domingo, 13 de abril de 2025

MEDITAÇÕES PARA A QUARESMA

 DOMINGO DE RAMOS

UTILIDADE DA PAIXÃO DE CRISTO COMO EXEMPLO.

Como disse S. Agostinho: A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de toda a nossa Vida". Quem quer que queira ser perfeito na vida, nada mais é necessário fazer senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o que nela Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude deixar de estar presente na cruz.

Se nelas buscas um exemplo de caridade, "ninguém tem maior caridade do que aquele que dá sua vida pelos amigos" (Jo 15, 13). Ora, foi o que Cristo fez na cruz. Por isso, já que Cristo entregou a sua vida por nós, não nos deve ser pesado suportar toda espécie de males por amor a Ele. "O que retribuirei ao Senhor, por todas as coisas que Ele me deu?" (Ps. 115, 12).

Se procuras na cruz um exemplo de paciência, nela encontrarás uma imensa paciência. A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: ou quando alguém suporta grandes males pacientemente, ou quando suporta aquilo que poderia ser evitado e não quis evitar. Cristo na cruz suportou grandes sofrimentos: "Ó vós todos que passais pelo caminho parai e vede se há dor igual à minha!" (Lm 1, 17), e os suportou pacientemente, "como a ovelha levada para o matadouro e como o cordeiro silencioso na tosquia" (1 Pd 2, 23). Cristo na cruz suportou também os males que poderia ter evitado, mas não os evitou: "Julgais que não posso rogar a meu Pai e que Ele logo não me envie mais que doze legiões de Anjos?" (Mt 26, 53). Realmente, a paciência de Cristo na cruz foi imensa! "Corramos com paciência para o combate que nos espera, com os olhos fitos em Jesus, o autor da nossa fé, que a levará ao termo: Ele que, lhe tendo sido oferecida a alegria, suportou a cruz sem levar em consideração a sua humilhação" (Heb 36, 17).

Se desejares ver na cruz um exemplo de humildade, basta-te olhar para o crucifixo. Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer: "A vossa causa, Senhor, foi julgada como a de um ímpio" (Jo 36, 17). Sim, de um ímpio, porque disseram: "Condenemo-lo a uma morte muito vergonhosa" (Sb 2, 20). O Senhor quis morrer pelo seu servo, e Aquele que dá a vida aos Anjos, pelo homem: "Fez-se obediente até à morte" (Fl 2, 8).

Se queres na cruz um exemplo de obediência, segue Àquele que se fez obediente ao pai, até à morte: "Assim como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores; também pela obediência de um só homem, muitos se tornaram justos" (Rm 5, 19).

Se na cruz estás procurando um exemplo de desprezo das coisas terrenas, segue Àquele que é o Rei e o Senhor dos Senhores no qual estão os tesouros da sabedoria, mas que na cruz aparece nu, ridicularizado, escarrado, flagelado, coroado de espinhos, na sede saciado com fel e vinagre e morto. Não deves te apegar às vestes e às riquezas, "porque dividiram entre si as minhas vestes" (Sl 29, 19); nem às honras, porque "Eu suportei as zombarias e os açoites"; nem às dignidades, porque "puseram em minha cabeça uma coroa de espinhos que trançaram"; nem às delícias, porque "na minha sede deram me vinagre para beber" (Sl 68, 22).

sábado, 12 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.

 

AS DORES DO SENHOR NA CRUZ.

Diz Santo Agostinho não haver morte mais acerba que a morte da cruz, pois, como nota São Tomás, os crucificados têm os pés e as mãos transpassados, partes essas que sendo compotas de nervos, músculos e veias, são extremamente sensíveis à dor, e o só peso do corpo pendido faz que a dor seja contínua e se aumente sempre mais até à morte. Mas as dores de Jesus ultrapassavam todas as outras dores, pois, como diz o Angélico, o corpo de Jesus Cristo, sendo de delicadíssima compleição, era mais sensíveis e sujeito às dores: corpo que foi expressamente preparado pelo Espírito Santo para sofrer como Ele predissera e conforme o atesta o Apóstolo: Formaste-me um corpo (Hb 10,5). Além disso, São Tomaz diz que Jesus Cristo suportou uma dor tamanha que só ele seria suficiente para satisfazer a pena que mereciam temporariamente os pecados de todos os homens. Afirma Tiepoli que na crucifixão deram 28 marteladas sobre suas mãos e 26 sobre seus pés.

