quinta-feira, 17 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.


DO AMOR DE DEUS
Deus não se limitou a dar-nos todas essas formosas criaturas do universo, mas não viu satisfeito o seu amor enquanto não veio a dar a si próprio por nós (cf. Gl 2,20). O maldito pecado nos fez perder a graça divina e o Céu, tornando-nos escravos do demônio. Mas o Filho de Deus, com espanto do Céu e da terra, quis vir a este mundo, fazer-se homem pra remir-nos da morte eterna e reconquistar-nos a graça e o Paraíso perdido. Que maravilha seria ver um poderoso monarca tomar a forma e a natureza de um verme por amor aos homens. "Humilhou-se a si mesmo, tomando a forma de servo (...) e reduzindo-se à condição de homem" (Fl 2,7). Um Deus revestido de carne mortal! E o Verbo se fez carne (cf. Jo 1,14). Mas o prodígio ainda aumenta, quando se considera o que fez e sofreu depois por nosso amor esse Filho de Deus. Para nos remir, era bastante uma só gota de seu Sangue preciosíssimo, uma só lágrima, uma só súplica, porque esta oração, sendo um ato de pessoa divina, teria infinito valor e era suficiente para resgatar não só um mundo, mas uma infinidade de mundos que houvesse. Observa, entretanto, São João Crisóstomo que aquilo que bastava para resgatar-nos não era bastante para satisfazer o imenso que Deus nos tinha. Não queria unicamente salvar-nos, mas que muito o amássemos, porque Ele muito nos amava. Escolheu vida de trabalhos e de humilhações e a morte mais amargurada entre todas as mortes, a fim de nos fazer compreender o infinito e ardentíssimo amor em que ardia por nós. "Humilhou-se a si mesmo, fez-se obediente até à morte e morte de cruz" (Fl 2,8). Ó excesso de amor divino, que nunca os anjos nem os homens chegarão a compreender! Digo excesso, porque é exatamente assim que se exprimiam Moisés e Elias no Tabor, falando da Paixão de Cristo (cf. Lc 9,31). "Excesso de dor, excesso de amor", disse São Boaventura.

Se o redentor não tivesse sido Deus, mas simplesmente um parente ou amigo, que maior prova de afeto nos poderia dar do que morrer por nós? "Ninguém tem amor em maior grau do que ele, porque dá a vida por seus amigos" (Jo 15,13). Se Jesus Cristo tivesse de salvar seu próprio pai, que mais poderia ter feito por amor dele? Se tu, meu irmão, fosses Deus e Criador de Jesus Cristo, que mais poderia fazer por ti além de sacrificar sua vida num abismo de humilhações e de dores? Se o mais vil dos homens deste mundo tivesse feito por ti o que fez o Redentor, poderias viver sem o amar? Crês na Encarnação e na morte de Jesus Cristo? Crês e não o amas? Podes sequer pensar em outras coisas que não sejam Jesus Cristo? Duvidas, talvez, do Seu amor? O Divino Salvador, diz Santo Agostinho, veio ao mundo para sofrer e morrer por vós, a fim de vos patentear o amor que vos tem. Antes da Encarnação o homem, talvez, poderia pôr em dúvida que Deus o amasse ternamente; mas, depois da Encarnação e morte de Jesus Cristo, quem pode duvidá-lo? Que prova mais evidente e terna podia dar-nos do seu amor do que sacrificar a sua vida por nós? Estamos habituados a ouvir falar de Criação e redenção, de um Deus que nasce num presépio e morre numa cruz. Ó santa fé, ilumina nossas almas!

terça-feira, 15 de abril de 2025

O QUE É JEJUM E POR QUE ELE É IMPORTANTE NA SEMANA SANTA.


O que é o jejum e porque é importante para os cristãos, especialmente durante o tempo da Quaresma e da Semana Santa? Para que serve esta prática de penitência e qual é o seu propósito.

É uma forma de obster-se de alimentos corporais, e é uma forma de penitência e de oração. Jesus praticou o jejum em momentos importantes, antes de rezar, antes de escolher os apóstolos e em muitas ocasiões".

E a Igreja faz o jejum desde o século IV de forma regular. É uma maneira de ajudar a oração, de purificar o nosso corpo e, assim nos dispormos melhor para a escuta de nossa oração por Deus".

