segunda jornada a Roma (737-738), São Bonifácio convidou-o para juntar-se à missão na Turíngia e em 739 ordenou-o sacerdote. Vinebaldo administrou seu território missionário a partir de uma base em Sülzenbrücken. Então, de 744 a 747, serviu em Amberg, Alto Palatinado (Alemanha) e, por fim, foi sacerdote em Mainz. Em 751 ou 752, Vinebaldo uniu-se novamente a seu irmãos Vilibaldo e juntos fundaram a Abadia de Heidenheim, um centro missionário e cultural no meio de uma comunidade que em grande medida havia regredido aos costumes pagãos. Tornou-se o primeiro abade daquele mosteiro  beneditino. Morreu em 18 de dezembro de 761.

A terceira criança que nasceu de Ricardo e Viana (Wunna) foi a filha Valburga, por volta de 710, na Inglaterra. Junto com Santa Lioba e Tetta, foi convidada por São Bonifácio a ajudar nas missões na Alemanha. Inicialmente, trabalhou com Santa Lioba, em Bischofsheim,. então, depois de 751 ou 752, foi para a Abadia de Heisdenheim, fundada por seus irmãos. Morreu ali como abadessa em 25 de fevereiro de 779.

É certo que Ricardo e Viana (Wunna) estão no Paraíso, já que criaram dois filhos e uma filha que cresceram e se tornaram santos. O escritor J. Dirnbeck, no livro Modern Litany of the Saints ("Uma moderna ladainha dos santos"), dedicou-lhes a seguinte invocação, ainda bastante atual: "Soubestes construir uma atmosfera familiar em que os filhos tornaram-se adultos que não apenas deram ouvidos à Boa Nova, mas também fizeram-se seus próprios mensageiros. Ricardo e Wunna, rogai por nós, para que estejamos atentos à melhor forma de transmitir a nossa fé aos filhos que o amanhã nos reserva.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 74-76, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

SANTA BERTA E SÃO GUMBERTO.
De acordo com o cronista Flodoardo de Reims, Gumberto, irmão de São Nivardo, arcebispo de Reims no século VII, casou-se pela segunda vez, com uma mulher chamada Berta. Ele era extremamente caridoso com a igreja e usou parte de sua fortuna para fundar o mosteiro de Saint-Pierre-le-Bas, ao lado da Porta Basilicaria, em Reims. Com a morte de São Nivardo, Gumberto legou todos os bens que herdara de sua mãe para as igrejas da cidade de Reims - o que herdara do pai ficou para os seus parentes. Então, com o consentimento de sua esposa Berta, partiu para evangelizar os habitantes ainda pagãos da costa norte do reino franco, cheio de entusiasmo missionário. Nessa missão, encontrou a morte e deu testemunho de Cristo com o próprio sangue.

Berto também seguiu o exemplo de seu nobre marido. Deixou a cidade de Reims - por volta do ano 660 - e foi para a vila de Avenay, a cerca de vinte e cinco quilômetros de Reims. Ali fundou um convento, para o qual deixou várias propriedades que lhe haviam sido herdadas. Ela mesma, então, entrou no claustro e tornou-se abadessa. Diz-se que foi assassinada por seus enteados no final do século VII, e é reverenciada como mártir, assim como seu marido. Na diocese de Reims, a celebração de Santa Berta e São Gumberto acontece no dia 1° de maio.
HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 73, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A santidade no matrimônio ao longo dos séculos.

SÃO VICENTE MADELGÁRIO e SANTA VALDETRUDES.

São Vicente Madelgário e sua esposa, Santa Valdetrudes, foram um santo casal que deu à luz quatro filho, os quais também viriam a se tornar santos.

A família do Conde Vicente era de Strépy (a leste de Mons, na Bélgica). Ele se casou com Santa Valdetrudes, que era filha dos nobres Valberto e Bertilia, e também irmã de Santa Aldegundes, fundadora de um convento em Maubeuge, em Hainault (França). Deu à luz quatro filhos: Santa Adeltrudes, São Landerico, São Dentelino e Santa Madelberta. Como recomendação de seus santos pais, três desses quatro filhos entraram na vida religiosa.