Minha alma, contempla o teu Senhor, contempla tua vida que pende desse madeiro: E a tua vida estará como suspensa diante de ti (Dt 28,66). Vê como naquela patíbulo doloroso, suspenso desses cravos cruéis, não encontra posição nem repouso. Ora se apoia sobre as mãos, ora sobre os pés, mas onde se firma aumenta a dor. Ora volve a dolorosa cabeça para uma parte, ora para outra, se a deixar cair sobre o peito, as mãos e os pés rasgam-se mais com o peso, se a deita sobre os ombros, estes ficam feridos pelos espinhos; se a apoia sobre a Cruz, enterram-se os espinhos ainda mais na sua cabeça. Ah, meu Jesus, que morte horrível é a que sofreis! Meu Redentor crucificado, e vos adoro nesse trono de ignomínia e de dores. Leio que está escrito nessa cruz que sois Rei: Jesus Nazareno, rei do judeus (Jo 19,19). Mas afora este título de escárnio, qual outro sinal de vossa realeza? Ah, essas mãos cravadas, essa cabeça coroada de espinhos, esse trono de dores, essas carnes dilaceradas vos fazem conhecer por Rei, mas Rei de Amor. Aproximo-me, pois humilhado e contrito, para beijar vossos pés sagrados trespassados por meu amor, abraço essa cruz, na qual, vítima de amor, quisestes sacrificar-vos à justiça divina por mim, feito obediente até à morte, e morte de cruz (Fl 2,8). Ó feliz obediência, que no obtém o perdão dos pecados. E que seria de mim, ó meu Salvador, se Vós não tivésseis pago por mim? Agradeço-vos, meu amor, e pelos merecimentos dessa sublime obediência vos peço que me concedais a graça de obedecer em tudo à vossa divina vontade. Desejo o Paraíso unicamente para sempre Vos amar e com todas as minhas forças.  

sexta-feira, 11 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE


A CRUCIFICAÇÃO DO SENHOR.

Eis-nos chegados à Crucificação, ao último tormento, o qual deu a morte a Jesus Cristo - eis-me no Calvário, feito teatro do amor divino, onde um Deus deixa a vida num mar de dores. Quando chegaram ao lugar que se chama Calvário, ali o crucificaram (Lc 23,33). Tendo o Senhor chegado com grande dificuldade, mas ainda vivo ao monte, arrancaram-lhe pela terceira vez com violência suas vestes pegadas às chagas de sua carne dilacerada e o estenderam sobre a Cruz. O Cordeiro Divino deita-se sobre esse leito de tormentos, apresenta aos carnífices suas mãos e seus pés para serem pregados e, levantando os olhos ao céu, oferece ao seu eterno Pai o grande sacrifício de sua vida pela salvação dos homens. Cravada uma má, contraem-se os nervos, sendo por isso necessário que à forma e com cordas se puxassem a outra mão e os pés ao lugar dos cravos, com foi revelado a Santa Brígida, o que ocasionou a contorção e rompimento com dores horríveis do nervos e das veias, de tal maneira que se podiam contar todos os ossos, como já predissera Davi: Transpassaram as minhas mãos e os meus pés, contaram todos os meus ossos (Sl 21,17).

