segunda-feira, 7 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.


A DOR DA SANTÍSSIMA VIRGEM NA PAIXÃO DE CRISTO.

Lê-se em São Marcos que no Calvário havia muitas mulheres fazendo companhia a Jesus crucificado, mas de longe: Encontravam-se também ali algumas mulheres que observavam de longe, entre as quais estava Maria Madalena (Mc 15,40). Assim, julgava-se que entre essas mulheres se encontrava também a divina mãe. São João, porém afirma que a Santíssima Virgem não estava longe, mas perto da Cruz, juntamente com Maria Cléofas e Maria Madalena (cf. Jo 19,25). Eutímio procura resolver esta dificuldade, dizendo que a Santíssima Virgem, vendo que seu Filho estava prestes a expirar, aproximou-se mais que as outras mulheres da Cruz, vencendo o temo dos soldados que a circundavam e sofrendo com paciência todos os insultos e injúrias que lhe dirigiam os mesmos soldados que guardavam os condenados, para poder aproximar-se mais do seu amado Filho. O mesmo afirma em douto autor que escreveu a vida de Jesus Cristo: "Ali estavam os amigos que o observavam de longe. Mas a Santíssima Virgem, Madalena e uma outra Maria estavam junto da Cruz com João. Vendo então Jesus sua mãe e São João, disse-lhes: Mulher, eis o teu filho". Escreve Guerrico, abade: "Verdadeiramente mãe, que não abandonava o filho nem no terror da morte". Fogem as mães à vista de seus filhos agonizantes: o amor não lhes permite assistir a tal espetáculo, tendo de vê-los morrer sem os poder socorrer. A Santíssima Virgem, porém, quanto mais o Filho se avizinhava da morte, mais se aproximava da Cruz.

Estava, pois, a aflita mãe junto à cruz, e, assim como o Filho sacrifica a vida, sacrificava ela a sua dor pela salvação dos homens, participando com suam resignação de todas as penas e opróbrios que o Filho sofria ao expirar. Diz um autor que desabonam a constância de Maria os que a representam desfalecida aos pés da Cruz: ela foi a mulher forte que não desmaia e não chora, como escreve Santo Ambrósio: "Leio que estava em pé e não leio que chorava". A dor, que a Santíssima Virgem suportou na Paixão do Filho, superou a todas as dores que pode padecer um coração humano. A dor de Maria, porém, não foi uma dor estéril, como a das outras mães vendo os sofrimentos de seus filhos, foi, pelo contrário, uma dor frutuosa: pelos merecimentos dessa dor e por sua caridade, diz Santo Agostinho, assim como é ela mãe natural de Jesus Cristo, nossa cabeça, tornou-se também então mãe espiritual dos fiéis, membros de Jesus, cooperando com sua caridade para nosso nascimento e para fazer-nos filhos da Igreja.
Escreve São Bernardo que no Monte Calvário estes dois grandes mártires, Jesus e Maria, se calavam: a grande do que os oprimia tirava-lhes a faculdade de falar. A mãe contemplava o filho agonizante na cruz, e o filho, a mãe agonizante ao pé da cruz, toda extenuada pela compaixão que sentirá por suas penas.

domingo, 6 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.


O QUE COME DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE (Jo 6,59)

Queria o profeta Isaías que fossem manifestas a todos as maneiras amorosas que Deus encontrou para ser amado pelos homens. E quem jamais teria conseguido pensar, se ele próprio o não tivesse feito, que o Verbo Encarnado se teria colocado sob a espécie de pão para fazer-nos nosso alimento? Não parece uma loucura, dia Santo Agostinho, dizer: Comei da minha carne, bebei do meu sangue? Nonne Insania videtur dicere: Manducate mean carnem, bibite meum sanguinem? Quando Jesus Cristo revelou aos seus discípulos este sacramento que queria deixar-nos, eles não conseguiram crer-lhe e se dispensaram de segui-lo, dizendo: "Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?" (Jo 6,52). "Isto é muito duro! Quem o pode admitir?" (Jo 6,60). Mas o que os homens não podiam pensar nem crer, pensou-o e fê-lo o grande amor de Jesus Cristo. Accipite et manducate ("tomai e comei") disse Ele aos discípulos, e por meio deles a todos nós, antes de ir morrer. Tomai e comei! Mas que alimento será este, ó Salvador do mundo, que antes de morrer quisestes regalar-nos? Accipite et manducate: hoc est corpus meum (I Cor 11,24). "Este alimento não é terreno: sou eu mesmo que me dou a todos vós".