A Igreja, nos recorda o jejum no tempo da Quaresma e do Advento, especialmente na terça e na sexta-feira, com faziam tradicionalmente em muitas comunidades.

Atualmente, disse, a obrigação do jejum se mantém "na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira santa".

Segundo indica o Código de Direito Canônico, no número 1252, à lei do jejum "estão sujeitos todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos. Todavia os pastores de almas e os pais procurem que, mesmo aqueles que, por motivo de idade menor não estão obrigados à lei da abstinência e o jejum, sejam formados no sentido genuíno da penitência.

Além das pessoas que não jejuam devido à sua idade, pessoas com problemas mentais, doentes, mulheres grávidas ou lactantes, trabalhadores de acordo com as suas necessidades, convidados a refeição que não podem ser justificados sem ofender gravemente ou outras situações morais ou impossibilidade física de manter o jejum.

CONSELHOS PARA VIVER BEM A SEMANA SANTA.

A semana Santa é um tempo especial na vida de todo o cristão. Mais do que uma tradição ou simples lembrança, ela nos convida a acompanhar, com o coração aberto, os últimos passos de Jesus rumo à cruz e, finalmente, à sua gloriosa ressurreição.

Viver bem esse período não significa apenas assistir às celebrações ou repetir gestos de costume. Trata-se de mergulhar de maneira consciente e sincera no mistério do amor de Deus, que se doa inteiramente para salvar a humanidade. Para ajudar você a viver intensamente essa semana de fé.
Aqui estão alguns conselhos simples, mas profundos para viver bem a semana Santa:

1. Reserve tempo para a oração: Durante esses dias, silencie e busque a presença de Deus através da oração pessoal, da meditação das Escrituras e da contemplação da Paixão de Cristo (Lucas 22-23). A oração abre espaço para que a graça de Deus transforme o seu interior.

2. Participe das celebrações litúrgicas: A Igreja oferece uma rica programação litúrgica: Domingo de Ramos, Quinta-feira Santa, Sexta-feira da Paixão e, por fim, a Vigília Pascal. Cada momento tem um significado profundo e participar dessas celebrações é viver, passo a passo, o caminho de Jesus.

3. Pratique o silêncio e a reflexão: Em meio à rotina agitada, permita-se momentos de recolhimento. O silêncio não é vazio, mas espaço sagrado onde Deus fala ao coração. Reflita sobre sua vida, suas escolhas e sua atitudes à lua do exemplo de Cristo.

4. Reforce atos de caridade: Seguir Jesus é também olhar com amor para o próximo. Aproveite essa semana para praticar gestos concretos de solidariedade: um ato de perdão, uma palavra de conforto, uma ajuda material a quem precisa (Mateus 25:35-40).

5. Confissão e reconciliação: Busque o Sacramento da Reconciliação. A confissão é um gesto de humildade e coragem, e um passo importante para experimentar a verdadeira renovação espiritual, preparando o coração para celebrar a Páscoa com plenitude (1 João 1:9).

6. Viva a alegria da Ressurreição: A cruz não é o fim, mas a passagem para a vida nova! Prepare-se para celebrar a Páscoa com fé renovada, recordando que todo sofrimento em Cristo encontra sentido e toda vida Nele é transformada.

Que nesta Semana Santa Seu coração esteja aberto para acolher a grandeza do amor de Jesus. Não apenas observe os ritos - viva-os! Pois quem trilha o caminho da cruz com Cristo, caminha também rumo à alegria da ressurreição.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

ESTAMOS DISPOSTOS A SEGUIR JESUS NO CAMINHO DA CRUZ?

Seguir Jesus é mais do que pronunciar Seu nome, mais do que levantar os olhos ao céu em momentos de necessidade. Seguir Jesus é um compromisso de amor, de entrega e de fidelidade — principalmente quando o caminho se torna estreito e difícil.

Muitos o aclamaram em Jerusalém, agitando ramos e cantando “Hosana ao Filho de Davi!” quando tudo parecia festa. Mas poucos permaneceram firmes quando a cruz apareceu, quando o sofrimento, a rejeição e a entrega total se tornaram reais.

Hoje, a pergunta ressoa forte para cada um de nós: estamos dispostos a seguir Jesus no caminho da cruz?