Ah, meu Jesus, por quem foram cravados vossas mãos e vossos pés sobre esse madeiro senão pelo amor que tínheis aos homens? Vós quisestes com a cor de vossas mãos transpassadas pagar todos os pecados que os homens cometeram pelo tato, e com a dor dos pés quisestes pagar todos os passos que demos para vos ofender. Ó meu amor crucificado, abençoai-me com essas mãos transpassadas. Cravai aos vosso pés este meu coração ingrato para que eu não me separa mais de Vós e fique sempre minha vontade obrigada a amar-vos, já que tantas vezes se rebelou contra Vós. Fazei que nada me mova além de vosso amor e do desejo de dar-vos gosto. Ainda que vos veja suspenso nesse patíbulo, eu vos reconheço por Senhor do mundo, pelo Filho verdadeiro Deus e Salvador dos homens. Por piedade, ó meu Jesus, não me abandoneis mais no resto de minha vida e especialmente na hora de minha morte: nessa última agonia e combate com o Inferno, assisti-me e confortai-me para morrer no vosso amor. Eu vos amo, amor crucificado, eu vos amo de todo o meu coração.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

CRUZ ORIGINAL DA PRIMEIRA MISSA NO BRASIL PEREGRINA PELO PAÍS EM ABRIL.


A cruz original usada na celebração da primeira missa no Brasil vai peregrinar por várias cidade de Portugal e do Brasil entre os dias 12 e 27 de abril. A peregrinação celebra os 525 anos da primeira missa no Brasil.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, com 13 caravelas sob o comando de Pedro Álvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, ele o chamou de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa, e eu à terra o nome de Terra de Vera Cruz.

Depois de desembarcar em terra firme e ter os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha, Aldeia do Descobrimento, município de Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Lá em 26 de abril de 1500, foi celebrada a primeira missa pelo frei Henrique de Coimbra e outros sacerdotes.

"Queremos a partir da peregrinação dessa cruz, que comunicará a redenção do Nosso Senhor levar esperança ao povo brasileiro", disse o padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor, na coletiva de imprensa ontem (7/4) no santuário.

A peregrinação "BRASIL COM FÉ - Celebrando os 525 anos da Primeira Missa no Brasil, Terra de Santa Cruz" é organizada pelo movimento Brasil com Fé, santuário Cristo Redentor, da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), e Instituto Redenptor.

A peregrinação da cruz também celebra os 200 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, iniciadas com o Tratado de Paz, Amizade e Aliança entre o Império do Brasil e O Reino de Portugal, em 1825, três anos depois da Independência do Brasil.

"O catolicismo no Brasil existe por causa do catolicismo presente em Portugal", disse o padre Omar na coletiva de imprensa. "As nossas práticas devocionais, as nossas celebrações litúrgicas têm origem na fé do povo português".

Uma comissão de brasileiros, incluindo um representante pataxó, tribo originária do local onde foi feita a primeira missa, viajou para Portugal para trazer a cruz que fica guardada no Tesouro-Museu da Sé de Braga, em Portugal.

A cruz vai sair de brada no dia 12 de abri, passará pelas cidades portuguesas de Fátima, Caiscais, Almada e Lisboa, onde haverá uma missa na capela da embaixada do Brasil no dia 14 de abril, última celebração antes de a cruz viajar para o Brasil.

A cruz chegará a São Paulo (SP) no dia 15 de abril. A primeira celebração será uma missa na catedral metropolitana celebrada pelo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro cardeal Scherer, às 12 horas. Em seguida, uma procissão liderada pelos Arautos do Evangelho saíra da catedral em direção do Pátio do Colégio, local da fundação da cidade de São Paulo.

No dia 16 de abril, a cruz estará na região conhecida como o Vale da Fé, visitando as cidades de Cachoeira Paulista (SP), Aparecida (SP) e Guaratinguetá (SP).

Na quinta-feira, 17 de abril, a cruz vai para o Rio de Janeiro (RJ), onde estará na missa do Crisma celebrada pelo arcebispo, dom Orani João cardeal Tempesta, às 9 horas, na catedral metropolitana.

Na Sexta-feira, 18 de abril, a cruz estará em Porto Alegre (RS), para a Celebração da Paixão do Senhor na catedral metropolitana do Porto Alegre, no Centro Histórico às 15 horas, que será celebrada pelo arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime Cardeal Spengler.

No Sábado, 19 de abril, a cruz volta para o estado do Rio de Janeiro, onde estará na cidade de Maricá (RJ) às 10 horas para um oração e o Ofício das Leituras conduzidos pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Niterói, dom Geraldo de Paula Souza. A oração será no memorial José de Anchieta, em Araçatiba, com a participação de indígenas de Maricá e do Rio de Janeiro.