E, oh, com que desejo Jesus Cristo anseia por vir às nossas almas na santa comunhão! Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa (Lc 22,15). Assim disse ele na noite em que instituiu este sacramento de amor. Desiderio desoderavi; assim o fez falar, escreve São Lourenço Justiniano, o amor imenso que nos tinha: "Estas palavras de amor são muitíssimo ardentes". E, fim de que todos pudessem facilmente recebê-lo, quis sujeitar-se sob a espécie do pão.

Caso tivesse transubstanciado sob a espécie de algum alimento raro ou de grande preço, os pobres teriam sido privados d'Ele; mas não, Jesus quis pôr-se sob a espécie do pão, que custa pouco e se acha em toda a parte, para que todos em todos os lugares possam encontrá-los e recebê-lo. A fim de nos incutir o desejo de recebê-lo. A fim de nos incutir o desejo de recebê-lo na santa comunhão, não apenas nos exorta a tanto com tantos convites: Vinde comer o meu pão e beber o vinho que preparei (Pr 9,5); amigos, comei e bebei, falando deste pão e vinho celeste (Ct 5,1), mas também no-lo impõe por preceito: Tomai dele e deste comei: este é meu corpo (I Cor 11,24). Ademais, para que o busquemos, seduz-nos com a promessa do Paraíso: O quie come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna (Jo 6,55). O que come deste pão viverá eternamente (v. 58). Também nos ameaça com o Inferno e a exclusão do Paraíso se nos recusarmos a comungar. Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós (v. 54). Esses convites, essas promessas essas ameaças nascem todos do grande desejo que Nosso Senhor tem de vir até nós neste sacramento.

sábado, 5 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.


VOSSA TRISTEZA HÁ DE CONVERTE-SE EM ALEGRIA. (Jo 16,20).

Procuremos sofrer com paciência as aflições da vida presente, oferecendo-as a Deus, em união com as dores que Jesus Cristo sofreu por nosso amor e alentando-nos com a esperança da glória. Esses trabalhos, penas, angústias, perseguições e temores hão de acabar um dia e, se nos salvamos, serão pra nós motivos de gozo e alegria inefável no reino dos bem-aventurados. É o próprio Senhor que nos anima e consola: "Vossa tristeza há de converter-se em alegria" (Jo 16,20).

Meditemos, portanto, sobre a felicidade da glória. Mas que diremos desta felicidade, quando nem os santos mais inspirados souberam dar uma ideia acertada das delícias que Deus reserva aos que o amam? Davi apenas soube dizer que a glória é o bem infinitamente desejável (cf. Sl 83,2). E tu, insigne São Paulo, que tiveste a dita de ser arrebatado ao Céu, dize-nos alguma coisa ao menos do que viste ali! "Não", respondeu o grande apóstolo, "o que vi não é possível exprimir". Tão sublimes são as delícias da glória, que não pode compreendê-las quem não as desfruta (II Cor 12,9). Tudo o que posso dizer, é que ninguém nesta terra viu, nem ouviu, nem compreendeu as belezas, as harmonias e os prazeres que Deus preparou para aqueles que o amam (cf. I Cor. 2,9).
Neste mundo não somos capazes de imaginar os bens do Céu, porque só formamos ideia do que o mundo nos apresenta. Se, por maravilha excepecional, um ser irracional fosse dotado de razão e soubesse que um rico senhor ia celebrar esplêndido banquete, imaginaria que o repasto haveria de ser o melhor e o mais seleto, mas semelhante ao que ele usa, porque não poderia conceber nada melhor como alimento. Assim acontece conosco relativamente aos bens da glória.