Seguir Cristo é aceitar os desafios da vida com fé, é não desviar o olhar diante das dificuldades, é amar e perdoar mesmo quando somos feridos, é manter a esperança acesa mesmo quando o mundo parece desabar. A cruz de Cristo não é sinal de derrota, mas de vitória sobre o pecado e a morte. E a nossa cruz, quando unida à d’Ele, se transforma em caminho de redenção e de vida nova.

Que neste tempo de oração e reflexão, especialmente durante a Semana Santa, tenhamos a coragem de dizer:

“Sim, Senhor, eu Te seguirei, mesmo no caminho da cruz!”

Pois quem caminha com Cristo, mesmo que passe pelo Calvário, chegará à alegria da Ressurreição.
Por: Clemildo Galdino

domingo, 13 de abril de 2025

DOMINGO DE RAMOS: O INÍCIO DA SEMANA SANTA.


O domingo de Ramos é muito mais do que o simples começo de mais uma semana no calendário litúrgico. Ele marca o ponto de partida da Semana Santa, o tempo mais profundo e sagrado da vida cristã, no qual revivemos os últimos passos de Jesus, desde sua entrada triunfal em Jerusalém até sua paixão, morte e ressurreição.

Neste dia, A Igreja recorda o momento em que Jesus montado em um jumentinho (sinal de humildade e paz), foi recebido pelo povo que, com ramos de palmeiras nas mãos, o aclamava como rei e Messias: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!" (Mateus 21,9). Aqueles ramos não era apenas adorno, mas expressavam esperança e reconhecimento de que, naquele homem simples, estava o Salvador prometido.

Porém, o mesmo povo que exalta com cantos de alegria no Domingo de Ramos, poucos dias depois, guiado pela decepção e manipulado pelas autoridades religiosas, gritará: "Crucifica-o!" Esse contraste revela o coração humano inconstante, que muitas vezes se encanta pela novidade, mas se afasta quando é confrontado com a verdade do amor e da cruz.

O Domingo de Ramos, por isso, não é apenas uma comemoração exterior, mas um convite a refletimos sobre nossa fidelidade a Cristo. Estamos disposto a acolhê-lo em nossa vida não só nos momentos de festa, mas também nos tempos de dor e sacrifício. Estamos prontos para acompanhá-lo até a cruz, confiando que a ressurreição nos espera?

Este dia também inaugura um caminho de preparação interior, de conversão e contemplação. A liturgia nos conduz da alegria da acolhida è meditação da Paixão do Senhor, mostrando que o seguimento de Cristo não se resume a momentos de glória, mas passa necessariamente pelo mistério da cruz, pelo sofrimento redentor e pela entrega total de amor.

Na procissão dos ramos, quando carregamos nossos galhos abençoados, carregamos também a esperança de uma vida nova, a decisão de seguir Jesus com sinceridade e a coragem de permanecer firmes, mesmo nas dificuldades. E o início de uma jornada espiritual que culminará no Domingo da Ressurreição, onda a vida vende definitivamente a morte.

Que neste Domingo de Ramos, possamos abrir nossos corações para acolher o Cristo, não apenas com ramos e palavras, mas com gestos concretos de amor, perdão e humildade. Que seja um verdadeiro recomeço para cada um de nós, um tempo de renovação da fé e da certeza de que, apesar das cruzes da vida, o amor de Deus sempre triunfa.
Por: Clemildo Galdino

MEDITAÇÕES PARA A QUARESMA

 DOMINGO DE RAMOS

UTILIDADE DA PAIXÃO DE CRISTO COMO EXEMPLO.

Como disse S. Agostinho: A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de toda a nossa Vida". Quem quer que queira ser perfeito na vida, nada mais é necessário fazer senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o que nela Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude deixar de estar presente na cruz.

Se nelas buscas um exemplo de caridade, "ninguém tem maior caridade do que aquele que dá sua vida pelos amigos" (Jo 15, 13). Ora, foi o que Cristo fez na cruz. Por isso, já que Cristo entregou a sua vida por nós, não nos deve ser pesado suportar toda espécie de males por amor a Ele. "O que retribuirei ao Senhor, por todas as coisas que Ele me deu?" (Ps. 115, 12).