Às 17h30, a cruz vai para o Santuário Cristo Redentor no Rio de Janeiro, para a Vigília Pascal.

No domingo de Páscoa, 20 de abril, a cruz estará novamente na catedral metropolitana do Rio de Janeiro para a missa às 9 horas da Ressurreição de Jesus Cristo, celebrada por dom Orani. Depois, vai para um almoço de Páscoa para cerca de 3 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social.

No dia 21 de abril, chegará a Brasílio (DF) para a missa das 10 horas na catedral Nossa Senhora Aparecida. A missa será rezada pelo arcebispo, cardeal Paulo Cezar Costa, por ocasião do jubileu da arquidiocese e pelo aniversário de Brasília. No dia seguinte, ela vai para a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) às 8 horas e depois para uma Sessão Solene no Congresso Nacional e o Lançamento do Selo Comemorativo do "Jubileu de 525 Anos da Primeira Missa no Brasil" do correios. Às 12 horas será rezada uma missa com a frente parlamentar Católica, e às 15 horas haverá uma sessão solene no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em 23 de abril, a cruz vai para Belém (PA) onde às 20 horas será celebrada uma missa na catedral metropolitana, na Cidade Velha, pelo Cuidado da Casa Comum. No dia seguinte, estará às 7 horas numa missa na basílica santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

A cruz chega a Salvador (BA) em 25 de abril, e sai em procissão da basílica santuário Senhor do Bonfim, no Largo do Bonfim, às 11 hora para o santuário Santa Dulce dos Pobres, no largo de Roma, onde haverá missa às 12 horas. Às 18 horas haverá uma ação cultural em frente à Igreja e Convento São Francisco, no Pelourinho.

A peregrinação termina em Porto Seguro (BA), no dia 26 de abril, dia em que se celebram os 525 Anos da primeira missa no Brasil. ÀS 13 horas haverá uma carreata com a cruz saindo da paróquia São Sebastião em direção ao local onde ocorreu a celebração histórica, em Santa Cruz Cabrália. Às 14h30, a Procissão de Nossa Senhora da Esperança sairá da Praça da Juventude, em Coroa Vermelha, e irá até a Praça do Cruzeiro, também em Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, onde será a Missa Pontifical dos 525 anos da Primeira Missa no Brasil, rezada pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Sérgio cardeal da Rocha, às 16 horas.
Reportagem: Nathália Queiroz.

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A santidade no matrimônio ao longo dos séculos.

SÃO VICENTE MADELGÁRIO e SANTA VALDETRUDES.

São Vicente Madelgário e sua esposa, Santa Valdetrudes, foram um santo casal que deu à luz quatro filho, os quais também viriam a se tornar santos.

A família do Conde Vicente era de Strépy (a leste de Mons, na Bélgica). Ele se casou com Santa Valdetrudes, que era filha dos nobres Valberto e Bertilia, e também irmã de Santa Aldegundes, fundadora de um convento em Maubeuge, em Hainault (França). Deu à luz quatro filhos: Santa Adeltrudes, São Landerico, São Dentelino e Santa Madelberta. Como recomendação de seus santos pais, três desses quatro filhos entraram na vida religiosa.

Depois que os filhos cresceram, os pais concordaram em separar-se para viver o celibato consagrados a Deus. São Vicente entrou no mosteiro de Hautmont, que ele mesmo havia fundado. Depois foi para Soignies, onde fundou outro mosteiro, em 653. Ali serviu como abade até pouco antes de morrer, em 677. Seguindo s sugestão do santo Abade Gisleno, Santa Valdetrudes construiu um convento em Castrilocus (depois conhecido como Igreja Colegiada de Santa Valdetrudes, em Mons, Bélgica). Ela mesma entrou nesse convento, recebendo o hábito do santo bispo Alberto de Cambrai. No devido tempo, tornou-se abadessa, e ali morreu em 9 de abril de 688. Ela é retratada segurando seus quatro filhos sob o manto, quase como Nossa Senhora protegendo aqueles que buscam seu amparo.

Qual foi então o destino dos quatro filho do santo casal Vicente Maldegário e Valdetrudes?