Depois que os filhos cresceram, os pais concordaram em separar-se para viver o celibato consagrados a Deus. São Vicente entrou no mosteiro de Hautmont, que ele mesmo havia fundado. Depois foi para Soignies, onde fundou outro mosteiro, em 653. Ali serviu como abade até pouco antes de morrer, em 677. Seguindo s sugestão do santo Abade Gisleno, Santa Valdetrudes construiu um convento em Castrilocus (depois conhecido como Igreja Colegiada de Santa Valdetrudes, em Mons, Bélgica). Ela mesma entrou nesse convento, recebendo o hábito do santo bispo Alberto de Cambrai. No devido tempo, tornou-se abadessa, e ali morreu em 9 de abril de 688. Ela é retratada segurando seus quatro filhos sob o manto, quase como Nossa Senhora protegendo aqueles que buscam seu amparo.

Qual foi então o destino dos quatro filho do santo casal Vicente Maldegário e Valdetrudes?

1. Aldetrudes, ainda menina, foi enviada à Abadia de Maubeuge (norte da França) para viver com sua tia, Santa Aldegundes - a própria fundadora do local. Ali, Adeltrudes serviu por doze anos como abadessa e faleceu em 25 de fevereiro de 696.

2. Landerico primeiro fez carreira militar e depois tornou-se monge. Sucedeu a seu pai, Vicente, como abade administrou os dois mosteiros de Soignies. Diz-se que antes de sua morte também trabalhou como missionário na cercanias de Bruxela. Morreu em 17 de abril, por volta do ano de 730.

3. Dentelino morreu ainda menino, aos sete anos de idade. Ele é homenageado como santo em Hainaut, assim como seus pais e irmãos, devido aos inúmeros milagres que ocorreram em seu túmulo. É considerado o patrono municipal de Rees (Cleves, Alemanha).

4. Madalberta tornou-se freira beneditina em um convento em Maubeuge e, por volta de 696, sucedeu a sua irmã Adeltrudes como abadessa do local. Morreu em 7 de setembro, cerca do ano 700.

Ainda que as histórias sobre o santo casal Vicente Madelgário e Valdetrudes e seus quatro filhos pareçam contar com certos aspectos lendários, a base histórica indubitável para essas "vidas dos santos" é ter existido um casal que lutou pela perfeição espirituais e criou tão bem seus filhos que, estes seguindo o exemplo dos pais, amadureceram e tornaram-se santos.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 70-72, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 20 de março de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A santidade do matrimônio ao longo dos séculos.

SANTO ETELBERTO e BERTA

Berta, bisneta do Rei Clóvis, é um ótimo exemplo de quão importante pode ser a fé e o testemunho corajoso de uma esposa cristã, tanto para seu marido como para todo um país. Etelberto ainda era pagão quando casou-se com ela, mas Berta o conduziu à fé cristã. Desta maneira ela se tornou, com Santo Etelberto, seu marido, e com Santo Agostinho de Cantuária, a fundadora do cristianismo na Inglaterra.

Etelberto, descendente do lendário Rei Hengist, fundador da casa real de Kent, nasceu por volta de 552. Quando ainda era muito jovem, sucedeu no trono de Kent a seu pai, Eormenrico, falecido em 560, e logo destacou-se entre os diversos reis saxões.

Como dissemos, Etelberto ainda era pagão quando, em 588, foi a Paris para casar-se com Berta, uma cristã fiel, bisneta do Rei Clóvis. Ela concordou em casar-se com o noivo real, com uma condição: que ele não a proibisse de praticar a sua fé cristã e que não impusesse dificuldades ao capelão Lindardo para executar as funções sacerdotais.