Quanto é belo contemplar, em serena noite de verão, a magnificência do firmamento recamado de estrelas! Quão agradável é admirar as águas tranquilas de um lago transparente, em cujo fundo se descobrem peixes a nadar e pedras cobertas de musgo! Quanta formosura num jardim cheio de flores e de frutos, circundando de fontes e riachos, matizado por lindo passarinhos, que cruzam o ar e o alegram com seu canto mavioso! Dir-se-ia que tantas belezas são o Paraíso... mas não! Muito diferentes são os gozos e a formosura do Paraíso. Para dele fazermos uma vaga ideia, consideremos que ali está Deus onipotente, enchendo de delícias inenarráveis as almas que Ele ama. "Quereis saber que é o Céu?", dizia São Bernardo, "pois sabeis que ali não há nada que desagrade, e existe todo bem que deleita".

Que dirá a alma quando entrar naquela mansão felicíssima? Imaginemos um jovem ou uma virgem, que, tendo consagrado toda a vida ao amor e ao serviço de Cristo, acaba de morre e deixar este vale de lágrimas. Sua alam apresentar-se ao juízo; o Juiz a acolhe com bondade e lhe declara que está salva. O anjo da guarda a acompanha e felicita, e ela lhe mostra sua gratidão pela assistência que recebeu dele.
"Vem, pois, alma querida, diz-lhe o anjo; regozija-te porque estás salva. Vem contemplar a face do Senhor!"
E a alma se eleva, transpõe as nuvens, passa além das estrelas, e entra no Céu... Meu Deus! Que sentirá a alma ao penetrar, pela primeira vez, naquele reino de venturas e vir aquela cidade de Deus insuperável em formosura?

sexta-feira, 4 de abril de 2025

QUARESMA NÃO PODE SER SUBSTITUÍDA PELA CAMPANHA DA FRATERNIDADE, DIZ DOM ODILO


Na quaresma, são essenciais "a penitência unida à busca sincera de Deus, a escuta atenta e a acolhida da Palavra de Deus, a recordação dos mandamentos, dos fundamentos da fé e da moral, cristãs, o incentivo à caridade concreta e a exortação à confissão sacramental", disse o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Scherer, sobre aqueles que reduzem a quaresma à Campanha da Fraternidade.

Para Dom Odilo, há mal entendidos sobre a Campanha da Fraternidade que eleva um divisão entre os que a rejeitam e os que a transformam no único foco da Quaresma. "Nem uma coisa, nem outra é boa", disse. 

"A campanha da Fraternidade não deveria ser vista como uma atividade paralela à Quaresma, nem, muito menos, como iniciativa substitutiva da Quaresma, mas nela inserida", disse.

"A fé cristã é adesão pessoa a Deus e a moral é a expressão da vida decorrente da fé".

Na Quaresma, a Igreja convida "à penitência para uma sincera e profunda conversão a Deus".

"Para isso, ela indica os exercícios quaresmais do jejum, da oração e da esmola", que deveria ajudar-nos a fazer uma profunda avaliação de nossa vida, predispondo-os à busca do perdão de Deus e à renovação dos compromissos batismais na celebração da Páscoa".

"Na noite da Páscoa, como conclusão dos exercícios quaresmais é feita a renovação das promessas batismais, pelas quais reafirmamos nossa 'renúncia a Satanás' e nossa adesão a Deus, mediante a profissão da fé católica. Que significado teria isso, se não fosse precedido de um sério esforço de revisão de vida, em todos os sentidos, do arrependimento dos pecados e da disposição de nos voltarmos para Deus de todo coração?".

A conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB promove desde 1964 a Campanha da Fraternidade no Tempo da Quaresma. Segundo o cardeal "o objetivo fundamental dela é promover a fraternidade (caridade) em alguma questão da convivência social. Ela sempre propõe um tema que faz refletir sobre a vivência da fraternidade, a justiça e a caridade, valores essenciais no Evangelho de Cristo".