Se procuras na cruz um exemplo de paciência, nela encontrarás uma imensa paciência. A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: ou quando alguém suporta grandes males pacientemente, ou quando suporta aquilo que poderia ser evitado e não quis evitar. Cristo na cruz suportou grandes sofrimentos: "Ó vós todos que passais pelo caminho parai e vede se há dor igual à minha!" (Lm 1, 17), e os suportou pacientemente, "como a ovelha levada para o matadouro e como o cordeiro silencioso na tosquia" (1 Pd 2, 23). Cristo na cruz suportou também os males que poderia ter evitado, mas não os evitou: "Julgais que não posso rogar a meu Pai e que Ele logo não me envie mais que doze legiões de Anjos?" (Mt 26, 53). Realmente, a paciência de Cristo na cruz foi imensa! "Corramos com paciência para o combate que nos espera, com os olhos fitos em Jesus, o autor da nossa fé, que a levará ao termo: Ele que, lhe tendo sido oferecida a alegria, suportou a cruz sem levar em consideração a sua humilhação" (Heb 36, 17).

Se desejares ver na cruz um exemplo de humildade, basta-te olhar para o crucifixo. Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer: "A vossa causa, Senhor, foi julgada como a de um ímpio" (Jo 36, 17). Sim, de um ímpio, porque disseram: "Condenemo-lo a uma morte muito vergonhosa" (Sb 2, 20). O Senhor quis morrer pelo seu servo, e Aquele que dá a vida aos Anjos, pelo homem: "Fez-se obediente até à morte" (Fl 2, 8).

Se queres na cruz um exemplo de obediência, segue Àquele que se fez obediente ao pai, até à morte: "Assim como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores; também pela obediência de um só homem, muitos se tornaram justos" (Rm 5, 19).

Se na cruz estás procurando um exemplo de desprezo das coisas terrenas, segue Àquele que é o Rei e o Senhor dos Senhores no qual estão os tesouros da sabedoria, mas que na cruz aparece nu, ridicularizado, escarrado, flagelado, coroado de espinhos, na sede saciado com fel e vinagre e morto. Não deves te apegar às vestes e às riquezas, "porque dividiram entre si as minhas vestes" (Sl 29, 19); nem às honras, porque "Eu suportei as zombarias e os açoites"; nem às dignidades, porque "puseram em minha cabeça uma coroa de espinhos que trançaram"; nem às delícias, porque "na minha sede deram me vinagre para beber" (Sl 68, 22).

sábado, 12 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.

 

AS DORES DO SENHOR NA CRUZ.

Diz Santo Agostinho não haver morte mais acerba que a morte da cruz, pois, como nota São Tomás, os crucificados têm os pés e as mãos transpassados, partes essas que sendo compotas de nervos, músculos e veias, são extremamente sensíveis à dor, e o só peso do corpo pendido faz que a dor seja contínua e se aumente sempre mais até à morte. Mas as dores de Jesus ultrapassavam todas as outras dores, pois, como diz o Angélico, o corpo de Jesus Cristo, sendo de delicadíssima compleição, era mais sensíveis e sujeito às dores: corpo que foi expressamente preparado pelo Espírito Santo para sofrer como Ele predissera e conforme o atesta o Apóstolo: Formaste-me um corpo (Hb 10,5). Além disso, São Tomaz diz que Jesus Cristo suportou uma dor tamanha que só ele seria suficiente para satisfazer a pena que mereciam temporariamente os pecados de todos os homens. Afirma Tiepoli que na crucifixão deram 28 marteladas sobre suas mãos e 26 sobre seus pés.