Através de Berta, que era uma fiel piedosa, o Rei Etelberto não só entrou em contato com a fé cristã, como também simpatizou-se cada vez mais por ela. Isso ficou especialmente evidente em 596, quando ele recebeu com muita amabilidade a visita de missionários pelo Papa Gregório Magno sob a direção de Santo Agostinho de Cantuária, e fez tudo o que podia para promover sua atividade missionária. Diz-se que Etelberto foi batizado por Santo Agostinho durante a vigília de Pentecostes (1° de junho), em 597. No entanto, verificou-se que isso ocorreu mais tarde, pois o Papa Gregório Magno, em uma carta de junho de 601, censurou a Rainha Berta por ter negligenciado a conversão de seu consorte real. O Rei Etelberto concedeu seu palácio em Cantuária para Agostinho, que consagrou-se como bispo de Arles em 16 de novembro de 597; ele transferiu sua própria residência para Reculver, e de lá promoveu o trabalho de evangelização do bispo Agostinho em todos os sentidos, ajudando-o também na reconstrução de uma antiga igreja cristã abandonada e em ruínas. Desta casa de Deus, uma vez reconstruída, nasce a "Christ Church" (Igreja de Cristo), a primeira catedral da Inglaterra.

O casal real Etelberto e Berta teve papel importantíssimo no processo de cristianismo da Inglaterra. No ano 601, eles receberam Melito - como haviam recebido Agostinho e seus companheiros cinco anos antes - o qual trazia uma carta do Papa Gregório Magno, com instrução para prosseguir com seus esforços de suprimir o paganismo e propagar e cristianismo na região. Etelberto teve sucesso também em converter seu sobrinho Saberto, filho de sua irmã Rícula, e aconselhou a ele, vice-regente de Essex, que seguisse as orientações de Melito e construísse uma catedral em Londres, dedicada a São Paulo. 

Deus também abençoou o altivo casal com a conversão de sua filha Etelburga, por meio de Santo Agostinho. Quando ela foi dada em casamento ao Rei Edwin na Nortúmbria, São Paulino, um dos companheiros de Santo Agostinho, acompanhou-a como seu capelão. Na época o Rei Edwin ainda era pagão, logo seu sogro, Santo Etelberto, exigiu que ele não impedisse a disseminação da fé cristã em seu reino e que se esforçasse para se tornar ele mesmo um cristão. O Rei Edwin foi batizado em 627, dois anos após seu casamento com Etelburga. Em 633, quando ele morreu em uma batalha contra inimigos pagãos perto de Hatfield Chase, Eterburga retirou-se para o convento de Lyminge, que ela mesmo fundara, e serviu como superiora da comunidade enclausurada até a sua morte, em 5 de abril de 647. Assim como o Rei Etelberto, seu pai, ela também é reverenciada na Inglaterra como santa.

Etelberto perdeu a sua piedosa esposa, Berta, em 613. O viúvo casou-se ainda uma segunda vez, mas o nome dessa nova cônjuge não ficou para a posteridade. Porém, ele logo faleceu, três anos após a morte de sua primeira esposa, em 24 de fevereiro de 616, no quinquagésimo sexto ano de seu reinado. Em um documento, São Gregório Magno comparou o Rei Etelberto ao Imperador Constantino e chamou a atenção aos louváveis serviços que ele prestara com objetivo de difundir a fé cristã na Inglaterra.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 65-67, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 13 de março de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS:

A santidade do matrimônio ao longo dos séculos.

SANTA CLOTILDE E CLÓVIS

Santa Clotilde foi uma abençoada esposa cuja poderosa fé fez o marido pagão converter-se ao catolicismo, e o resultado disso foi que um povo inteiro encontrou o caminho para a fé.

Clotilde fazia parte da linhagem real de Borgonha. Com a intenção de manter-se absoluto no trono, o Rei Gundebaldo condenou seu irmão e corregente, Quilperico, à morte pela espada, e a esposa de seu irmão foi afogada com uma pedra amarrada ao pescoço. Ele permitiu que ficassem vivas as duas de Quilperico, Croma e Clotilde. Croma era a mais velha e tornou-se freira consagrada; Clotilde, a mais nova, nascida por volta de 474, em Lyon, acabou sendo criada na corte com Rei Gundebaldo. Como os pais de Clotilde professassem a fé católica e Gundebaldo, um ariano, tivesse se tornado tolerante o suficiente agora que detinha sozinho o poder, ele permitiu que Clotilde permanecesse católica e praticasse a sua fé na corte. 