1. Aldetrudes, ainda menina, foi enviada à Abadia de Maubeuge (norte da França) para viver com sua tia, Santa Aldegundes - a própria fundadora do local. Ali, Adeltrudes serviu por doze anos como abadessa e faleceu em 25 de fevereiro de 696.

2. Landerico primeiro fez carreira militar e depois tornou-se monge. Sucedeu a seu pai, Vicente, como abade administrou os dois mosteiros de Soignies. Diz-se que antes de sua morte também trabalhou como missionário na cercanias de Bruxela. Morreu em 17 de abril, por volta do ano de 730.

3. Dentelino morreu ainda menino, aos sete anos de idade. Ele é homenageado como santo em Hainaut, assim como seus pais e irmãos, devido aos inúmeros milagres que ocorreram em seu túmulo. É considerado o patrono municipal de Rees (Cleves, Alemanha).

4. Madalberta tornou-se freira beneditina em um convento em Maubeuge e, por volta de 696, sucedeu a sua irmã Adeltrudes como abadessa do local. Morreu em 7 de setembro, cerca do ano 700.

Ainda que as histórias sobre o santo casal Vicente Madelgário e Valdetrudes e seus quatro filhos pareçam contar com certos aspectos lendários, a base histórica indubitável para essas "vidas dos santos" é ter existido um casal que lutou pela perfeição espirituais e criou tão bem seus filhos que, estes seguindo o exemplo dos pais, amadureceram e tornaram-se santos.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 70-72, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

MEDITAÇÃO DE HOJE.


"AMA E FAZE O QUE QUERES"

Diz Santo Agostinho: "Ama e faze o que queres", ama a Deus e faze o que quiseres. Quem ama verdadeiramente a Deus, não anda à procura de outra coisa senão o gosto de Deus, e só nisto acha o seu contendo, em fazer gosto a Deus. Escreve Santa Teresa: "Quem busca somente o contentamento do seu dileto, contenta-se com tudo o que satisfaz ao dileto. Esta força o amor tem quando é perfeito, de fazer a pessoa esquecer-se de toda satisfação e vantagem própria e faz que todo o seu pensamento se dirija a fazer gosto ao seu dileto e a buscar um modo para honrá-lo perante se e perante os outros. Ó Senhor, todo o dano provém de não mantermos os olhos fixos em vós! Se olhássemos somente para o caminho, logo chagaríamos. mas caímos e tropeçamos mil vezes, e também nos desviamos da rota, por não olharmos atentamente para o verdadeiro caminho". Eis, portanto, qual dever ser o único objetivo de todos os nosso pensamentos, das ações, dos desejos e das nossas orações, o gosto de Deus. e este dever ser o nosso caminho para a perfeição, o caminhar de acordo com a vontade de Deus.

Deus quer que cada um de nós o ame de todo o coração: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração. (MT 22,37). A alma que ama a Jesus Cristo de todo o coração, e que lhe diz de coração sincero aquilo que lhe disse o Apóstolo: Senhor, o que queres que eu faça? (At 9,6): Senhor, mostrai-me o que quereis de mim, que eu o quero fazer por completo. E entendamos que, quando queremos aquilo que Deus quer, queremos o nosso maior bem: porque certamente Deus só que o melhor para nós. Dizia São Vicente de Paula: "A conformidade com a vontade divina é o tesouro do cristão e o remédio para todos os males; pois ela contém a negação de si e a união com Deus e com todas as virtudes". Eis, em suma, onde se encontra toda a perfeição: Senhor, o que queres que eu faça? Promete-nos Jesus Cristo: Mas não se perderá um cabelo da vossa cabeça (Lc 21,18). Quer dizer que o Senhor nos repaga todo o bom pensamento que temos de fazer-lhe gosto a toda a tributação que abraçamos com paz, conformando-nos à Sua santa vontade. Dizia Santa Teresa: "O Senhor nunca manda uma tribulação sem recompensá-la com algum favor, sempre que a aceitamos com resignação".