Minha alma, contempla o teu Senhor, contempla tua vida que pende desse madeiro: E a tua vida estará como suspensa diante de ti (Dt 28,66). Vê como naquela patíbulo doloroso, suspenso desses cravos cruéis, não encontra posição nem repouso. Ora se apoia sobre as mãos, ora sobre os pés, mas onde se firma aumenta a dor. Ora volve a dolorosa cabeça para uma parte, ora para outra, se a deixar cair sobre o peito, as mãos e os pés rasgam-se mais com o peso, se a deita sobre os ombros, estes ficam feridos pelos espinhos; se a apoia sobre a Cruz, enterram-se os espinhos ainda mais na sua cabeça. Ah, meu Jesus, que morte horrível é a que sofreis! Meu Redentor crucificado, e vos adoro nesse trono de ignomínia e de dores. Leio que está escrito nessa cruz que sois Rei: Jesus Nazareno, rei do judeus (Jo 19,19). Mas afora este título de escárnio, qual outro sinal de vossa realeza? Ah, essas mãos cravadas, essa cabeça coroada de espinhos, esse trono de dores, essas carnes dilaceradas vos fazem conhecer por Rei, mas Rei de Amor. Aproximo-me, pois humilhado e contrito, para beijar vossos pés sagrados trespassados por meu amor, abraço essa cruz, na qual, vítima de amor, quisestes sacrificar-vos à justiça divina por mim, feito obediente até à morte, e morte de cruz (Fl 2,8). Ó feliz obediência, que no obtém o perdão dos pecados. E que seria de mim, ó meu Salvador, se Vós não tivésseis pago por mim? Agradeço-vos, meu amor, e pelos merecimentos dessa sublime obediência vos peço que me concedais a graça de obedecer em tudo à vossa divina vontade. Desejo o Paraíso unicamente para sempre Vos amar e com todas as minhas forças.  

sexta-feira, 11 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE


A CRUCIFICAÇÃO DO SENHOR.

Eis-nos chegados à Crucificação, ao último tormento, o qual deu a morte a Jesus Cristo - eis-me no Calvário, feito teatro do amor divino, onde um Deus deixa a vida num mar de dores. Quando chegaram ao lugar que se chama Calvário, ali o crucificaram (Lc 23,33). Tendo o Senhor chegado com grande dificuldade, mas ainda vivo ao monte, arrancaram-lhe pela terceira vez com violência suas vestes pegadas às chagas de sua carne dilacerada e o estenderam sobre a Cruz. O Cordeiro Divino deita-se sobre esse leito de tormentos, apresenta aos carnífices suas mãos e seus pés para serem pregados e, levantando os olhos ao céu, oferece ao seu eterno Pai o grande sacrifício de sua vida pela salvação dos homens. Cravada uma má, contraem-se os nervos, sendo por isso necessário que à forma e com cordas se puxassem a outra mão e os pés ao lugar dos cravos, com foi revelado a Santa Brígida, o que ocasionou a contorção e rompimento com dores horríveis do nervos e das veias, de tal maneira que se podiam contar todos os ossos, como já predissera Davi: Transpassaram as minhas mãos e os meus pés, contaram todos os meus ossos (Sl 21,17).

Ah, meu Jesus, por quem foram cravados vossas mãos e vossos pés sobre esse madeiro senão pelo amor que tínheis aos homens? Vós quisestes com a cor de vossas mãos transpassadas pagar todos os pecados que os homens cometeram pelo tato, e com a dor dos pés quisestes pagar todos os passos que demos para vos ofender. Ó meu amor crucificado, abençoai-me com essas mãos transpassadas. Cravai aos vosso pés este meu coração ingrato para que eu não me separa mais de Vós e fique sempre minha vontade obrigada a amar-vos, já que tantas vezes se rebelou contra Vós. Fazei que nada me mova além de vosso amor e do desejo de dar-vos gosto. Ainda que vos veja suspenso nesse patíbulo, eu vos reconheço por Senhor do mundo, pelo Filho verdadeiro Deus e Salvador dos homens. Por piedade, ó meu Jesus, não me abandoneis mais no resto de minha vida e especialmente na hora de minha morte: nessa última agonia e combate com o Inferno, assisti-me e confortai-me para morrer no vosso amor. Eu vos amo, amor crucificado, eu vos amo de todo o meu coração.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

CRUZ ORIGINAL DA PRIMEIRA MISSA NO BRASIL PEREGRINA PELO PAÍS EM ABRIL.


A cruz original usada na celebração da primeira missa no Brasil vai peregrinar por várias cidade de Portugal e do Brasil entre os dias 12 e 27 de abril. A peregrinação celebra os 525 anos da primeira missa no Brasil.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, com 13 caravelas sob o comando de Pedro Álvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, ele o chamou de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa, e eu à terra o nome de Terra de Vera Cruz.

Depois de desembarcar em terra firme e ter os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha, Aldeia do Descobrimento, município de Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Lá em 26 de abril de 1500, foi celebrada a primeira missa pelo frei Henrique de Coimbra e outros sacerdotes.