Ainda que a maioria das tribos germânicas da época já tivesse aceito o cristianismo, mesmo na forma herética do arianismo, os francos viviam afastados no baixo Vale do Reno e, no princípio, eram pagãos. O Rei Clóvis mostrou-se um germânico nato em sua maneira de pensar quando sentenciou: "Apenas quando o Deus dos cristãos provar-se maior que todos os nossos deuses eu acreditarei nele e desistirei do paganismo". Os enviados de Clóvis faziam negócios frequente na corte do Rei de Borgonha. Impressionaram-se cada vez mais com a beleza e a prudência de Clotide e contaram isso ao rei. Logo ele pediu a Gundebaldo, Rei de Borgonha, que lhe desse Clotide como esposa, e seu pedido foi aceito. Isso aconteceu por volta de 493.

Então, casada com o Rei Clóvis, Clotide não descansou enquanto não converteu seu esposo à fé católica, o que sabemos graças aos relatos de São Gregório de Tours. 
Ele escreve:

A primeira criança gerada por Clotilde era um menino. Ela queria ter seu filho batizado, e pressionou o marido a concordar com tal ideia. "Os deuses em que você crê não são bons deuses", ela dizia. "Eles sequer foram capazes de ajudar-se a si próprios, que dirá aos outros. São esculpidos em pedra, madeira ou qualquer tipo de metal antigo. Os nomes que vocês deram a eles são nomes de homens, não de deuses... Você deveria adorar Aquele que do nada criou, com Sua palavra, a terra, o céu, o oceano e tudo o que neles existem; Aquele que fez o sol brilhar, que encheu o céu de estrelas, povoou as águas de peixes, a terra de feras, os céus de seres voadores; Aquele que, com um aceno, fez os campos darem frutos, as árvores darem maçãs, as parreiras, uvas; Aquele cujas mãos fizeram a raça humana, por cujo dom toda a Criação é compelida a servir em respeito e devoção ao homem que Ele criou". Entretanto, quanto mais a rainha o dizia, menos o rei acreditava: "Todas essas coisas foram criadas e produzidas por ordens de nossos deuses", ele respondeu. "É óbvio que seu deus nada pode fazer, e, além disso, que há provas de que ele sequer seja um deus".
 
A rainha, que era fiel à sua fé, levou o filho para ser batizado. Ela pediu que a igreja fosse decorada com enfeites e cortinas, na esperança de que o rei, ainda descrente, fosse atraído pela cerimônia. O filho foi batizado com o nome de Ingomir, porém, logo que recebeu o batismo, a criança faleceu em suas vestes brancas. Clóvis ficou irado em extremo, e pôs-se imediatamente a repreender sua esposa. "Se ele fosse entregue aos meus deuses", disse, "certamente teria sobrevivido. Mas como foi batizado em nome de seu deus, não resistiu nem por um único dia". "Agradeço a Deus Todo-Poderoso", respondeu Clotide, "Criador de todas as coisas, que não me considerou totalmente indigna, pois permitiu que fosse recebida em Seu reino uma criança concebida em meu ventre. O que ocorreu não de desespera, pois sei que meu filho, chamado para longe desse mundo em suas vestes batismais, será criado sob os olhos divinos". 
 
Algum tempo depois, Clotilde deu à luz um segundo filho, batizado Clodomiro. Certo dia ele adoeceu e Clóvis logo concluiu: "O que mais você esperava? Acontecerá com ele o mesmo que aconteceu com o irmão: logo depois do batismo em nome de seu Cristo ele morrerá". Clotilde rezou para Deus e, graças a Ele, seu bebê se recuperou.
 