Mas a nossa conformidade com a vontade divina tem de ser inteira, sem reservas, e constantes, sem hesitação. Nisso consiste o cúmulo da perfeição, e para isso, repito, devem-se voltar todas as nossas orações. Algumas almas de oração, ao ler sobre os êxtases e raptos de Santa Teresa, de São Filipe Néri e de outros santos, são induzidas a alcançar essas uniões sobrenaturais. Tais desejos devem ser eliminados, porque são contrários à humildade; se quisermos fazer-nos santos, devemos desejar a verdadeira união com Deus, que consiste em unir totalmente a nossa vontade com a de Deus. Escreve Santa Teresa: "Enganam-se os que creem que a união com Deus consiste em êxtases, raptos e gozos junto a Ele. Não consiste noutra coisa senão no assujeitamneto da nossa vontade à vontade de Deus; e então essa sujeição será perfeita quando a nossa vontade estiver despegada de tudo, e unicamente unida à de Deus, de forma que todo o seu movimento seja somente o querer divino. Essa é a verdadeira e essencial união que sempre desejei e peço continuamente ao Senhor". E depois acrescenta: "Oh, quantos de nós não dizemos isso e nos parece que desejamos apenas isso; mas, pobre de nós, quão poucos somos os que aí chegamos!". E essa é a verdade: muitos dizemos: Senhor, dou-vos toda a minha vontade, não quero nada além do que quereis vós; mas, quando depois nos acontecem as contrariedades, não sabemos aquietar-nos com a vontade divina. E aqui nasce aquele queixar-se de ter má sorte neste mundo, e o dizer que todas as desgraças são as nossas, e a levar uma vida infeliz.  

terça-feira, 8 de abril de 2025

SAÚDE DO PAPA SEM NOVIDADES.

QUADRO CLÍNICO DO PAPA SEGUE ESTÁVEL.
O estado de saúde do papa Francisco continua clinicamente estável, com sinais de ligeira melhora na voz e na mobilidade.

Segundo Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, não há notícias dignas de nota do ponto de vista médico, mas sua situação clínica permanece estável.

Embora a pneumonia bilateral de que o papa sofre ainda persista, ela deve retroceder gradualmente, embora "não haja indicações particulares nos resultados dos testes" que foram feitos nos últimos dias, disse Bruni.

Francisco continua a receber oxigênio de alto fluxo à noite e em horários específicos do dia através da máscara com uma bolsa-reservatório, que administra concentrações mais altas de oxigênio (até 90-100%).

No resto do dia, o papa Francisco usa cânulas nasais para respirar, como as que carregou no domingo com o cilindro de oxigênio instalado na parte de trás de sua cadeira de rodas.

O papa continua com os exercícios de fisioterapia motora e respiratória, e com a terapia farmacológica contra a infecção pulmonar.

Neste período de convalescença, Francisco reduziu completamente sua agenda pública, embora continue trabalhando de maneira diferente.

A Santa Sé disse que o papa Francisco recebe diariamente na Casa Santa Marta, sua residência no Vaticano, documentos dos diferentes dicastérios que precisam ser revistos.

Nos últimos dias, o papa retomou algumas reuniões. Ontem (7/4), Francisco teve uma reunião de trabalho com o secretário do Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.

O papa Francisco continua a concelebrar a missa diariamente e, embora de maneira esporádica, manteve contato telefônico com a única paróquia católica da Faixa de Gaza, liderada pelo padre argentino Gabriel Romanelli, onde cerca de 500 pessoas, entre elas muçulmanos, encontraram refúgio.

Amanhã (9/4), a Santa Sé vai divulgar, como em ocasiões anteriores, o texto que preparou para a audiência geral, que está suspensa. O encontro em que o papa costuma fazer sua catequese foi cancelada desde o último dia 19 de fevereiro, ou seja, por nove semanas.

No momento, não há previsão sobre a possível participação de Francisco nas cerimônias litúrgicas planejadas para a Semana Santa.

Reportagem: Victoria Cardiel.

EM SÃO PAULO, UM HOMEM INVADIU IGREJA E QUEBROU AS IMAGENS.


Um homem invadiu a igreja e quebrou as imagens do Bom Jesus e de santa Edwiges.