"Queremos a partir da peregrinação dessa cruz, que comunicará a redenção do Nosso Senhor levar esperança ao povo brasileiro", disse o padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor, na coletiva de imprensa ontem (7/4) no santuário.

A peregrinação "BRASIL COM FÉ - Celebrando os 525 anos da Primeira Missa no Brasil, Terra de Santa Cruz" é organizada pelo movimento Brasil com Fé, santuário Cristo Redentor, da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), e Instituto Redenptor.

A peregrinação da cruz também celebra os 200 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, iniciadas com o Tratado de Paz, Amizade e Aliança entre o Império do Brasil e O Reino de Portugal, em 1825, três anos depois da Independência do Brasil.

"O catolicismo no Brasil existe por causa do catolicismo presente em Portugal", disse o padre Omar na coletiva de imprensa. "As nossas práticas devocionais, as nossas celebrações litúrgicas têm origem na fé do povo português".

Uma comissão de brasileiros, incluindo um representante pataxó, tribo originária do local onde foi feita a primeira missa, viajou para Portugal para trazer a cruz que fica guardada no Tesouro-Museu da Sé de Braga, em Portugal.

A cruz vai sair de brada no dia 12 de abri, passará pelas cidades portuguesas de Fátima, Caiscais, Almada e Lisboa, onde haverá uma missa na capela da embaixada do Brasil no dia 14 de abril, última celebração antes de a cruz viajar para o Brasil.

A cruz chegará a São Paulo (SP) no dia 15 de abril. A primeira celebração será uma missa na catedral metropolitana celebrada pelo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro cardeal Scherer, às 12 horas. Em seguida, uma procissão liderada pelos Arautos do Evangelho saíra da catedral em direção do Pátio do Colégio, local da fundação da cidade de São Paulo.

No dia 16 de abril, a cruz estará na região conhecida como o Vale da Fé, visitando as cidades de Cachoeira Paulista (SP), Aparecida (SP) e Guaratinguetá (SP).

Na quinta-feira, 17 de abril, a cruz vai para o Rio de Janeiro (RJ), onde estará na missa do Crisma celebrada pelo arcebispo, dom Orani João cardeal Tempesta, às 9 horas, na catedral metropolitana.

Na Sexta-feira, 18 de abril, a cruz estará em Porto Alegre (RS), para a Celebração da Paixão do Senhor na catedral metropolitana do Porto Alegre, no Centro Histórico às 15 horas, que será celebrada pelo arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime Cardeal Spengler.

No Sábado, 19 de abril, a cruz volta para o estado do Rio de Janeiro, onde estará na cidade de Maricá (RJ) às 10 horas para um oração e o Ofício das Leituras conduzidos pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Niterói, dom Geraldo de Paula Souza. A oração será no memorial José de Anchieta, em Araçatiba, com a participação de indígenas de Maricá e do Rio de Janeiro.

Às 17h30, a cruz vai para o Santuário Cristo Redentor no Rio de Janeiro, para a Vigília Pascal.

No domingo de Páscoa, 20 de abril, a cruz estará novamente na catedral metropolitana do Rio de Janeiro para a missa às 9 horas da Ressurreição de Jesus Cristo, celebrada por dom Orani. Depois, vai para um almoço de Páscoa para cerca de 3 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social.

No dia 21 de abril, chegará a Brasílio (DF) para a missa das 10 horas na catedral Nossa Senhora Aparecida. A missa será rezada pelo arcebispo, cardeal Paulo Cezar Costa, por ocasião do jubileu da arquidiocese e pelo aniversário de Brasília. No dia seguinte, ela vai para a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) às 8 horas e depois para uma Sessão Solene no Congresso Nacional e o Lançamento do Selo Comemorativo do "Jubileu de 525 Anos da Primeira Missa no Brasil" do correios. Às 12 horas será rezada uma missa com a frente parlamentar Católica, e às 15 horas haverá uma sessão solene no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em 23 de abril, a cruz vai para Belém (PA) onde às 20 horas será celebrada uma missa na catedral metropolitana, na Cidade Velha, pelo Cuidado da Casa Comum. No dia seguinte, estará às 7 horas numa missa na basílica santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

A cruz chega a Salvador (BA) em 25 de abril, e sai em procissão da basílica santuário Senhor do Bonfim, no Largo do Bonfim, às 11 hora para o santuário Santa Dulce dos Pobres, no largo de Roma, onde haverá missa às 12 horas. Às 18 horas haverá uma ação cultural em frente à Igreja e Convento São Francisco, no Pelourinho.