A rainha continuou a rezar para que seu marido reconhecesse o verdadeiro Deus e desistisse da adoração aos ídolos. Nada podia persuadi-lo a aceitar o cristianismo. Por fim, declarada a guerra contra os alamanos, Clóvis foi coagido a aceitar o que sempre negara de livre e espontânea vontade. Quando os dois exércitos encontraram-se no campo de batalha, houve um grande massacre e as tropas de Clóvis foram rapidamente aniquiladas. Ele ergueu os olhos ao céu quando testemunhou isso, sentiu um calafrio no peito e lágrimas caíram de seus olhos. "Jesus Cristo", ele disse, "Tu que Clotilde diz ser o Filho do Deus vivo, que concedes ajuda àqueles que trabalham arduamente e vitória àqueles quem em Ti creram, peço com fé a glória do Teu auxílio. Sem me ajudares a vencer meus inimigos, e seu eu puder ver as provas desse poder milagroso que as pessoas devotas de Teu nome dizem ter conhecido acreditarei em Ti e serei batizado em Teu nome. Fiz esse mesmo pedido aos meus deuses, porém, como posso ver claramente, eles não têm nenhuma intenção de me ajudar. Por isso, não creio que tenham poder algum, já que não podem socorrer quem confia neles. Agora, peço-te. Quero crer em ti, mas preciso ser salvo de meus inimigos". Assim que Clóvis disse isso, os alamanos viraram as costas e puseram-se a fugir, e, assim que viram morto o seu rei, entregaram-se a Clóvis: "Imploramos que ponha um fim a esse massacre. Estamos pronto para obedecê-lo". Clóvis pôs fim à guerra e pronunciou um discurso de paz. Então voltou para casa e contou à rainha como havia vencido ao invocar o nome de Cristo. Isso aconteceu no décimo quinto ano de seu reinado.
 
A rainha então pediu que São Remígio, bispo de Reims, fosse convocado em segredo. Ela implorou que ele desse a a palavra de salvação ao rei. O bispo pediu um conversa particular com Clóvis e começou a persuadi-lo a crer no verdadeiro Deus, Criador do céu e da terra, e a abandonar seus ídolos, impotentes em ajudar a ele ou a qualquer outro. O rei respondeu: "Escutei-o de boa-fé, santo padre. Porém, há um obstáculo. As pessoas sob o meu comando não concordarão em abandonar seus deuses. Direi a elas tudo o que você disse a mim". Ele convocou um encontro com seu povo, mas o pode de Deus o precedera, e, antes que o rei lhes dirigisse uma única palavra, os presentes disseram, em uníssono: "Nós abandonaremos a adoração a nosso deuses mortais, nosso bom rei, e estamos prontos para seguir o Deus imortal sobre o qual Remígio nos aconselhou". Essa notícia foi dada ao bispo, que ficou bastante satisfeito e ordenou que se preparasse a pia batismal. As praças foram enfeitadas com tecidos coloridos, as igrejas, adornadas com tecidos brancos, preparou-se o batistério, batistério, bastões de incenso produziam nuvens perfumadas, velas de doce perfume reluziam, e o local sagrado batismo preenchia-se da fragrância divina. Deus derramou sobre os corações de todos os presentes tamanha graça que eles imaginaram-se levados a algum paraíso perfumado. O Rei Clóvis perguntou se poderia a ser batizado pelo bispo. Como um novo Constantino, ele dirigiu-se à pia batismal, pronto para lavar as feridas de sua antiga lepra e pela água corrente ser purificado das sórdidas máculas que carregara por tanto tempo. Ao avançar para o batismo, o santo homem de Deus dirigiu-se ali com as seguintes palavras: "Incline a cabeça com humildade, sicambro (os merovíngios diziam-se descendentes dos sicambros). Adore o que você queimou; queime o que você costumava adorar".
 
O Rei Clóvis confessou sua crença em Deus Todo-Poderoso, três em um. Ele foi batizado em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e marcado pelo santo crisma com o sinal da Cruz de Cristo.
 
Depois de seu batismo no Natal do ano de 499 - três anos após a batalha de Tolbiac - O Rei Clóvis viveu com sua esposa Clotilde por mais doze anos. Ele faleceu em 511, aos quarenta e cinco anos de idade. Clotilde tinha trinta e oito na época.

Viúva, após cerca de vinte anos de vida conjugal, Clotilde passou por muitos sofrimentos antes de deixar este mundo, em 3 de junho de 545, especialmente devido à morte de seu filho Clodomiro e aos crimes cometidos por seus outros dois filhos, Clotário e Quildeberto, contra os filhos daquele.

Ela retirou-se para Tours e ali viveu como freira. Renunciando a todas as propriedades, investiu uma significativa soma no cemitério de São Martinho e em outros santuários e viveu "não como um rainha, mas como uma serva de Deus", segundo Gregório de Tours. Embora nunca tenha sido oficialmente canonizada, Clotilde sempre foi reverenciada como santa.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 60-64, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

SÉRIE: SANTOS CASADOS.