O fato aconteceu no domingo (6/4), na paróquia Bom Jesus das Oliveiras, no setor Itaim Paulista, Zona Leste de São Paulo (SP). Identificado pelo Polícia Civil, ele será investigado por ultraje a culto religioso.

"Alguém desaforado entrou aqui na Igreja e com fúria procurando pelo padre partiu para a agressão quebrando as duas imagens que a gente tinha na Igreja. A imagem do Bom Jesus e a imagem de santa Edwiges, padroeiro e copadroeira da nossa igreja", disse o pároco de Bom Jesus das Oliveiras, padre Genaldo Laurindo. "As imagens ficaram totalmente destruídas e sem nenhuma possibilidade de restauração.

A secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o homem tem 28 anos e foi encontrado na segunda-feira (7/4) na cidade de Itaquaquecetuba. Ele foi levado ao 50º distrito Policial (Itaim Paulista). Ele confessou ser o responsável pela destruição das imagens, sem dizer o motivo. Foi feito o registro da ocorrência por ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo e o homem foi liberado.

O padre Genaldo "lamenta profundamente" o vandalismo e pede a oração e compreensão dos fiéis "porque nos próximos dias não teremos as duas imagens repostas lá no ligar delas".

Ele disse que conta com a ajuda dos fiéis para "adquirir novas imagens" e pediu orações pela pessoa "que cometeu esse ato insano contra as imagens sagradas aqui do Bom Jesus das Oliveiras".

A diocese de São Miguel Paulista, a quem pertence a paróquia Bom Jesus das Oliveiras, disse em nota publicada ontem (7/4) que "repudia com veemência o ato de vandalismo" e convidou todos a "rezarem em um ato de reparação contra essa situação lamentável". 

"O desagravo pode ser feito mediante a participação na Missa, e visita ao Santíssimo Sacramento e orações nesta intenção", conclui a nota.
Por: Nathália Queiroz

MEDITAÇÃO DE HOJE.


DOS NUMEROSOS PECADOS.

"Filho, pecaste? Não tornes a pecar; mas roga pelas culpas antigas, a fim de que te sejam perdoadas" (Eclo 21,1). Assim te adverte, ó cristão, Nosso Senhor, porque deseja salvar-te. "Não me ofendas, filho, novamente, mas pede perdão dos pecados cometidos." Quanto mais tiveres ofendido a Deus, meu irmão, tanto mais deves temer a reincidência em ofendê-lo, porque talvez mais um pecado que cometeres fará pender a balança da justiça divina, e serás condenado. Falando absolutamente, não quero dizer, porque não o sei, que não haja perdão se cometeres novo pecado; afirmo, porém, que isto pode acontecer.

Porque conseguinte, quando te assaltar a tentação, deves considerar: quem sabe se Deus me perdoará outra vez ou ficarei condenado?
Dize-me, por favor: provarias uma comida que supusesses estar provavelmente envenenada? Se presumisses fundamento que em determinado caminho estavam teus inimigos à espreita para matar-te, passarias por ali, podendo tomar outra via mais segura? 
Do mesmo modo, que certeza ou que probabilidade podes ter de que, tornando a pecar, sentirás logo verdadeira contrição e não voltarás à culpa detestável? Ou ainda, se novamente pecares, não te fará Deus morrer no próprio ato do pecado ou te abandonará depois da queda? Ao comprar uma casa, tomas prudentemente as necessárias precauções para não perderes teu dinheiro. Se vais usar algum remédio, procurarás certificar-te que não te possa fazer mal. Ao atravessar um rio, evitas o perigo de cair nele. E, por um vil prazer, por um deleite brutal, arriscas tua salvação eterna dizendo "eu me confessarei". Mas, pergunto eu: quando te confessarás? - No domingo. - E quem te assegura que no domingo estarás vivi? - Amanhã mesmo. E quem te afiança esse dia de amanhã, quando não sabes sequer se tens ainda uma boa hora de vida? "Tendes um dia", diz Santo Agostinho, "quando não tendes certeza de uma hora?". "Deus", prossegue o mesmo santo, "promete o perdão ao que se arrepende, não promete o dia de amanhã a quem o ofende". Se agora pecares, Deus talvez te dará tempo de fazer penitência, ou talvez não. E se não te der, que será de ti eternamente? E, não obstante, queres perder tua alma por um mísero prazer e a expões ao perigo da perdição eterna.