A peregrinação termina em Porto Seguro (BA), no dia 26 de abril, dia em que se celebram os 525 Anos da primeira missa no Brasil. ÀS 13 horas haverá uma carreata com a cruz saindo da paróquia São Sebastião em direção ao local onde ocorreu a celebração histórica, em Santa Cruz Cabrália. Às 14h30, a Procissão de Nossa Senhora da Esperança sairá da Praça da Juventude, em Coroa Vermelha, e irá até a Praça do Cruzeiro, também em Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, onde será a Missa Pontifical dos 525 anos da Primeira Missa no Brasil, rezada pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Sérgio cardeal da Rocha, às 16 horas.
Reportagem: Nathália Queiroz.

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A santidade no matrimônio ao longo dos séculos.

SÃO VICENTE MADELGÁRIO e SANTA VALDETRUDES.

São Vicente Madelgário e sua esposa, Santa Valdetrudes, foram um santo casal que deu à luz quatro filho, os quais também viriam a se tornar santos.

A família do Conde Vicente era de Strépy (a leste de Mons, na Bélgica). Ele se casou com Santa Valdetrudes, que era filha dos nobres Valberto e Bertilia, e também irmã de Santa Aldegundes, fundadora de um convento em Maubeuge, em Hainault (França). Deu à luz quatro filhos: Santa Adeltrudes, São Landerico, São Dentelino e Santa Madelberta. Como recomendação de seus santos pais, três desses quatro filhos entraram na vida religiosa.

Depois que os filhos cresceram, os pais concordaram em separar-se para viver o celibato consagrados a Deus. São Vicente entrou no mosteiro de Hautmont, que ele mesmo havia fundado. Depois foi para Soignies, onde fundou outro mosteiro, em 653. Ali serviu como abade até pouco antes de morrer, em 677. Seguindo s sugestão do santo Abade Gisleno, Santa Valdetrudes construiu um convento em Castrilocus (depois conhecido como Igreja Colegiada de Santa Valdetrudes, em Mons, Bélgica). Ela mesma entrou nesse convento, recebendo o hábito do santo bispo Alberto de Cambrai. No devido tempo, tornou-se abadessa, e ali morreu em 9 de abril de 688. Ela é retratada segurando seus quatro filhos sob o manto, quase como Nossa Senhora protegendo aqueles que buscam seu amparo.

Qual foi então o destino dos quatro filho do santo casal Vicente Maldegário e Valdetrudes?

1. Aldetrudes, ainda menina, foi enviada à Abadia de Maubeuge (norte da França) para viver com sua tia, Santa Aldegundes - a própria fundadora do local. Ali, Adeltrudes serviu por doze anos como abadessa e faleceu em 25 de fevereiro de 696.

2. Landerico primeiro fez carreira militar e depois tornou-se monge. Sucedeu a seu pai, Vicente, como abade administrou os dois mosteiros de Soignies. Diz-se que antes de sua morte também trabalhou como missionário na cercanias de Bruxela. Morreu em 17 de abril, por volta do ano de 730.

3. Dentelino morreu ainda menino, aos sete anos de idade. Ele é homenageado como santo em Hainaut, assim como seus pais e irmãos, devido aos inúmeros milagres que ocorreram em seu túmulo. É considerado o patrono municipal de Rees (Cleves, Alemanha).

4. Madalberta tornou-se freira beneditina em um convento em Maubeuge e, por volta de 696, sucedeu a sua irmã Adeltrudes como abadessa do local. Morreu em 7 de setembro, cerca do ano 700.

Ainda que as histórias sobre o santo casal Vicente Madelgário e Valdetrudes e seus quatro filhos pareçam contar com certos aspectos lendários, a base histórica indubitável para essas "vidas dos santos" é ter existido um casal que lutou pela perfeição espirituais e criou tão bem seus filhos que, estes seguindo o exemplo dos pais, amadureceram e tornaram-se santos.

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 70-72, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.