A santidade no matrimônio ao longo dos séculos.

SANTO HILÁRIO e SANTA QUIETA

Quase nada se sabe sobre o casal Hilário e Quieta, que viveu no século V, pertenceu à nobreza Gáltica em Borgonha e era proprietário de vastas terras na região de Countagny, perto de Montbald (Côte D'Or), e na região de Dijon. Seu filho, João, graças ao exemplo virtuoso de seus santos pai, alcançou a santidade na vida adulta. São João de Réome nasceu no ano de 440, em Coutangy, filho de um legislador, Hilário, e de sua esposa, Quieta. O monge Jonas de Bobbio, na introdução da biografia de São João de Réome, descreve as vitudes desses abençoados pais. Acima de tudo, seu amor mútuo e sua fidelidade dever ter sido exemplares. Sabemos disso a partir de um milagre lendário registrado por São Gregório de Tours no oitavo livro de sua antologia hagiográfica Miraculorum libri octo, com o título In gloria confessorum. A poetisa francesa Marie Noel também o registrou em seu diário.

Hilário e Quieta, suas vidas não são narradas em detalhes, mas em poucas e preciosas palavras que contêm algumas das coisas mais belas que se poderiam recordar sobre seu casamento. Eles levaram uma vida matrimonial exemplar e amaram-se tão profundamente que seu amor foi glorificado após sua morte com um milagre. Hilário faleceu primeiro, sendo colocado em descanso eterno numa sepultura na Igreja de São João, em Dijon. Quando chegou sua vez, Quieta faleceu. Assim que começaram a enterrá-la na sepultura ao lado de onde jazia o marido, Hilário ergueu seu braço direito, colocou-o em volta do pescoço dela e a aproximou do seu peito. Em meio à exaltação dos fiéis, os cônjuges foram homenageados com a honra do altar. No século IX, marido e esposa foram transferidos para a cripta da Catedral de Dijon e colocados em túmulos separados.

A poetisa então reclama dos "impiedosos sacerdotes" que fizeram isso, pois não compreenderam o significado do milagre e separaram novamente aqueles que queriam permanecer intimamente unidos pelo amor e fidelidade matrimonial, mesmo no túmulo. W. Nigg acrescentou seu comentário: "Os sacerdotes impediram apenas que ficassem junto na sepultura, mas nós temos a firme convicção de que Hilário e Quieta estão unidos no Céu, para a sua e a nossa indescritível felicidade".

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade no matrimônio ao longo dos séculos. P. 58-59, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

SÉRIE: SANTOS CASADOS.

A santidade do matrimônio ao longo dos séculos.

SANTA MELÂNIA e VALÉRIO PINIANO.

Ao descrever as grandes personalidades romanas que, durante o século IV, foram exemplo de matrimônio e viuvez vividos de maneira cristã num contexto apenas superficialmente cristão, é preciso mencionar, além de Santa Paula Romana, o nome de Santa Melânia, a Jovem.

Melânia nasceu em 383, em Roma, filha do Cônsul Valério Publíco - que, por sua vez, era filho de Santa Melânia, a Velha - e de Albina, a qual provinha de uma família pagã cujo pai inclusive ocupava um alto cargo de sacerdote pagão. A nobre família em que nasceu Melânia possuía imensas propriedades e, por isso, também era dona de inúmeros escravos e escravas. Acolhendo a fé cristã com grande dedicação, a jovem Melânia tinha receio de ser uma daquelas pessoas abastadas a quem era negado o Reino do Céus, devido a sua fortuna (cf. Mt 19,24). Desde cedo, com seu coração simples, queria oferecer tudo a Deus, inclusive ela mesma, com sua virgindade intacta.