Segundo o cardeal "a fé cristã é adesão pessoal a Deus e a moral é a expressão da vida decorrente da fé", mas "não pode ser vividas de maneira abstrata e desencarnada, fora da realidade que nos cerca".

"Os verdadeiros Santos deram-nos o exemplo: sua fé profunda em Deus e a moral do Evangelho que viviam levaram-nos sempre a uma sensibilidade especial em relação aos sofrimentos do próximo e aos problemas sociais".

"A igreja foi enviada em missão ao mundo não apenas para "salvar almas", mas para salvar pessoas, que têm corpos e vivem situações específicas, para se envolver com seus sofrimentos e necessidades e para anunciar o Evangelho da salvação, que inclui o cuidado das pessoas neste mundo e tem implicações na convivência social. Foi o que o próprio Jesus fez o tempo todo", concluiu.
Por: Nathália Queiroz.

MEDITAÇÃO DE HOJE.


DIVINA EUCARISTIA: O SACRAMENTO DO AMOR.

Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, (...) amou-os até o fim (Jo 13,1). Nosso amantíssimo Redentor, na última noite de sua vida, sabendo que já era chegado o tempo suspirado de morrer por amor dos homens, não teve ânimo de nos deixar sós neste vale de lágrimas; e para não se separar de nós nem mesmo depois de sua morte, quis deixar-nos todo em alimento no sacramento do altar. Com isto nos deu a entender que, depois desse dom infinito, não tinha mais o que dar-nos para nos testemunhar o seu amor. Cornélio a Lápide, com S. João Crisóstomo e Teofilato, explica, segundo o texto grego, a palavra "até o fim" e escreve: "É como se dissesse: amou-os com um amor supremo e sem limites". Jesus neste sacramento fez o último esforço de amor para o homem, como diz Abade Guerrico.

Essa ideia foi ainda mais bem expressa pelo sagrado Concílio de Trento, que, falando do sacramento do altar, disse que nele nosso Salvador derramou, por assim dizer, todas as riquezas de seu amor para conosco. Tinha, pois, razão São Tomás de Aquino de chamar este sacramento de sacramento de amor e o maior penhor de amor que Deus nos podia dar. E São Bernardo o chamava "amor dos amores". Santa Maria Madalena de Pazzi dizia que uma alma depois de comungar pode exclamar: "Tudo está consumado", já que o meu Deus, tendo-se dado todo a mim nesta comunhão, nada mais tem para comunicar-me. Uma vez perguntou esta santa, a uma de suas noviças, em que havia pensado depois da comunhão. Respondeu-lhe a noviça: No amor de Jesus. Sim, replicou então a santa, quando se pensa no amor, não se pode ir mais avante, antes é preciso deter-se nele. Ó Salvador do mundo, que pretendeis dos homens, deixando-os levar e dar-lhes com alimento o vosso próprio ser? E que mais vos resta dar-nos, depois deste sacramento, para nos obrigar a vos amar? Ah, meu Deus amantíssimo, iluminai-me para que conheça qual foi o excesso de bondade que vos reduziu a vos fazerdes meu alimento na santa comunhão! Se, pois, vos destes inteiramente a mim, é justo que eu também me dê todo a vós. Sim, Jesus, eu me dou todo a vós, vos amo acima de todos os bens e desejo receber-vos para vos amar ainda mais. Vinde,. sim, vinde muita vezes à minha alma e fazei-a toda vossa. Ah, se eu pudesse dizer em verdade, como São Felipe Neri, ao receber a comunhão em viático: "Eis aí o meu amor, eis aí o meu amor, dai-me o meu amor".     

quinta-feira, 3 de abril de 2025

SÉRIE SANTOS CASADOS.