Arriscarias mil ducados por essa vil satisfação? Digo mais: darias tudo, fazenda, casa, poder, liberdade e vida, por um breve gosto ilícito? Não, sem dúvida. E, contudo, por esse mesmo indigno prazer, queres perder tudo: Deus, a alma e o céu. Dize-me, pois: as coisas que ensina a fé são verdades altíssimas, ou não passam de puras fábulas que haja Céu, Inferno e eternidade? Crês que se a morte te surpreender em pecado estarás perdido para sempre? Que temeridade, que loucura, condenares a ti mesmo às penas eternas com a vã esperança de remediá-la mais tarde! "Ninguém que enfermar com a esperança de curar-se", diz Santo Agostinho. Não teríamos por louco a quem bebesse veneno dizendo "depois por meio de um remédio me salvarei"? E tu queres a condenação à morte eterna, fiado em que talvez mais tarde possas livra-te dela? Loucura terrível, que tantas almas tem levado e leva ao Inferno, segundo a ameaça do Senhor! "Pecaste confiado temerariamente na misericórdia divina; mas o castigo virá de improviso sobre ti, sem que saibas donde vem" (Is 47,10-11). 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

PAPA FAZ PRIMEIRA APARIÇÃO PÚBLICA DEPOIS DE SAIU DO HOSPITAL.


O papa Francisco fez sua primeira aparição pública ontem, ao saudar fiéis que participavam da missa do Jubileu dos Enfermos, na praça de São Pedro, no Vaticano.

Ao fim da celebração dominical, o pontífice fez uma aparição surpresa. De cadeiras de rodas e usando uma cânula debaixo do nariz, ele acenou brevemente para os fiéis. Segundo o Vaticano, havia 20 mil peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Em uma breve intervenção, Francisco disse: "Bom domingo a todos. Muito obrigado", disse com uma voz cansada e com dificuldades em respirar quando lhe aproximaram o microfone. 

O papa acompanhou a missa pela televisão, de acordo com o arcebispo Fisichella, que presidiu a celebração. Fisichella leu durante a cerimônia uma homilia preparada por Francisco, na qual ele disse que Deus não nos deixa sozinhos durante momentos de doença.

"Na doença, Deus não nos deixa sozinhos e, se nos abandonarmos a Ele, precisamente onde as nossas forças falham, podemos experimentar a consolação da sua presença", escreveu o papa na homilia.

Na homilia, o papa também compartilhou com os fiéis sobre como foi se sentir frágil e dependente dos outros no período em que ficou doente. "Convosco, queridos irmãos e irmãs doentes, neste momento da minha vida, estou a partilhar muito: a experiência da enfermidade, de me sentir frágil, de depender dos outros em tantas coisas, de precisar de apoio" escreveu. 
"Nem sempre é fácil, mas é uma escola na qual aprendemos todos os dias a amar e a deixarmo-nos amar, sem exigir nem recusar, sem lamentar nem desesperar, agradecidos a Deus e aos irmãos pelo bem que recebemos, abertos e confiantes no que ainda está para vir", continuou. 
Ao final da missa, foi lida uma mensagem de agradecimento de Francisco, O papa agradeceu do fundo do coração as orações dirigidas a Deus pela sua saúde.  

Francisco atravessou o corredor isolado que divide uma das zonas da Praça São Pedro, onde estavam reunidos centenas de fiéis que o receberam com grande entusiasmo e festejaram de alegria ao vê-lo.

Segundo informações, antes de saudar os fiéis, o papa "recebeu o sacramento da reconciliação na basílica de São Pedro, reuniu-se em oração e atravessou a Porta Santa". 

A Santa Sé ainda não se pronunciou sobre a possível presença do papa Francisco nos ritos da Semana Santa. A sala de Imprensa indicou que "ainda é prematuro falar sobre isso" e garantiu que dará detalhes posteriormente.