Muito cedo conheceu a diferença gritante entre a vida das famílias nobres e a vida daquela classe oprimida de pobres escravos, reduzidos à servidão e considerados pela sociedade romana quase que animais de carga. O Evangelho, ao contrário, ensina que todas as pessoas são irmãos e irmãs. Melânia desejava uma vida simples, virginal e modesta, diferente da vida que a rodeava e dos planos de seu pai. Querendo dissuadi-la de suas ideias extravagantes, em 396, repentinamente ofereceu a mão da filha a seu afortunado sobrinho Valério Severo Piniano. Melânia tinha apenas treza anos, e seu primo e esposo, dezessete.

Melânia tentou persuadir Valério e renunciar às relações sexuais. Ele estava disposto a fazê-lo, desde que antes tivessem dois filhos para perpetuar a linhagem. Melânia teve de consentir com esse plano. Primeiro deu à luz uma menina, que morreu alguns anos depois. O segundo filho, um menino, sobreviveu apenas algumas horas após um parto prematuro, enquanto Melânia permaneceu em iminente risco de vida. Piniano rezou com fervor no túmulo do diácono São Lourenço, em Roma, para que Deus salvasse a vida de sua mulher. Ele prometeu que, se suas preces fossem ouvidas, dali em diante iria praticar a perfeita castidade em seu casamento. A esposa sobreviveu, mas seus não permitiram que os dois levassem a promessa adiante. Apenas após a morte do pai dela, em 404, a ainda jovem Melânia (aos vinte e um anos) pôde cumprir a promessa com Piniano (aos vinte e cinto), e assim o fizeram até o fim de suas vidas.

Além da promessa de castidade matrimonial, Melânia também convenceu o marido a renunciar a qualquer extravagância em seu estilo de vida e a usar toda a sua fortuna em obras de caridade e no sustendo da Igreja. O primeiro passo foi a libertação de oito mil escravos.

Para superar qualquer apego a seu imenso patrimônio, o casal partiu para Roma e viajou primeiro até Nola, a fim de visitar Paulino, seu parente distante. Com o avanço dos godos, em 408 o casal refugiou-se em suas terras na costa leste da Sicília. Ali, Melânia e Piniano tiveram a ideia de levar uma vida comum em um tipo de regime conventual que a muitos inspirava naqueles tempos, e para o qual Santo Agostinho já havia compilado uma espécie de regra. Com mais sessenta mulheres, Melânia deu início ao claustro. Piniado fez o mesmo, e perto dali viveu com mais trinta monges.

Temendo o ataque das tribos germânicas, o casal, agora consagrado à vida religiosa, mudou-se novamente, da Sicília para Tagaste (norte da África), terra de Santo Agostinho, onde seu amigo Alípio era bispo da época. Cada um deles fundou um mosteiro, um para mulheres, outro, para homens. Passados dois anos em Tagaste, em 413 Melânia e Piniado deixaram a África e foram - desta vez a pé, como sua santa avó Melânia, a Velha - para a Palestina. Depois de breves visitas aos monges no deserto egípcio, a São Cirilo de Alexandria e a São Jerônimo, fixaram-se em Belém e, mais tarde, em Jerusalém. Ali Melânia fundou um convento com noventa irmãs, onde ela mesma ocupava uma cela modestíssima perto do Monte da Oliveiras, e viveu uma vida reclusa e penitente na mais austera pobreza, depois de distribuir toda a sua enorme fortuna a igrejas, mosteiros, e aos necessitados. Quando faleceu, aquela que já havia sido a mais abastada mulher do Império Romano, tinha agora consigo apenas cinquenta moedas de ouro, que foram dadas ao bispo. Seu marido Piniano o fez o mesmo com todas as suas posses. Ele morreu em 437, e Melânia viveu ainda por mais dois anos, vindo a falecer em 31 de dezembro de 439. Depois de uma jornada pastoral bem-sucedida até Constantinopla, passou o Natal em Belém com uma parente por quem tinha grande afeição, Paula, a jovem, neta da Santa Paula Romana. Ela também foi à celebração de Santo Estevão, em Jerusalém, quando sentiu que morre chegaria em breve. Melânia pediu que suas acompanhantes e levassem para dentro da igreja e recebeu três vezes o Viático, de acordo com o costume da época. Por fim, faleceu, dizendo: "Se for do agrado de Deus, que assim seja".

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade no matrimônio ao longo dos séculos. P. 51-54, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.