A Santidade no matrimônio ao longo dos séculos.
Imagem ilustrativa*

SANTA PLECTRUDA e PEPINO DE HERSTAL

Plectruda, reverenciada na Alsácia, Luxemburgo, e no Vale do Reno como santa esposa e mãe, e como fundadora de um convento, nasceu perto de Tréveris, filha do nobre franco Hugoberto e da Beata Irmina. Foi casada com Pepino de Herstal, prefeito do palácio franco, que venceu o prefeito Berchar da Nêustria em uma batalha na cidade francesa de Tertry (próximo a Saint-Quentin). Assim, como prefeito do palácio, ele iniciou a ascensão das carolíngios, garantiu a supremacia da Austrásia e uniu a França. Plectruda exercia muita influência sobre o marido, mas suas relações conjugais passaram por frequentes problemas, pois Pepino recusava-se a afastar-se de sua concubina, Alpaida, que deu-lhe um filho, Carlos Martel. Do matrimônio de Prectruda e Pepino nasceram dois filhos, Drogo e Grimoaldo, mas ambos morreram ainda crianças. Plectruda era piedosa e muita dedicada à igreja, e em 697-698 contribuiu imensamente para a fundação de um convento em Echternach (Luxemburgo) e outro em Kaiserswerth.

Após a morte de Pepino, em 714, a regência da viúva Plectudra passou a seu enteado, Carlos Martel, e ela foi para Colônia viver no convento feminino que havia fundado, de Santa Maria do Capitólio. Ali - certamente com muitas orações e penitências - encerrou a sua vida, em 10 de agosto de 125. 

Na Igreja de Santa Maria do Capitólio, em Colônia, o aniversário do falecimento de Plectruda foi desde o princípio celebrado como memorial da rainha Plectruda, fundadora desta igreja. Esta nobre mulher foi honrada como santa. 

* Não encontramos Imagens dos santos

HOLBÖCK, Ferdinand. Santos Casados: A santidade do matrimônio ao logo dos séculos. P. 68-69, RS: Minha Biblioteca Católica 2020.

MEDITAÇÃO DE HOJE.



JESUS É TRANSPASSADO PELA LANÇA.

Vieram depois soldados e quebraram as penas dos dois ladrões. Quando chegaram a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as penas, e um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água (Jo 10,33-34). São Cipriano escreve que a lança atingiu diretamente o Coração de Jesus Cristo. O mesmo foi revelado a Santa Brígida, e isso se deduz de ter saído juntamente com o sangue também água do lado do Senhor, pois a lança, para atingir o Coração de Cristo, teve primeiro de romper o pericárdio, que envolve o coração todo. Santo Agostinho nota que São João escreveu "abriu", porque então se abriu no Coração do Senhor a porta da vida, da qual brotaram os sacramentos, que dão entrada à vida eterna.

Por isso é que se diz que o sangue e água saídos do lado de Jesus Cristo foram a figura dos sacramentos, pois a água é o símbolo do batismo, o primeiro dos sacramentos, e o Sangue se encontra na Eucaristia, o maior dos sacramentos. São Bernardo diz que Jesus com essa chaga visível queria tornar visível a chaga invisível do amor, da qual seu Coração estava ferido por nós: "Por isso foi vulnerado, para que pela chaga visível enxerguemos a chaga invisível do amor: a chaga carnal, portanto, demonstra a chaga espiritual". E conclui: "Quem, pois, deixará de amar esse coração tão chagado?". Santo Agostinho, falando da Eucaristia, diz que o santo sacrifício da Missa não é hoje menos eficaz perante Deus que o sangue e água saídos então do lado ferido de Jesus Cristo.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE.


A VIDA DOLOROSA DE NOSSO SENHOR.

Imagina, minha alma, que vês passar Jesus nesse doloroso caminho. Assim como um cordeiro é levado ao matadouro, o amantíssimo Redentor é conduzido à morte. Ele está tão esgotado e enfraquecido pelos tormentos, que apenas pode ter-se em pé. Ei-lo todo dilacerado pelas feridas, com a coroa de espinhos sobre a cabeça, com o pesado madeiro sobre os ombros e com algoz que puxa por uma corda. Caminha com o corpo curvado, com os joelhos trêmulos, gotejando sangue; anda com tanta dificuldade que parece que a cada passo vai exalar a vida. Pergunta-lhe: "Ó cordeiro divino, não estais ainda farto de dores? Se com isso pretendeis conquistar o meu amor, deixai de sofrer que eu quero amar-vos com desejais". "Não", responde-te, "ainda não estou satisfeito: só então estarei contende, quando estiver morto por teu amor". "E agora aonde ides, meu Jesus? "Vou morrer por ti, não mo impeças; uma só coisa eu pelo e recomendo: quando me vires morto sobre a Cruz por ti, recorda-te do amor que te dediquei; lembra-te disso e ama-me".

Ó meu aflito Senhor, quanto vos custou o fazer-me compreender o amor que me consagrastes. Que vantagem vos poderia trazer meu amor, que para conquistá-lo quisestes sacrificar vosso Sangue e a vida? E como pude eu, objeto de tão grande amor, viver tanto tempo sem vos amar, esquecido de vosso afeto? Agradeço-vos a lua que me dais agora e que faz conhecer o quanto me tendes amado. Eu vos amo, bondade infinita sobre todas as coisas; desejaria, se pudesse, sacrificar vos mil vidas, que quisestes sacrificar a vossa vida divina por mim. Concedei-me aqueles auxílios que me haveis merecido com tantas penas para vos amar de todo o coração. Dai-me aquele santo fogo que vieste acender na Terra, morrendo por nós. Recordai-me sempre da vossa morte, para que nunca mais me esqueça de vos amar.

terça-feira, 1 de abril de 2025

MEDITAÇÃO DE HOJE .

EM QUE CONSISTE A PERFEIÇÃO DA ALMA.

A caridade está sempre unida à verdade, donde ocorre que a caridade, sabendo que Deus é o único e verdadeiro bem, aborrece a iniquidade que se opõe à divina vontade, e não se compraz com outra coisa, senão com aquilo que Deus quer. É assim que a alma que ama a Deus pouco se importa do que os outros dizem dela, e só procura fazer o que apraz a Deus. Dizia o beato Henrique de Suso: "Está verdadeiramente bem com Deus aquele que se esforça par satisfazer a verdade, e não estima em nada o modo com que depois será tratado ou reputado pelos homens".

Já dissemos outras vezes acima que toda a santidade e perfeição duma alma consistem em ela negar-se a si mesma e seguir a vontade de Deus; mas aqui importa falar disso com maior especificidade. Este. pois, dever ser todo o nosso esforço se queremos tornar-se santos, o de não seguir jamais a própria vontade, mas sempre a de Deus; pois a essência de todos os preceitos e conselhos divinos se resume a fazer e sobre o que Deus quiser e como Deus o quiser. Roguemos, portanto, ao Senhor que nos dê a santa liberdade de espírito: a liberdade de espírito faz-nos abraçar tudo o que apraz a Jesus Cristo, não obstante qualquer repugnância do amor-próprio ou do respeito humano. O amor de Jesus Cristo põe seus amantes numa total indiferença, na qual tudo lhes parece igual, o doce e o amargo: nada querem do que lhes agrada, e querem tudo o que agrada a Deus; com a mesma para empenham-se nas coisas grandes e nas pequenas, nas coisas agradáveis e nas desagradáveis: basta-lhes que agradem a deus. 

ORAÇÃO DO MÊS DE ABRIL.

Eterno justo e admirável Deus, que sempre nos possibilitas, por pura graça, participamos dos mistérios de teu Filho, concede-nos sempre o privilégio de estarmos em união contigo, onde quer que estejamos. Olha com carinho pra teus filhos e filhas que mais necessitam da tua misericórdia. Que na experiência de nossa semana maior possamos adentrar e vivenciar, juntamente com o Cristo, o grandioso mistério da paixão, morte e ressureição. E assim, a nossa Páscoa anual seja realmente uma ação em nossas vidas e na vida de nossos irmãos. Ajuda-nos, ó Pai, a fazer da lava-pés um sinal de amo, serviço e misericórdia. Desse modo, chegaremos a tal perfeição. Desse modo, chegaremos a tal perfeição, palmilhando os passos do teu amado e dulcíssimo Filho. Amém.